Plantas Ornamentais

Orquídeas sempre a florir

Zygopetalum

orquídeas que são difíceis de florir. Necessitam de condições precisas e difíceis para que se sintam estimuladas a despertar as suas florações. Tenho algumas plantas há anos e que nunca ou raramente dão flor. Outras dão hastes florais sucessivas e parece que estão todo o ano em flor. Deixo-vos um exemplo de umas orquídeas que não se cansam de dar flores.

Zigopetalum

Além de serem muito bonitas, com flores de bons tamanhos, bonitas cores com as sépalas e pétalas entre o verde e o castanho, muitas vezes manchadas e o labelo com um forte rosa, cor de vinho, azul ou branco, os Zygopetalum têm também um forte e agradável perfume. Tudo predicados que abonam a seu favor.

Este género é constituído por cerca de 15 espécies todas originárias de países da América do Sul, especialmente do Brasil. Tem crescimento simpodial, a planta é constituída por pseudobolbos de onde crescem folhas plissadas. As flores aparecem na base dos pseudobolbos e cada haste floral pode ter entre 3 a 15 flores que duram mais de um mês.

Zygopetalum Rheim Harlequin “Select”

São plantas fáceis de cultivar. Podem ser colocadas em qualquer tipo de vaso: desde os simples vasos de plástico até aos de barro e cestos. Não são plantas exigentes nesse aspeto. Os seus requisitos são mais no que conta ao substrato e à drenagem do mesmo. São plantas que gostam de estar sempre meio húmidas mas sem que o substrato esteja empapado em água. As raízes precisam de respirar. Muitas vezes crescem até para fora do vaso, onde devem permanecer. Assim, o substrato deverá reter alguma humidade mas tendo um bom arejamento e drenagem. Usam-se materiais como casca de pinheiro média (2-3cm), fibra de coco grossa e podemos juntar um pouco de perlite ou musgo de esfagno. Quando esses materiais ficam muito decompostos, com o passar do tempo, é altura de serem substituídos por novos.

Os Zygopetalum são orquídeas que não têm período de repouso. A planta ou está a florir ou a desenvolver novos pseudobolbos e folhas. No inverno, com o frio, esse desenvolvimento é mais lento. As temperaturas ideais para cultivar estas orquídeas variam entre os 14 e os 28 graus centígrados. Cultivo os meus durante todo o ano num terraço, na zona de Benfica, onde obtenho variações de temperatura entre os 5 e os 40 graus. É claro que as plantas estão protegidas da chuva, do sol direto durante as horas de maior calor e estão num local bem arejado.

Zygopetalum híbrido

Se conseguir simular estas condições, experimente cultivá-los no exterior. Senão pode tê-los em casa, junto a uma janela sem sol direto, é o ideal. Não coloque a planta no exterior agora, espere pela primavera, quando as temperaturas começam a subir e assim a planta tem bastante tempo para, lentamente, se adaptar às variações de temperatura e ao local de cultivo.
No meu caso, o resultado são florações constantes, umas atrás das outras.

O sucesso que tenho obtido com um ou outro Zygopetalum que tenho no exterior levou-me a comprar outras variedades e híbridos para experimentar se todos se comportam da mesma maneira ou se alguns serão mais sensíveis do que outros às condições que tenho no meu terraço. Vamos ver como passam o inverno.

Propetalum

Entretanto na minha procura de diferentes Zygopetalum vi pela primeira vez à venda na exposição de Dresden (Alemanha) um Propetalum de cores diferentes dos Zygopetalum. Notava-se à primeira vista que seria um familiar ou cruzamento com Zygopetalum. Trouxe um exemplar com uma haste floral que abriu já cá em casa. Lindo, com a forma característica dos Zygopetalum mas com cores entre o amarelo, laranja com laivos avermelhados e muito pintalgado. Investigando, descobri que os Propetalum são híbridos intergenéricos, resultando do cruzamento de Zygopetalum com Promenea. Li também que gostavam de temperaturas temperadas a frias e logo, ideais para o exterior no meu jardim. Coloquei-o num cesto no jardim, perto do local dos seus primos Zygopetalum e cinco meses após a compra, deu uma segunda haste floral com duas flores que estão abertas neste momento.

Fotos: José Santos

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