Jardins

Como planear um jardim

Conceber ou construir um jardim é ter o privilégio de pintar um quadro vivo. O mais apaixonante é o facto de nunca se ver a obra terminada, é projetar para o futuro. Para desenhar um espaço corretamente deve ter a noção da distribuição das zonas, que tipo de utilização vai ter e que plantas poderá colocar em cada situação diferente.

O que deve saber sobre o local

Área disponível e desenho do espaço

Deve medir com precisão o espaço que tem disponível, se possível a uma escala fácil de reproduzir num papel só. Mesmo que não seja à escala, tente fazer um esquema pois vai ajudar a arrumar as ideias.

Relevo e topografia

O que vamos colocar num espaço plano é diferente do que vamos escolher para um espaço inclinado. As possibilidades que a topografia nos dá devem ser aproveitadas. Não encare uma topografia “difícil” como um problema mas sim como um desafio.

Ventos dominantes

Há muitas plantas que não são resistentes ao vento e outras que estando habituadas à presença do vento nas suas condições de origem aguentam e desenvolvem-se sem problemas.

Presença de ar do mar

Este é um fator limitante quando se planeia um espaço pois a chamada salsugem (ar do mar carregado de sal) pode ser fatal para grande número de plantas.

Horas de sol disponíveis

Deve saber quantas horas de sol tem disponíveis nas várias zonas para fazer a escolha certa das plantas. Para se orientar pode considerar a seguinte classificação das plantas em relação à necessidade de horas de sol:

Sol – Plantas que necessitam de mais de 6 horas de sol por dia.

Meia sombra – Plantas que necessitam de 4-6 horas de sol por dia.

Sombra – Plantas que necessitam de pelo menos 3 horas de sol por dia.

Sombra densa – Plantas que necessitam entre 0-2 horas de sol por dia.

Tipo de solo

As plantas chamadas rústicas são as que têm a capacidade de se adaptar em grande parte das situações. No entanto, há outras que são muito exigentes em termos de estrutura de pH do solo. Saber que tipo de solo tem é meio caminho andado para o sucesso do seu jardim. Plantas como as hortenses, azáleas, urzes, gardénias e camélias gostam de solos mais ácidos.

O que pretende do seu jardim

O mais importante é saber quem e como vai utilizar o jardim e quais são as suas expectativas para o espaço que tem. Deve também ter em mente que tipo ou estilo de jardim prefere. Clássico, mediterrânico (com a presença de oliveiras e ciprestes, pérgulas e buganvílias), romântico (muito ao estilo Inglês ou francês com plantas aromáticas e rosas, arbustos topiados, etc), minimalista (espaços mais abertos, com apontamentos de cor, presença de bambus e gravilha), etc., são alguns estilos comuns. No caso de possuir no terreno árvores de grande porte e em boas condições fitossanitárias, estas são sempre de manter pois vão tornar-se numa mais-valia, uma vez que uma árvore demora, na maior parte dos casos, muitos anos até atingir o porte adulto.

Um jardim para ser um sucesso em termos de utilização tem de estar muito adaptado aos hábitos, necessidades e gostos das pessoas que o utilizam. Só dessa forma irão usufruir em pleno do espaço. Também deve ter em atenção se o jardim é utilizado durante todo o ano ou apenas sazonalmente. Neste segundo caso deve-se ter o cuidado de escolher plantas cujo auge da floração seja a época de maior utilização deste espaço.

Manutenção

Quando planeia, tenha sempre em atenção o tipo de manutenção que vai estar disposto a dar ao seu jardim ou que vai ter de contratar. Adapte as suas soluções à manutenção real que vai ter, tenha sempre a certeza que nenhum jardim sobrevive sem manutenção.

Infraestruturas importantes para manutenção e utilização

Quanto a mim há dois tipos de infraestruturas muito importantes num jardim e que podem por um lado facilitar a sua manutenção e maximizar a sua utilização, a rega e a iluminação.

Rega

Um sistema de rega automática ou semiautomática reduz grande parte das horas de manutenção no verão, uma vez que a rega nos dias mais quentes consome muitas horas de trabalho. Se for um sistema gota-a-gota consegue ainda poupar água.

Iluminação

Se tiver disponibilidade, faça um investimento na iluminação do jardim. O ideal é pensá-la em conjunto com a construção ou implementação do jardim para minimizar o custo dos trabalhos de passagem de cabos, instalação elétrica, etc.  Ter um jardim iluminado significa utilizá-lo o dobro. Muitas vezes os jardins ainda são mais agradáveis à noite.

Elementos construídos

O jardim não vive só de elementos vegetais, podendo estar equipado com uma série de elementos construídos que facilite e promova a sua utilização de formas variadas e por todos. Um jardim precisa de ter percursos em pavimento seco que sejam fácil e confortavelmente utilizáveis, de zonas de sombra onde seja agradável estar nos dias de mais calor, zonas de estar, de refeições, de brincar se houver crianças, de contemplação, elementos de água (lagos, piscinas, tanques, etc.), mobiliário e decoração que tornem o espaço mais agradável, versátil e de fácil utilização.

Elementos vegetais

Os elementos vegetais, quer sejam árvores, arbustos, herbáceas, palmeira, plantas suculentas ou gramíneas, podem ser utilizados das mais variadas formas criando diferentes efeitos. Desde árvores isoladas, arbustos isolados, arbustos em maciços ou sebes, manchas de herbáceas de cor, trepadeiras, hortas, jardins de aromas e relvados a prados. Ao escolher a vegetação deve ter sempre em conta que o mais acertado é escolher “a planta certa para o local certo”, quer seja em exigências de horas de sol/luz, exigências de solo ou disponibilidade de espaço.

Fotos: Teresa Chambel

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