Plantas

Hidroponia, cultivar sem solo é possível

A hidroponia não é uma tecnologia nova, tem vindo a evoluir rapidamente desde há 70 anos. Denominada como tecnologia versátil, ela é apropriada para países em desenvolvimento. Visa produzir eficientemente alimentos em regiões áridas, montanhosas ou em telhados nas cidades. Nas zonas turísticas altamente povoadas por exemplo, onde a subida dos preços da terra expulsou a agricultura tradicional, a hidroponia pode fornecer culturas especializadas, cultivadas localmente e de alto valor nutricional.

Mas afinal o que é isto da hidroponia?

É a ciência, a arte, a técnica de cultivar plantas sem solo. Aqui os elementos minerais essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas, são levados através de uma solução nutritiva que fornece na medida exata e de forma constante os nutrientes que os vegetais necessitam. Para uma horta hidropónica é necessária uma estrutura para sustentação da planta, um reservatório para a solução nutritiva e um meio de contato entre as raízes e a solução nutritiva.

Uma forma de ter hortícolas, todo o ano, sempre à mão e com uma manutenção mínima

Origem e importância da hidroponia

Esta técnica teve um impulso enorme com a Segunda Guerra Mundial. As Forças Armadas Americanas usaram esta tecnologia para oferecer verduras e legumes frescos nos porta-aviões, submarinos, desertos, bases militares, ilhas vulcânicas, regiões polares. No entanto, está documentado que os jardins suspensos da babilónia e os jardins flutuantes dos astecas já eram realizados através desta técnica de cultivo.

Como cultivar em hidroponia

A hidroponia deve ser realizada em ambiente protegido como uma estufa, quando tem interesse comercial e de produção em grande escala. É possível ter uma pequena horta hidropónica no quintal, no terraço ou na cozinha dada a simplicidade da estrutura necessária para cultivar. Existem vários sistemas hidropónicos. Eles diferem entre si pela forma como a solução nutritiva entra em contato com as raízes:

Sistema NFT (Nutrient Film Technique)

Nesta técnica as plantas são cultivadas em tubos específicos, por onde circula uma solução nutritiva composta por água e nutrientes dissolvidos de forma equilibrada de acordo com a necessidade de cada espécie vegetal.

Essa técnica surgiu em Inglaterra, em 1965. A nomenclatura Nutrient Film Technique sugere que a espessura do fluxo da solução nutritiva que passa através das raízes das plantas deve ser espessa para fornecer o que elas necessitam ao mesmo tempo o fluxo não deve ser demasiado alto ao ponto de deixar as raízes submergidas, causando falta de oxigenação radicular.

Este sistema possui um reservatório onde a solução nutritiva é armazenada. Do reservatório, a solução é bombeada para a parte superior da bancada de cultivo, passando pelos canais e recolhida na parte inferior do leito, retornando ao tanque, formando um sistema fechado.

Um temporizador aciona a bomba de forma intermitente, por exemplo, mantendo 15 min ligados e 15 min. desligado enquanto houver luz do dia. Como não há substrato entre as raízes, a solução circula e volta ao reservatório. Um pequeno reservatório abastece uma grande quantidade de plantas.

Vantagens frente ao sistema convencional, tais como:

  • O produtor não necessita de fazer rotatividade das áreas de produção (prática necessária para reduzir a podridão de raízes no sistema convencional).
  • O novo ciclo de produção é estabelecido com a troca do saco de plástico e do substrato de dois em dois anos auxiliando na redução da incidência de podridões na cultura. Se ocorrerem podridões, elimina-se somente o saco infetado e não o da área de produção;
  • O sistema protege as plantas do efeito da chuva e facilita a ventilação, condições que impedem o estabelecimento de doenças;
  • Como há menor pressão de doenças, o uso de pesticidas pode ser substituído por práticas culturais, uso de agentes de controlo biológico e produtos alternativos. Isto acaba por reduzir o risco de contaminação dos frutos, sem afetar a rentabilidade da produção;
  • Permite a produção de frutas com maior qualidade e menor perda por podridão;
  • O período da colheita pode ser estendido em, pelo menos, dois meses;
  • O sistema facilita a adoção de princípios de segurança dos alimentos, possibilitando a maior aceitação dos produtos pelo consumidor.

Sistema NGS  (New Growing System)

Esta é uma técnica de cultivo hidropónica recirculante com ou sem substrato, especialmente indicada para hortícolas e morangos. Esta técnica permite que os cultivos se desenvolvam num ambiente ótimo, onde recebem água, oxigénio e todos os nutrientes necessários. O sistema de NGS é um sistema de cultivo de alto rendimento e excelente qualidade, independentemente do solo, utilizando água com nutrientes em movimento.

Vantagens do Sistema NGS em relação ao sistema tradicional em solo:

  1. Diminuição do consumo de água, de 70% a 95%;
  2. Diminuição do consumo de fertilizantes em cerca de 50%;
  3. Diminuição do consumo de pesticidas em cerca de 70%;
  4. Reaproveitamento de águas e nutrientes em excesso, diminuindo o desperdício e consequentemente os custos;
  5. Não depende das condições climáticas do local;
  6. Permite ter uma maior densidade de plantas por m², obtendo uma maior produção por m²;
  7. Redução dos custos de mão de obra em 50% em relação ao sistema tradicional;
  8. Não é poluente, porque não existe aplicação de fertilizantes e pesticidas sobre o solo. Assim não existe a possibilidade de contaminação dos lençóis freáticos.
Sistema Semi-hidropónico

Esta técnica é usada para a sustentação de frutíferas, flores e outras culturas, cujo sistema radicular e cuja parte aérea são mais desenvolvidas. Utilizam-se canaletes, sacos ou vasos cheios de material inerte, tal como areia, perlite, lã-de-rocha, turfa e fibra de coco. A solução nutritiva é percolada através desse material e drenada pela planta por um sistema de rega gota a gota. Este sistema é bastante utilizado na Europa por possibilitar a melhor utilização do espaço de cultivo.

DFT ou Floating ou Piscina

Neste sistema, não existem canais de cultivo, mas uma mesa de cultivo onde permanece uma lâmina de solução nutritiva. Daí o nome floating, uma vez que difere dos outros sistemas de hidroponia. Há uma espessa camada com solução nutritiva onde são colocadas as placas de esferovite, deixando correr esta lâmina (4 a 5 cm) o suficiente para o desenvolvimento do sistema radicular, mantendo o substrato húmido e permitindo a absorção dos nutrientes.

A planta é cultivada com placas de esferovite e nessa bandeja encontra-se substrato para sustentação e absorção de nutrientes. O substrato é inerte e a única fonte de nutriente é a solução nutritiva.

No sistema floating, as raízes estão submersas na solução nutritiva e assim permanecem durante todo o período de cultivo. Neste sentido a oxigenação da solução merece especial atenção.

Aeroponia

Esta técnica consiste em manter as plantas suspensas no ar, apoiadas pelo colo das raízes, recebendo diretamente nas raízes pequenas gotículas ou névoa de solução nutritiva, por meio de aspersores, fornecendo o crescimento ideal da cultura vegetal. Os agricultores estão sempre à procura de formas de plantar que ampliem a quantidade de plantas/m2; esta técnica oferece a possibilidade de produção vertical e horizontal, podendo chegar a um aumento de produção 100 por cento maior que no cultivo convencional.

Vantagens

  • Facilidade de oxigenação, já que as raízes ficam expostas ao ar;
  • Redução significativa de pragas e parasitas, por ser um sistema fechado e não ter contato com o solo;
  • Aumento de produtividade;
  • Raízes das plantas desenvolvem-se por completo, já que não há impedimento para o crescimento como no solo;
  • Algumas culturas podem produzir até cinco vezes mais do que no sistema convencional;
  • Ampliação da quantidade de plantas por metro quadrado.

Desvantagens

  • Custo inicial alto, necessitando de uma grande quantidade de capital para investimento;
  • Sistemas para gerar energia em caso de falta, evitando a perda da produção;
  • Mão de obra especializada;
  • Dificuldade de controlo da solução nutritiva.
  • A aeroponia permite que se produza uma grande quantidade de alimentos em pequenos espaços. A tecnologia diferencia este modelo dos outros, permitindo que se consigam altas taxas de lucros. O problema é o custo de implantação e a necessidade de controlo preciso de todo o processo.

Aquaponia

É um sistema de produção de alimentos que combina a aquacultura convencional (criação de organismos aquáticos, tais como peixes, lagostas e camarões) com a hidroponia (cultivo de plantas em água) num ambiente simbiótico.

Na aquacultura comum, as excreções dos animais criados podem acumular-se  na água, aumentando a sua toxicidade. No sistema aquapónico, a água da aquacultura alimenta um sistema hidropónico, onde os subprodutos são quebrados por bactérias nitrificantes em nitritos e, depois, nitratos, que são utilizados pelas plantas como nutrientes.

A água é recirculada e volta ao sistema de aquacultura. Como as técnicas existentes de hidroponia e aquacultura formam a base para qualquer sistema aquapónico, o tamanho, complexidade e tipos de alimentos produzidos num sistema de aquaponia podem variar tanto quanto cada método distinto.

Esta é uma forma de agricultura que combina a criação de peixes e a de hortaliças (hidroponia). Tornou-se popular nos últimos tempos entre os proprietários de hortas e ambientalistas nos Estados Unidos e noutras partes do mundo. Particularmente na Austrália, onde as secas fizeram com que o cultivo aquapónico ficasse ainda mais conhecido, pois requer até 90 por cento menos água do que os métodos convencionais de produção.

Os principais especialistas dos EUA acreditam que a aquaponia está próxima de se tornar um item indispensável.

Fotos: Thinkstock

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