Aromáticas e Medicinais

Amor-do-Hortelão: uma planta diurética e estimulante

amor-do-hortelão

O Amor-do-Hortelão ou Agarra-saias, é uma planta silvestre, anual, invasora, da família das Rubiáceas. O nome científico é Galium aparine L. Apresenta caule quadrangular, viloso nos nós e ramoso a partir da base, com espirais de folhas lanceoladas, cuja face superior está provida de pelos gancheados. As pequenas flores brancas desenvolvem-se nas axilas das folhas e têm quatro pétalas. O fruto tuberoso mede cerca de 4 mm e é gancheado e com pelos, enquanto a raíz é delgada.

Tal como o seu nome indica prende-se obstinadamente, por meio dos caules, à roupa dos caminhantes desprevenidos e dos animais, serve-se dos seus acúleos recurvados para se erguer, agarrando-se a tudo o que está próximo, sem no entanto danificar as outras plantas vizinhas. Trepa por árvores e arbustos, cobrindo por vezes grandes extensões de matas e silvados. Convém controlá-la um pouco nos nossos jardins, pois é extremamente invasora, apesar de se tratar de uma planta delicada, graciosa, macia e leve, com excelentes potenciais fitoterapêuticos.

Os ingleses dão-lhe o nome de cleavers, goosegrass ou gripgrass. O nome científico deriva de uma palavra antiga Aparinê que significa “que agarra”. Esta planta era já conhecida dos antigos Gregos, pois Dióscorides explica como os pastores utilizavam os seus caules, atados em feixes, para clarificar o leite. Recomendava-a também contra o cansaço. Cresce por toda a Europa e América do Norte, assim como noutras regiões temperadas, incluindo a Austrália.

As partes utilizadas para fins medicinais são a planta inteira fresca (entre março e setembro). É um excelente diurético, podendo ajudar a eliminar pedras no aparelho urinário e tratar infeções do mesmo.

É um estimulante do sistema linfático, aliviando problemas de glândulas inchadas e com caroços, útil no tratamento de vários problemas de pele como seborreia, eczema e psoríase, purifica o sangue e constitui um excelente desintoxincante do organismo, ajudando a eliminar as toxinas através da urina. Tem sido utilizado nalguns casos de cancro linfático. Nesses casos, é mais eficaz ingerir a planta em forma de sumo em vez de chá. É ainda utilizada para arrefecer o corpo em casos de febre. Externamente, pode ser utilizada em cataplasmas para cicatrizar e desinfectar feridas e ainda para estancar o sangue.

Componentes

Contém iridóides (incluindo asperulósido), ácidos polifenólocos, antraquinonas (só na raíz), flavonóides e taninos.

Cosmética

Pode ser utilizada uma infusão para lavar o rosto e aclarar a pele. Útil em problemas de icterícia; na água de enxaguar o cabelo para combater a caspa, pode ainda ser utilizado como eficaz desodorizante. Ferva a planta durante cerca de 15 minutos, deixe arrefecer e guarde no frigorífico durante cerca de 5 dias.

Culinária

Com os frutos, é possível confeccionar algo semelhante ao café e a raíz moída pode substituir a chicória, sendo ainda muito utilizada em tinturaria para a obtenção de um bonito corante vermelho.

Espécies semelhantes

  • G.orizabense mexicano é usado pelos Mezatecas para tratar parasitas intestinais e aliviar a febre.
  • G.umbrosum, da Nova Zelândia, tem sido utilizado para tratar gonorreia.
  • Em Portugal existe ainda o Galium verum, galião ou erva-coalheira, com propriedades semelhantes mas morfolologia diferente.
  • Em França, o G. elatum é considerado desde há muito uma eficaz cura contra a epilepsia.

Fotos: Thinkstock e Fernanda Botelho

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