Revista Jardins

A murta

Tem propriedades anti-inflamatórias e é benéfica para o sistema digestivo e para a pele.

A murta (Myrtus communis) é uma planta arbustiva da família das Mirtáceas, nativa de uma grande área que vai da Europa do sul ao norte de África, das ilhas da Macaronésia ao Médio Oriente e mesmo até à Índia. Pertence à mesma família dos eucaliptos e é a única mirtácea nativa da Europa. Com forte simbolismo desde a Antiguidade, associada a diversas divindades do panteão grego e romano, também representou um papel importante na cultura judaica. A partir do Renascimento, tornou-se associada também aos bouquets das noivas, representando o amor, sendo usada ainda hoje para esse fim. Utilizada para o fabrico de licores e de geleias, também apresenta bastantes propriedades medicinais e, dada a sua rusticidade, o interesse por esta espécie tem vindo a renascer.

Cultivo e colheita

A murta é uma planta muito rústica em Portugal, bela com as suas flores aromáticas e que produz pequenos frutos azuis no fim do outono. Surge muitas vezes associada a estratos arbóreos de pinheiros-bravos, carvalhos ou sobreiros, estando ausente do centro e norte interiores, mais frios e chuvosos. Num quintal, podemos cultivá-la de duas formas, em sebe, muito atraente pelas suas folhas e pela floração abundante, ou isoladamente, podando-a para obtermos a forma desejada. A murta é um arbusto muito ramificado, que se presta também a topiária e que aceita bem as podas. Não gosta de geadas, nem de solos encharcados, dando-se bem, pelo contrário, em vários tipos de solos, mesmo que sejam pobres, desde que drenem bem a água, mesmo em zonas com verões secos e longos.

A colheita é geralmente feita durante o outono, estendendo-se por vezes pelos primeiros tempos do inverno. Os pequenos frutos podem ser usados para diversos fins ou deixados para as aves que têm mais falta de comida durante estas estações.

Manutenção

Esta é uma planta que requer pouca manutenção. Sendo usada num jardim como sebe ou isoladamente, tem a vantagem de os seus frutos serem apreciados pelas aves e outra fauna e requerer baixa manutenção, sendo muito resistente às condições climáticas portuguesas, atraindo também insetos. Sendo muito ramificados, os arbustos também podem servir para os pássaros fazerem ninho. Apenas algumas regas são necessárias nos meses mais quentes nos primeiros anos da plantação, para ajudar à sua fixação e, mais tarde, para as plantas não perderem o viço. Quanto às podas, que podem ser feitas no inverno ou início da primavera, antes da floração, servem para eliminar ramos secos e doentes e para controlar o crescimento da planta, estimulando ao mesmo tempo a floração. As adubações podem ser espaçadas; a murta é pouco exigente em matéria orgânica. Pode fazer-se uma adubação aquando da plantação, com composto ou estrume muito bem curtido no fundo da cova, que irá ajudar a planta no seu desenvolvimento futuro.

Pragas e doenças

A murta é uma planta nativa em Portugal e, como tal, muito rústica às condições climáticas e também a pragas e doenças. Contudo, é muito sensível ao encharcamento e à podridão da raiz, pelo que devemos ter cuidado com as regas excessivas. Algumas pragas que podem afetá-las, como acontece com outras mirtáceas, são as cochonilhas e os ácaros.

Propriedades e usos

Os frutos das murtas chamam-se murtinhos ou mastruços, são comestíveis ao natural, embora apresentem um sabor amargo e resinoso. Consomem-se melhor sob a forma de compota ou transformados em licores. As folhas podem ser usadas como condimento nalguns pratos. A madeira, apesar das pequenas dimensões dos troncos, é apreciada e utilizada no fabrico de utensílios e de partes de móveis; é, portanto, uma madeira nobre. Além disto, a murta tem propriedades medicinais, sendo usada como anti-inflamatório, tendo também propriedades benéficas para o sistema digestivo e para a pele, entre outros atributos. Óleos essenciais são extraídos da planta para serem usados em perfumaria e noutras aplicações industriais.

Exit mobile version