Viagens

Uma viagem pela natureza do Panamá e da Costa Rica

Sobralia.

Seguindo pelos trilhos sombreados pelas copas das árvores centenárias, o nosso guia explica-nos o que é e como funciona uma floresta. Olhamos e constatamos que é verdade, à nossa volta, trava-se uma luta pela sobrevivência. Pela luz, pelo alimento e pela vida. Ficamos em silêncio como se estivéssemos numa catedral em que os troncos são colunas de pedra e a luz penetra por entre as folhas como se fosse por um vitral. A beleza é impressionante. É o paraíso das plantas epífitas. Os troncos e ramos são verdes, cobertos de musgos, líquenes, fetos, cogumelos, bromélias e… maravilha das maravilhas… orquídeas!

Esta foi uma das mais marcantes viagens que fiz até hoje. Foi uma viagem pelo Panamá e pela Costa Rica, dois países cuja maior riqueza é a sua biodiversidade.

Gamboa Rainforest Resort, Panamá.

Panamá

Panamá, a capital, com o mesmo nome que o país, pode dizer-se que tem três cidades. A antiga, Panamá La Vieja, fundada em 1519, hoje em ruínas mas que foi um importante centro de operações para a conquista da América do Sul; a cidade colonial, com bonitos edifícios e outros a serem recuperados; e a cidade moderna com os seus arranha-céus deslumbrantes mas com um povo que parece não se encaixar naquela modernidade.

Também nós não procurávamos modernidade e seguimos para o Valle de Antón, um vale fértil com 18 Km2 numa cratera de um vulcão extinto. Os contornos dos seus 600m de altura lembram a silhueta de uma donzela adormecida. O microclima existente neste lugar dá-lhe o nome de “o lugar da eterna primavera”, ideal para explorar a flora local na companhia de borboletas, tucanos e beijaflores e ao som das cascatas de água cristalina. Visitámos também o Centro de Orquídeas APROVACA, dedicado à proteção de cerca de 150 espécies de orquídeas daquela zona. Entre elas está a Peristeria elata, flor símbolo do Panamá, conhecida como a Orquídea-do-Espírito-Santo pela forma do seu labelo, que parece uma pomba branca.

Chegámos ao hotel à noite e quando de manhã fomos à varanda dos nossos quartos ficámos deslumbrados. O Gamboa rainforest resort está à beira de um rio, rodeado de floresta. Assistimos ao nascer do sol, com o canto das aves e as capivaras a tomarem os primeiros banhos matinais. Esse amanhecer e uma chuva tropical que caiu mais tarde ficarão na minha memória pela sua rara beleza. O resto da viagem contemplou uma visita às represas e ao canal do Panamá, o motor económico do país e uma obra extraordinária que aconselho a ser admirada no museu da sua construção.

Flor de Maracujá.

Costa Rica

Quanto à Costa Rica, digamos que a capital, S. José, não é das cidades mais bonitas que visitei mas vale a pena pelo centro histórico onde se encontra o lindo Teatro Nacional e o Museo del Oro Pre-Colombiano. Ali perto, em Cartago, visitámos o Jardim Botânico Lankester, que tem uma coleção das orquídeas mais impressionantes do mundo. Este jardim foi criado pelo naturalista e orquidólogo Charles H. Lankester que em 1940 veio para a Costa rica para estudar e cultivar as plantas epífitas do país. Após a sua morte, o jardim passou para a Universidade da Costa rica. Hoje, é um centro de investigação que protege mais de 800 espécies de orquídeas, bromélias e outras plantas.

Seguiram-se o Jardim Botânico La Catalina, o Volcán Poas, o Parque La Paz Waterfall Gardens e por fim, no sopé do vulcão arenal, chegámos ao Resort Arenal Springs. Ficámos numa “aldeia” de bungalows, rodeados por um jardim tropical de helicónias, bromélias, orquídeas e hibiscos. Na primeira noite, um Tatu brincava no relvado. Durante o dia, observávamos as visitas dos colibris às flores que nos rodeavam.

Micro-orquídea num ramo de um bonsai.

Depois de recarregadas as baterias no resort, fomos para a Reserva Biológica da Floresta Húmida de Monteverde. Esta é uma reserva privada, fundada em 1970 e composta por 10500 hectares de selva tropical, sendo 90% bosque virgem, e conhecida mundialmente pela sua diversidade biológica. Atravessar as pontes suspensas por cima da floresta deixou de ser uma experiência aterradora, como estava à espera, pois fiquei totalmente absorto no que podia desfrutar daquela maneira. Estávamos ao nível das copas das árvores e aí podíamos observar e aprender como vivem realmente as plantas epífitas. Podia ler 100 livros sobre orquídeas que não aprendia tanto sobre elas como aprendi ali, observando-as no seu habitat natural. Uma experiência extraordinária.

Num dos últimos dias da viagem, visitámos o Jardín de Orquídeas – Monteverde Orchid Garden, onde nos davam à entrada uma lupa. Só percebi a sua utilidade quando vi a enorme coleção de micro-orquídeas existente ali. Só mesmo uma lupa para ajudar a admirar os detalhes das mais pequenas flores de orquídeas que vi até hoje, sem dúvida, pequenas joias da natureza.

O Panamá e a Costa rica ficam para sempre num cantinho do meu coração.

Fotos: José Santos

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