Plantas Ornamentais

O Dendrobium da rainha e o sapatinho negro

Dendrobium

O ‘Dendrobium da Rainha Victória’.


Dendrobium Victoriae – Reginae 

Em 1897, quando o farmacêutico, botânico e coletor de plantas alemão, August Loher, a viver nas Filipinas descreveu pela primeira vez este Dendrobium, chamou-lhe de Dendrobium celeste, com certeza pela sua pouco usual cor azulada. Posteriormente o nome foi alterado para Dendrobium victoriae-reginae, ‘o Dendrobium da Rainha Victória’, talvez pelo sangue azul desta rainha inglesa que reinou durante as expansões do império britânico e quando muitas plantas chegaram, por via marítima, à europa. É uma espécie originária das Filipinas, mais concretamente das ilhas Caminguin, Luzon, Mindanao, Mindoro e Negros, e é encontrada em zonas montanhosas e húmidas a altitudes entre os 1300 e 2700 m.

É uma planta epífita, cresce agarrada às arvores com as raízes cobertas de musgo. Nestas florestas e a estas altitudes, as temperaturas são baixas a temperadas e a humidade sempre presente pelas chuvas constantes e durante todo o ano. A planta é constituída por pseudobolbos longos e finos que podem atingir 1,20 m mas que em média variam entre os 30-40 cm. Esses pseudobolbos são divididos em várias secções e no final de cada secção têm uma folha fina com cerca de 6cm. As folhas são decíduas e acabam por cair quando o pseudobolbo atinge uma certa idade. Quando o pseudobolbo amadurece e fica sem folhas, deixando a planta com um aspeto triste, é quando começa a dar florações. As flores aparecem em grupos, com um pé curto e na lateral dos pseudobolbos. Normalmente aparecem entre 2 a 5, mas podem chegar às 12 flores nas plantas maiores.

Como cultivar

O crescimento da planta é lento e a planta nunca é muito bonita mas quando começam a abrir as flores azuis ou violeta, perdoamos-lhe pelo seu fraco aspeto durante o resto do ano. As flores aparecem com mais frequência depois da primavera e até novembro mas não é raro haverem flores em qualquer altura do ano. A melhor forma de cultivar este Dendrobium será em pequenos cestos de madeira ou vasos de barro pendurados, podendo também optar por montar a planta num pedaço de cortiça.

O substrato deverá ter boa drenagem mas que não seque rapidamente. Eu uso uma mistura de casca de pinheiro fina com fibra de coco em pedaços misturada com algum musgo de esfagno e perlite. Se pretenderem maior drenagem podem juntar algumas bolinhas de argila expandida (leca). As temperaturas ideais variam entre os 12 e 16 graus no inverno e até aos 24 – 26 graus no verão. Nunca devemos deixar o substrato secar totalmente a não ser em períodos curtos e mais frios do inverno. Gosta de lugares com mais sombra ou luz filtrada. Esta espécie botânica já se encontra facilmente à venda em centros de jardinagem mais especializados e não é difícil de cultivar. E ter a famosa ‘Orquídea Azul’ torna-a obrigatória em qualquer coleção.

Paphiopedilum Maudiae Vinicolor.


Paphiopedilum Maudiae ‘Vinicolor’

Desde sempre que as orquídeas mais escuras atraem muitos orquidófilos. A chamada ‘Orquídea-negra’, a Maxillaria schunkeana, quando foi descoberta fez um grande sucesso e é muito desejada entre os colecionadores. Mas as suas flores são pequenas, não são fáceis de obter e têm pouca duração. Então os ‘mágicos botânicos’ que cruzam plantas e brincam com os genes e pigmentos começaram a tentar obter outras orquídeas igualmente escuras através da hibridação.

Uma das orquídeas que se obteve com sucesso foi um sapatinho de cor púrpura, escuro, que muitas vezes aparenta ser quase negro – o Paphiopedilum Maudiae ‘Vinicolor’. Este híbrido foi criado pela empresa inglesa Charlesworth and Co. e resulta do cruzamento do Paphiopedilum callosum com o Paphiopedilum lawrenceanum. O primeiro P. Maudiae foi obtido em 1900 e era resultante de uma planta alba, logo a sua cor era verde e branco, após diversos cruzamentos de híbridos e especialmente com os cultivares Paphiopedilum callosum ‘Jac’ e ‘Sparkling burgundy’ se obtiveram as variações púrpuras e mais escuras denominadas de ‘Vinicolor’.

Para ser um verdadeiro Paphiopedilum Maudiae ‘Vinicolor’, a flor deve ser vermelho púrpura, ou burgundy, com a ponta do labelo praticamente negro e sem tonalidades de castanho. A flor tem um tamanho médio, com a sépala púrpura com traços verticais mais escuros. As pétalas têm uns pequenos nódulos e pilosidades. É um Paphiopedilum ideal para qualquer orquidófilo. Aceita bem as temperaturas médias de qualquer casa.

Como cultivar

Se escolher cultivá-lo no exterior, é aconselhável que seja recolhido para o interior ou colocado numa estufa quando as temperaturas descem abaixo dos 10-12 graus. Deverá ser mantido num local luminoso mas sem sol direto. O substrato é o indicado para muitos Paphiopedilum, à base de casca de pinheiro fina com fibra de coco ou perlite. A planta deve manter-se húmida com regas frequentes mais ou menos semanais conforme as condições em que é cultivada. Este híbrido de folhas verde escuras com manchas como pequenos mosaicos não gosta de temperaturas muito frias mas nos dias mais quentes, acima dos 28 graus, deverá ser mantido num local sombrio e bem arejado. As suas florações ocorrem mais no inverno, quando as temperaturas baixam e as regas não são tão frequentes mas há quem diga que para induzir a floração, basta deixá-lo um pouco mais seco do que o costume.

Fotos: José Santos

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