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Vietname: um jardim de fruteiras

Cheguei ao Vietname em pleno Tet, o primeiro mês lunar do calendário chinês (por eles seguido). Uma ocasião das festas mais importantes do ano Vietnamita. Nesta época, as ruas de Hanoi, Hoi an, Hue, Ho Chi Minh e Can Tho, por onde passei, enchem-se de flores, com destaque para o crisântemo amarelo, e grandes cartazes encarnados com letras a amarelo, dizendo Happy New Lunar Year contribuem para um ambiente festivo.

Contexto sócio-cultural

Com a existência de apenas um partido, o regime político é considerado comunista. No entanto já não há vestígios do habitual cinzentismo e constrangimento que se verificam noutros países com o mesmo modelo.

A escolaridade e a saúde não são gratuitas, e é admitida a propriedade privada. As pessoas, embora pobres, parecem felizes e contentes e a economia cresce a 6% ao ano. Depois de 1000 anos de domínio Chinês; cerca de 150 anos de ocupação Francesa de parte do território; a invasão Japonesa durante a segunda Guerra; e, finalmente, a Guerra do Vietname contra os EUA e as suas terríveis consequências, o povo Vietnamita está, a viver um período de paz, e, por isso, ainda não chegou àquele ponto em que a necessidade de total liberdade de expressão e a aspiração à democracia levam ao protesto e à revolta. Talvez venha a acontecer daqui a duas gerações, quando os dramas da guerra e do violento pós-guerra já não fizerem parte da memória dos vivos.

As famosas fruteiras

Além do peso da história deste povo, o Vietname tem muitos encantos. À chegada ao país, o primeiro impacto que se tem é o da beleza natural da paisagem. Esta atinge o seu expoente máximo na Baía de Halong, nos arrozais de Sapa e no espectáculo do Delta do mekong –, e a riqueza da flora encontrada.

As condições climáticas e a abundância de água fazem com que o Vietname seja um autêntico espetáculo de fartura vegetal. Nunca vi noutros mercados orientais, que conheço bem, uma tal quantidade e variedade de frutos e legumes.

Suponho que as dificuldades de vários anos de guerra levaram este povo engenhoso e inteligente a não desperdiçar toda esta abundância que o mundo vegetal lhe oferece.

Por exemplo, na Flor-de-Lotus (Nelumbo nucifera), flor, folhas e raízes, tudo é transformado em deliciosos pratos ou bebidas. Experimentei (e trouxe) um excelente “chá verde”, que não é chá, mas sim uma infusão das folhas secas do Lotus.

A variedade de frutas entontece-nos a vista e o paladar. Jackfruit (Artocarpus heterophylla), carambola (Averrhoa carambola), Carica papaya, bananeira (da Musa species pequenas e deliciosas), coqueiros, e uma interessante palmácea, a Ravenala madagascarensis, manga, rambutan, etc. Estas e outras são presença constante dos terrenos adjacentes às casas mais modestas. A sua utilização é infinita (crua, cozinhada, em sumo) e a sua exposição ao cliente de uma surpreendente sofisticação.

No Delta do Mekong, centenas de barcos vendem toda a espécie de frutos e legumes, provindos do interior. Os barcos fazem de casa dos seus proprietários durante 2 ou 3 dias, até esgotarem a mercadoria e regressarem à base para reabastecimento. Menos agradável à vista que o mercado de Bangkok, é muito mais autêntico e ainda não contaminado para ao turista ver.

Os campos de arroz são muito verdes e bem organizados. Produzem três colheitas por ano tornando o Vietname o segundo maior exportador de arroz do mundo.

Este país é um jardim de fruteiras. Em qualquer superfície de terreno não ocupado, há um verdadeiro festival de plantas, que, além de não necessitarem de cuidados de manutenção, embelezam e põem na mesa todos os vegetais necessários para acompanhar uma igual abundância de peixe.

Fotos: Vera Nobre da Costa

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