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Tempo de reenvasar orquídeas

Foto: Sarangib/Pixabay

A primavera é a estação para reenvasar orquídeas – a maioria delas.

A mudança de vaso e a substituição do substrato pode ser stressante para a planta e deverá ser feito com algum cuidado. Consoante o tipo de orquídea, devemos saber escolher o melhor vaso, o substrato e a melhor altura para reenvasar. Aqui deixo algumas sugestões sobre este importante processo para a planta.

Posso reenvasar?

Esta é a pergunta mais comum quando compramos uma planta nova. Se não estamos no pico do inverno, sim, pode fazer o reenvasamento. Mas aguarde um momento. A planta que comprou tem flores? Se sim, não reenvase já, espere até que a planta termine a floração; se for mexer na planta, estando ela florida, ela, com certeza, vai perder as flores rapidamente e só vai voltar a florir daqui a alguns meses. Não há necessidade de perder essa floração.

Quando reenvasar?

Coelogyne cristata em cesto suspenso.

a) Se é uma planta adquirida recentemente, deverá mudar-lhe o substrato assim que esta terminar a fl oração. Aconselho a fazê-lo porque muitos produtores usam substratos que são ideais para o cultivo em estufas industriais, com temperatura e rega otimizadas mas que nas nossas casas podem levar à morte da planta. De vez em quando encontram-se plantas cultivadas só em musgo, ou só em perlite ou com um núcleo de lã de rocha. Esses materiais são bastante absorventes e mantêm-se húmidos durante muito tempo nas nossas casas podemos, com regas mais frequentes, apodrecer as raízes e matar a planta. Assim, é conveniente, após a floração, mudar o substrato para a mistura que cada um usa e que seja mais adequada. Neste caso, até podemos não mudar para um vaso maior visto só estarmos a mudar de substrato.

b) Se é uma planta que já está connosco há algum tempo, os reenvasamentos fazem-se a cada dois anos, em média, ou quando o vaso começa a estar bastante cheio. Aí devemos trocar o vaso por outro ligeiramente mais largo (uns dois centímetros ou dois dedos) mas evitando mudar para um vaso demasiado grande. As orquídeas gostam e dão mais flores se estiverem apertadas no vaso de cultivo. Se mudarmos para um vaso muito grande, a planta não morre por esse motivo, mas pode levar um ou dois anos até se sentir à vontade para florir de novo.

Que tipos de vasos podemos usar?

É um pouco ao gosto de cada um, mas há orquídeas que podem beneficiar de um tipo de vaso específico. Por exemplo, as Phalaenopsis beneficiam se receberem luz nas raízes e aí usamos normalmente vasos de plástico transparente. Além de não serem muito grandes, os vasos para outras orquídeas podem também ser de plástico opaco, barro, cestos de fibra ou de ripas de madeira, todos com a sua função.

Para as orquídeas que precisem de um pouco mais de humidade, usam-se os vasos de plástico; para as espécies que preferem meios mais secos ou que sequem rapidamente, temos os vasos de barro, que é poroso, transpira, e muitas vezes têm ainda buracos de drenagem no«fundo e nos lados.

Para as orquídeas que tenham hastes florais pendentes, como muitas Coelogyne ou Gongora, ou que as flores apareçam em baixo, junto às raízes, como as Stanhopea ou algumas Dracula, usam-se preferencialmente os cestos suspensos.

Que substrato se deve usar?

Colocação de novo substrato.

Convém primeiro que tudo conhecer a planta, o seu habitat e o modo de crescimento. A mistura base para orquídeas deve ter materiais que lhe permitam alguma drenagem e também retenção de água sem ensopar as raízes. Existem misturas já preparadas no mercado ou podemos fazer a nossa própria mistura. Casca de pinheiro, leca e fibra de coco são  os materiais base para uma mistura de orquídeas. Há quem use só casca de pinheiro e quem lhe junte também pedaços de carvão ou musgo de esfagno e perlite, para as orquídeas que gostam de estar sempre húmidas, ou ainda cortiça triturada, para uma maior drenagem. Tudo depende das plantas que queremos cultivar.

Posso dividir a minha orquídea?

Sim, se esta tiver tamanho suficiente. Em plantas com pseudobolbos, dividimos a planta de modo a que fiquem sempre grupos de, pelo menos, três pseudobolbos juntos. Assim, a planta terá sempre suficientes reservas para se estabelecer, crescer e voltar a florir. Não retire um só pseudobolbo, pois, mesmo com raiz, será difícil ou no mínimo muito demorado até esse bolbo produzir uma floração. Atenção que os pseudobolbos que pareçam estar secos podem estar de boa saúde. Se estiverem duros, são para manter na planta e só se retiram se«estiverem moles e apodrecidos. Os pseudobolbos são todos valiosos pois são reservas de água e alimento para a planta.

Como reenvasar orquídeas?

Reenvasamento e limpeza das raízes.

 

Retira-se a planta do vaso e tiramos o máximo possível do substrato velho sem danificar as raízes da planta. Se esta tiver algumas raízes velhas ou apodrecidas, devem ser retiradas. Aproveitamos para limpar a plantar. Tirar folhas secas ou danificadas ou pseudobolbos que possam estar podres. Depois da planta limpa, coloca-se um pouco de leca no fundo do vaso, seguido de um pouco de substrato e depois a planta. Se a planta tiver uma zona com novos rebentos, escolhemos essa parte da planta mais nova para o centro do vaso, encostando a parte mais velha da planta à lateral do vaso. Se o crescimento for uniforme, centramos a planta no vaso para ter espaço a toda a sua volta para crescer. Depois da planta posicionada, volta-se a encher o vaso com substrato e faz-se uma primeira rega abundante.

DICA: Após o reenvasamento, use na água da rega um fortificante para orquídeas para otimizar a planta e o seu cultivo.

 

Fotos: José Santos

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