Hortícolas e Frutícolas

A cultura da couve-brócolo

Apesar de atualmente ser muito consumida, a couve-brócolo só começou a ser produzida em Portugal nos anos 70 do século passado.

Nomes comuns: Couve-brócolo, brócolos, calabrese.

Nome científico: Brassica oleracea var. itálica Plenk.

Origem: Costa mediterrânica oriental (Ásia menor, Líbano, Síria, etc.).

Família: Crucíferas ou Brássicas.

Características: São couves que podem produzir “inflorescências” roxas, verdes ou brancas, sendo as verdes as mais consumidas em Portugal. As plantas podem alcançar cerca de 1 m de altura durante a fase vegetativa. Factos históricos: As couves são consumidas desde tempos pré-históricos  – 4000 a.C. Os antigos romanos serviam regularmente brócolos com vinho, natas ou molhos de ervas e cultivavam novas variedades. Druso César, filho do imperador romano Tibério, comia tantos brócolos que a sua urina saia verde e só parava quando o seu pai ralhava com ele. Só na segunda metade do século XX os brócolos se tornaram populares em Itália e nos EUA e depois no resto da Europa. Foi a família de Albert Broccoli, produtor de 15 filmes de James Bond que levou o brócolo para a América.

Em Portugal, só na década de 70 se começou a produzir e consumir brócolos e a zona do Ribatejo-Oeste é a principal produtora.

Ciclo biológico: Planta bienal (5-8 meses), mas podem durar até dois anos, espigando depois.

Variedades mais cultivadas: Aconselho apenas as variedades de ciclo longo (inverno e primavera) e as de variedade verdes ou roxas: “Green Magic”,”Fiesta”,”Belstar”, ”Ramoso calabrese”, ”Packman”(hibrido), ”Walthman nº29” “Early purple Sprouting”, ”Dividend”, ”Emerald”, ”Medium late 145 e 423”, “Toro”, “Shogun”, “Marathon F1”, “Samurai F1”, “Corvet”, “Decathlon”, “Jewel”, “Lord”, “Romanesco” (variedade muito ornamental de cor verde clara), “Tenderstem”, “Erly green sprout”, “De Cicco”, “Waltham 20”, “Midway”, “Texas 107”, “Green Mountain”, “Morse’s Early”, “Vermont”, “Arcadia”, “Pirate”, ”Saga”, “White Sprouting”.

Parte comestível: Inflorescências (“cabeça”)

Condições ambientais

Solo: Adapta-se a vários tipos de solos, mas prefere os de textura média ou argilosa, soltos, bem drenados e ricos em matéria orgânica. O pH deve ser de 6,5-7,5.

Zona climática: Mediterrânica e temperada.

Temperaturas: Ótimas: 16-18ºC; Temperatura crítica mínima: 4ºC; Temperatura crítica; Máxima: 36ºC; Zero da vegetação: 6ºC.

Exposição solar: Gosta de sol, tem a floração em dias longos, com mais de 12 horas. Humidade relativa: elevada.

Fertilização

Adubação: Aplicação de estrume de ovelha e vaca, bem decompostos.  A couve, sendo uma variedade rústica, é uma planta que aproveita bem os estrumes de curral, compostos caseiros e os resíduos sólidos urbanos bem decompostos. Antigamente a cal em pó utilizava-se como um grande estimulador do desenvolvimento do crescimento.

Adubo verde: Azevém, luzerna e  favarola

Exigências nutritivas: 2:1:3 ou 1:1:2 (azoto: fósforo: potássio).

Técnicas de cultivo

Preparação do solo: Em solos pesados, pode fazer uma lavoura mais profunda, utilizando uma subsoladora. Depois, pode utilizar um escarificador de bico curvo de ponta dupla. Para uma lavoura ligeira, fragmente os torrões e destrua as ervas daninhas. No terreno, pode fazer camalhões com 1-1,50 m de largura.

Data de plantação/sementeira: Quase todo o ano, embora recomende fevereiro-março e setembro-outubro. Germina em 4-7 dias.

Tipo de plantação/sementeira: Em tabuleiros de sementeira em alfobre.

Faculdade germinativa (anos): 3-4 anos.

Profundidade: 2-3 mm.

Compasso: 70 x 50 cm ou  65 x 50 cm.

Transplantação: 6-7 semanas depois da sementeira ou quando tiverem 10-15 cm de altura.

Consociações: Cenoura, alface, cebola, batata espinafre, tomilho, acelga, hortelã- pimenta, alecrim, salsa, funcho, alfazema e espargos.

Rotações: As plantas do grupo das Solanáceas (tomate, batatas, etc.) e cucurbitáceas (abóbora, pepino, aboborinha etc.) são bons precedentes desta cultura, assim como as cebolas. Depois de retirada a cultura não deve voltar ao terreno durante pelo menos 4-5 anos. É uma boa cultura para terrenos em que o estrume ainda não esteja totalmente decomposto, podendo iniciar um esquema de rotação de culturas (embora seja uma cultura esgotante).

Amanhos: Sachas, amontoas, “mulching” ou empalhamento.

Regas: Por gota-a-gota ou aspersão; especialmente no verão uma vez/semana.

Entomologia e patologia vegetal

Pragas: Lagarta da couve, pulgão, larva mineira, lesmas e caracóis, nemátodos, áltica e mosca da couve, nóctuas, traça da couve.

Doenças: Míldio, oídio, alternariose, podridão, ferrugem branca, potra e viroses.

Acidentes: Tolerância moderada á salinidade (1,8 dS.m-1).

Colheita e utilização

Quando colher: Quando as inflorescências terminais atingirem o tamanho máximo (3-4 meses depois da sementeira) e se apresentem compactas, cortando o caule a 15-20 cm. As inflorescências produzidas das ramificações laterais, também são aproveitadas (podem ser colhida durante um mês). A cabeça deve ser verde escura ou verde acinzentada e brilhante.

Produção: 11-14 t/ha/ano

Condições de armazenamento: 0ºC e 98% de humidade relativa, durante 2-3 semanas.

Valor nutricional: Este tipo de couve é mais rica em carotenoides e clorofila, sendo ricas em pró-vitamina A, vitamina C, B1, B2, cálcio, ferro, magnésio, potássio, ácido fólico e fibra.

Usos: É muito utilizada em Portugal, para acompanhar vários pratos. Medicinal: Como a maioria das couves previne a incidência de alguns tipos de cancro (maior efeito anticanceroso de todos os legumes), pois tem na sua constituição glucosinolatos e o sulforano (superquímico), que determinam o aroma e previnem o início do cancro.

Conselhos do especialista

10 a 12 plantas são suficientes para alimentar uma família, desde que se faça sucessivas sementeiras. Recomendo no entanto utilize variedades para inverno e primavera.

Foto: Thinkstock

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