Revista Jardins

As uvas

As vinhas são muito cultivadas no nosso país, com muitas castas viníferas e especificidades regionais, que criam um património de vinho bastante rico.

Tendo a sua origem na bacia no Mediterrâneo, Médio Oriente e Europa do Sul e Central, a videira cultivada em Portugal (Vitis vinifera) é uma das plantas de fruto em cultivo há mais tempo, relatos desse cultivo já vêm em textos sumérios, hebraicos, etruscos ou da Grécia Antiga. Os seus frutos, além de consumidos ao natural ou secos, servem para o fabrico de vinho, uma das mais antigas bebidas alcoólicas consumidas pelos humanos. Como tal, esta videira expandiu-se das suas regiões de origem para zonas temperadas de todo o mundo, como algumas zonas da África do Sul, a Argentina e o Chile, a Austrália e a Nova Zelândia, a Califórnia, nos EUA, e outras zonas propícias sobretudo na costa oeste do país.

Outras espécies de videiras são a videira americana (Vitis labrusca), utilizada como porta-enxerto para a videira comum em Portugal, e a videira muscadínea (Vitis rotundifolia), com frutos redondos, mais apropriada para cultivo em climas subtropicais e tropicais e pouco usada para vinho, mas sim para consumo ao natural e fabrico de sumos. Os maiores produtores de uvas a nível mundial são a China, a Itália, os EUA, a França e a Espanha. Portugal surge em vigésimo lugar de entre os países produtores.

Cultivo e colheita

As vinhas são muito cultivadas no nosso País, com muitas castas viníferas e especificidades regionais, que criam um património de vinho bastante rico. A vinha cultiva-se na maior parte do País, exceto nas regiões altas mais frias. Alguns dos vinhos mais famosos são o vinho do Porto, o moscatel de Setúbal, os vinhos da Bairrada, o vinho de Carcavelos, o vinho de Bucelas, o vinho da Madeira ou o vinho do Pico. As videiras são cultivadas enxertadas sobre porta-enxertos de videira americana, para serem mais resistentes à filoxera e a outras pragas.

As colheitas têm lugar no final do verão nas zonas mais a sul e, no outono, nas restantes regiões e implicam grande mobilização de mão-de-obra, com grandes tradicionais culturais. A vindima é a maior festa da agricultura em Portugal. Boa parte da colheita segue para os lagares para transformação futura em vinho; outras castas são mais apropriadas para consumo à mesa. Como aqui falamos da pequena plantação para consumo próprio, falaremos apenas de variedades de uvas de mesa. Em Portugal, algumas das mais significativas são a ‘Cardinal’, a ‘Vitória’, a ‘Red Globe’, a ‘Itália’ e a ‘Dona Maria’.

É possível adquirir pés destas videiras certificados em hortos, centros de jardinagem e lojas de venda de produtos para a agricultura.

Manutenção

O cultivo das vinhas é bastante trabalhoso, pois não só são bastante sensíveis a pragas e doenças, como necessitam de um acompanhamento próximo para se obterem bons resultados. Logo após o cultivo, nos primeiros anos poderão necessitar de regas, sobretudo nos meses mais secos, enquanto estabelecem as suas longas raízes. Outro aspeto a ter em conta é a condução das videiras, geralmente com recurso a postes de madeira, de cimento ou de xisto, e fios de arame.

As podas para as videiras são de extrema importância e não podem faltar, seja aquando da implantação e para a formação da planta, mas também para a frutificação ou renovação da planta. Outras operações são a empa, a desponta, o desladroamento ou a desfolha. É realmente uma cultura que implica dedicação, pelo que devemos pensar antecipadamente no número de pés de videira que queremos plantar e no tempo que temos para eles.

O controlo de infestantes também é importante para dar espaço à vinha e arejamento aos cachos e as regas, mais comuns nos primeiros anos da planta, tornam-se menos usuais, ficando muito reduzidos nos períodos de calor excessivo ou seca que podem afetar a videira. Atenção que água em excesso afeta consideravelmente a qualidade das uvas.

Pragas e doenças

Sendo a vinha bastante sensível a pragas e doenças, a prevenção e o tratamento inicial são essenciais. Uma das doenças que historicamente mais afetou a videira europeia foi a filoxera. A filoxera é um pequeno inseto que foi inadvertidamente transportado da América do Norte para a Europa, destruindo muitas vinhas históricas a partir de 1863. A Portugal terá chegado cerca de dois anos depois, espalhando uma destruição enorme nas vinhas do Douro e chegando rapidamente ao resto do País. Vários métodos de controlo foram tentados sem êxito, e a forma de contornar o problema foi enxertar as castas europeias em pés de videiras americanas, já naturalmente com resistências à filoxera. Em solos de areia, como na região de Colares, vinhas europeias antigas continuam a prosperar, pois nesses solos a filoxera não prolifera.

Outras doenças que afetam a vinha são o oídio, o míldio, a podridão cinzenta (que nalguns casos é útil para a obtenção de vinhos de colheita tardia, de maior teor alcoólico), doenças víricas e bacterianas, mas também uma série de pragas, como a traça-da-uva, o aranhiço-vermelho, a erinose, e a esca. A prevenção com produtos à base de cobre e outros é sempre a melhor opção.

Propriedades e usos

As uvas são um fruto muito apreciado ao natural, mas também são consumidas secas, sob a forma de passas ou transformadas em sumos e refrigerantes, estes últimos pouco saudáveis. São frutos ricos em açúcar, sobretudo quando secas, pelo que isso deve ser tido em conta por quem tem algumas condições que afetam a sua saúde. As uvas são ricas em potássio e em ferro, mas também a nível vitamínico, com boa percentagem de vitamina K e de vitaminas do complexo B, além de outras em menores quantidades, como a vitamina C e E. São frutos ricos em antioxidantes, que ajudam a prevenir problemas cardíacos, melhoram o funcionamento do sistema digestivo e ajudam a prevenir problemas de visão. Atenção que são tóxicas para os cães, podendo causar graves problemas de saúde ou mesmo a morte do animal!

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