Plantas Ornamentais

Dois Dendobrium muito generosos

Os Dendrobium são plantas que facilmente atingem grandes tamanhos e que na primavera se enchem de flores pequenas, mas muito numerosas. E são tão fáceis de cultivar!

Dendrobium kingianum ‘Berry Oda’.

 

Dendrobium kingianum

Foi descrito pela primeira vez, em 1844, pelo botânico inglês John Carne Bidwill, que ao dar o nome à sua descoberta usou o epíteto “kingianum” em honra ao seu amigo almirante Phillip Parker King, um grande explorador da costa australiana. Esta espécie é encontrada ao longo da costa Este da Austrália, numa faixa de 850 km de comprimento entre o Rio Hunter, em New South Wales, e Rockhampton, Queensland. É principalmente litófita, crescendo em rochedos em florestas abertas e em encostas. É localmente chamada “Orquídea Rocha Cor-de-Rosa” por ser comum cobrir rochedos de vários metros com as suas flores cor-de-rosa. A planta é constituída por pseudobolbos finos e alongados com uma base robusta.

Esses pseudobolbos funcionam também como reservas de água e alimento onde a planta pode recorrer se necessário. Na extremidade desses pseudobolbos, crescem entre três a seis folhas grossas com uma dobra ao centro longitudinalmente e, na base das folhas, crescem as hastes florais com até 15 cm de comprimento e podendo chegar às 20 flores por haste. Cada flor não mede mais de 2 ou 3 cm e as cores variam entre o branco e o roxo, sendo o rosa-forte a cor mais comum. As flores são bastante perfumadas. Podem ser cultivadas agarradas em troncos, rochas ou pedaços de cortiça, mas facilmente se tornam demasiado grandes. Geralmente, usam-se vasos, que podem ser de plástico ou de barro e, de preferência, que sejam baixos, tipo taça.

Como substrato podemos utilizar uma mistura para orquídeas epífitas ou fazer uma mistura de casca de pinheiro com brita ou areão de rio com 2 ou 3 mm de diâmetro. São plantas que se adaptam a várias temperaturas. Só deverão ser mantidas em casa em zonas onde as temperaturas desçam ao ponto de haver neve e gelo.

Geralmente, podemos deixá-las no exterior com temperaturas entre os 5 e os 40 ºC. O segredo é regar mais quando as temperaturas são muito altas e colocar a planta num local bastante arejado e no inverno, suspender as regas nos dias muito frios e proteger a planta das fortes geadas. Esta espécie gosta de luz com sol direto. No entanto, a planta não fique exposta ao sol nas horas mais quentes do dia.

Se a planta não apanhar luz suficiente não vai produzir muitas flores. São plantas que crescem bastante e, por vezes, a produção de keikis (filhotes) torna-se um problema porque a plantas só produzem novos pseudobolbos no lugar onde deveriam dar flores. Para que isso não aconteça, deve-se reduzir nas fertilizações ou usar um fertilizante com pouco nitrogénio (azoto). A fertilização deve ser feita nos meses de primavera até ao outono e suspensa no inverno.

Dendrobium Hilda Poxon.


Dendrobium Hilda Poxon

Não existe na natureza. É o resultado do cruzamento de duas espécies australianas, o Dendrobium tetragonum e o Dendrobium speciosum var. compactum. A planta é constituída por longos e robustos pseudobolbos fibrosos, mais pendentes do que eretos, com algumas folhas a crescer na extremidade dos pseudobolbos, onde também brotam as inflorescências constituindo hastes com 10 a 15 cm, com aglomerados de flores verdes-amareladas (existem várias tonalidades entre o verde e o amarelo). As flores, por vezes sarapintadas de castanho-avermelhado, são muito perfumadas.

É um híbrido muito procurado porque não aparece frequentemente à venda. Pode ser cultivado no exterior durante todo o ano desde que em locais protegidos da geada. Precisa de frio no outono e inverno para produzir maiores florações. Gosta de luz forte, mas sem sol direto. As regas devem ser matinais e frequentes, deixando a planta secar ligeiramente entre duas regas. O cultivo é muito semelhante ao do D. kingianum. Ambos os Dendrobium formam plantas grandes e compactas pelo que não devemos ter pressa de dividir a planta. Como precaução, devemos ficar atentos ao aparecimento de afídeos ou cochonilhas, que podem causar danos graves a uma planta se não forem combatidos a tempo.

Fotos: José Santos

Gostou deste artigo? Siga a Jardins no Facebook e no Instagram.

Poderá Também Gostar