Inspirações

Maio, paixão pelas flores!

Maio é o mês das flores por excelência. Os jardins ornamentam-se de uma panóplia de cores e perfumes. Apaixone-se pela intensidade e beleza das rosas, azereiros, tamargueiras e pela simples flor do muguet!

1- Rosa L. (rosa)

A roseira é uma das plantas mais populares do mundo; desde há mais de 2000 anos que é apreciada pela sua simbologia e pela sua beleza nos jardins. Tem sido um desafio para os botânicos, jardineiros e horticultores a criação de diferentes roseiras. O género Rosa tem cerca de 150 espécies diferentes e milhares de variedades, híbridos e cultivares. São arbustos ou trepadeiras, providos de acúleos, com uma grande diversidade de portes, formas e flores.

Família: Rosaceae

Altura: Até 5 m

Propagação: Por estaca

Época de plantação: Novembro e janeiro

Condições de cultivo e manutenção: São pouco exigentes em clima e solo (com preferência para argilosos). Tem de ser feita uma poda anual quando a roseira estiver no seu estado de dormência. O oídio e a podridão cinzenta são as doenças mais graves.

Curiosidades: A cultivar Rosa a “Bela-Portuguesa” é um arbusto trepador com um crescimento vigoroso e exuberante. Destaca-se pelas flores, com uma dimensão de 15 cm de diâmetro, que se caracterizam pela sua delicada cor rosa com um toque de salmão e um agradável perfume a chá.

Esta rosa foi criada, em 1903, por Henri Cayeux (1869–1963), o jardineiro chefe do Jardim Botânico de Lisboa entre 1892 e 1909. Este jardineiro francês, apaixonado pela botânica, denominou-a “Bela Portuguesa” em homenagem a Portugal, por ser o país que o acolheu bem e pelo seu clima propício ao cultivo de espécies admiráveis. Durante o século passado, esta roseira tornou-se conhecida por todo o mundo. Apesar de hoje em dia ser pouco utilizada em Portugal, é uma roseira comum no Sul da Europa, Califórnia, Nova Zelândia e Índia.

2- Tamarix africana Poir (tamargueira)

Árvore ou arbusto de ramos largos e flexíveis, muito característica de margens fluviais e sapais costeiros do Sudoeste da Europa. Possui folhas alternas escamiformes, com limbo agudo e cor verde-escura. As suas flores, brancas ou rosa-pálido, encontram-se agrupadas em cachos, geralmente nos ramos grossos do ano anterior. Floresce na primavera e no verão. O seu fruto é uma cápsula.

Família: Tamaricaceae

Altura: Até 8 m

Propagação: Sementes ou estaca

Época de plantação: Primavera e outono

Condições de cultivo: Sol, solos húmidos, de preferência siliciosos, próximo de cursos de água, lagos ou lagoas com água doce ou salobra. Prefere climas quentes e tolera ventos marítimos.

Manutenção e curiosidades: Espécie de crescimento rápido que tolera bem a poda. Boa barreira de proteção em jardins junto ao mar. A propagação por semente deve ser feita na primavera; as pequenas plantas devem ser resguardadas no primeiro inverno. As propagações por estaca deve ser feitas com ramos semimaduros, durante os meses de julho e agosto.

3- Prunus lusitanica L. (azereiro)

Árvore ou arbusto de folha persistente, nativa de Portugal, Espanha e Sudoeste de França. O ritidoma de cor escura pode assumir uma textura lisa ou escamosa. As folhas são de cor verde-escura brilhante, na página superior, e verde-amarelada, na página inferior. A forma da folha pode variar de ovada a oblongo-lanceolada (8-13 cm). Os cachos fragrantes podem chegar a ter 100 flores e começam a despontar durante este mês.

Família: Rosaceae

Altura: 3-8 m

Propagação: Estaca

Época de plantação: Primavera e verão

Condições de cultivo: Solos neutros, húmidos, bem drenados, sol direto ou sombra parcial.

Manutenção e curiosidades: Espécie de crescimento lento, de fácil manutenção. O Prunus lusitanica distingue-se do Prunus laurocerasus (louro-cerejo) pelas folhas e pelas inflorescências. O P. laurocerasus (originário da Ásia) possui geralmente folhas maiores, com margem inteira ou ligeiramente serrada e inflorescências que não ultrapassam o comprimento das folhas. Contrariamente ao azereiro, o louro-cerejo é uma espécie de crescimento rápido.

4- Convallaria majalis L. (muguet; lírio-do-vale; lágrimas-de-nossa-senhora)

Herbácea rizomatosa de pequeno porte, nativa da Europa. A sua disposição ereta e leve concavidade facilitam o escoamento da água até às raízes. As folhas são lisas, largas, brilhantes, de forma oval e crescem aos pares. Das suas pequenas, delicadas e perfumadas flores, de cor branca, despontam pendentes em inflorescências eretas.

Família: Asparagaceae

Altura: Até 25 cm

Propagação: Sementes ou divisão de planta.

Época de plantação: Início da primavera e do outono

Condições de cultivo: Clima ameno, situações de meia-sombra. Solo fértil enriquecido com matéria orgânica, irrigado regularmente, mas bem drenado.

Manutenção e curiosidades: A poda das folhas no fim do inverno estimula a renovação da folhagem. Espécie delicada, não aprecia adubações químicas. Diz-se que os celtas festejavam o muguet no primeiro dia do mês de maio.

Em França, Charles IX ( 1550–1574 ) recebeu um raminho de muguet no 1º dia de maio e instituiu o costume de oferecer muguet nessa data às damas da corte. No século XX, a comemoração do muguet em França foi associada à Festa do Trabalho – 1 de Maio, dia do trabalhador – como símbolo de sorte e felicidade. Das suas flores extraem-se essências utilizadas na perfumaria. Na indústria farmacêutica, a planta é utilizada para fabrico de medicamentos para doenças cardiovasculares.

Fotos: Thinkstock e Pedro Arsénio

Com Ana Raquel Cunha

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