Plantas

Murta, o arbusto mais emblemático de Portugal

Ao longo da minha colaboração com a Jardins tenho escrito sobre espécies nativas de Portugal que podem ser utilizadas com sucesso no jardim. Iremos concentrarmo-nos nas que fazem parte do nosso catálogo de sementes de espécies autóctones e que são as mais adaptáveis em termos de solo e simultaneamente mais emblemáticas. Plantas e arbustos da nossa flora que, arriscamo-nos a escrevê-lo, fazem arte do lote de “essenciais” a ter por perto. A murta, Myrtus communis, é a espécie a quem merecidamente damos a honra de abrir a série. Como já tivemos oportunidade de escrever, se o sobreiro é a árvore de Portugal, a murta poderia muito bem ser o arbusto emblemático do nosso País.

Toponímia relacionada com a murta

Trata-se provavelmente da planta que está na origem de mais nomes na toponímia das nossas aldeias e vilas, sendo inúmeras as declinações: Murtal, Murteira, Murtosa, Almortão, povoam o país e provam que desde há muito que não somos indiferentes a este arbusto de folhas aromáticas e flores delicadas que ocorre em todo o País.

É verdade que é comum a toda a bacia do Mediterrâneo e sobre ela existe um extenso património cultural construído ao longo de milhares de anos. Considerada pelos gregos e romanos como símbolo da Paz e do Amor, a murta era uma planta sagrada, dedicada a Afrodite e a Vénus. Ainda hoje a murta faz parte dos bouquets de casamento de muitas noivas um pouco por toda a Europa, e não é por acaso que o de Kate Middleton também tinha uns raminhos de uma murta plantada pela rainha Vitoria em 1845.

Descrição

Arbusto aromático de folha persistente, originário da região mediterrânica e Norte de África. Folhas opostas, verde-escuras na página superior e verde-claras na página inferior, brilhantes e aromáticas. Flores completas aromáticas com floração na primavera. O fruto é uma baga azul-escura.

Propriedades da murta

Além da simbologia, a murta é uma planta que exala um agradável aroma a laranja e possui características que lhe têm conferido múltiplas utilizações, desde medicinal, no tratamento de doenças das vias respiratória e urinária, até ao uso alimentar e condimentar – flores, bagas e folhas, verdes ou secas são incluídas na confeção de diversos pratos e grelhados.

Em diversas regiões, as bagas – denominadas murtinhos – são usadas na fabricação de licores. Noutros países, é cultivada para extração dos óleos essenciais, utilizados na indústria da perfumaria e alimentar. E se ter um arbusto no jardim, nosso e ainda por cima aromático, que remete o nosso  espírito para a paz e o amor, já seria mais do que suficiente para todos a termos por perto e em abundância, acrescentamos mais duas razões: a ornamental e a ecológica. É um arbusto sempre verde que pode ser utilizado em sebes ou isolado, que não exige cuidados de maior (prefere solos pouco ou nada calcários, mas não excessivamente ácidos, bem drenados e sem exposição excessiva ao sol), suporta as geadas e as podas. Do ponto de vista ecológico, as bagas são apreciadas por pequenas aves que lhe agradecem o alimento numa altura em que ele começa precisamente a escassear – o início do inverno.

Cultivo

As nossas sementes de Myrtus communis, colhidas em murtais do centro de Portugal, são uma boa opção para quem pretende começar por uma aposta segura em matéria de flora autóctone. Com uma temperatura a rondar os 16º e luz q.b. pode ser semeada em qualquer altura e a sua germinação é praticamente garantida!

B.I.

Nome científico: Myrtus communis L.

Família: Myrtaceae

Altura: Até 5 m

Propagação: Por estaca.

Época de plantação: Todo o ano

Condições de cultivo: Suporta todo o tipo de solo, mas prefere solos mais secos.

Manutenção e curiosidades: Espécie rústica que não precisa de grandes cuidados de manutenção. Regas regulares nos períodos de maior calor. Podar no inverno ou início da primavera, antes da floração. Aguenta bem poda e topiária.

Fotos: GettyImages

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