
Entre o canto delicado e o brilho das plumagens, cresce o fascínio por aves ornamentais e exóticas em jardins, varandas e quintas. O encanto, porém, só floresce com bases bem definidas: espaço seguro e arejado, higiene rigorosa, alimentação equilibrada e estímulos que respeitem cada espécie. A partir da experiência prática na Quinta da Palmeira, este guia defende começar pelo essencial para que a beleza das aves se traduza em bem-estar duradouro e sucesso na criação.
Nos dias de hoje, assiste-se a uma maior procura de animais de companhia não convencionais. O tradicional cão ou gato já não são as únicas opções: os animais exóticos, nomeadamente as aves, estão cada vez mais presentes. Se também está interessado em saber o essencial para começar a criar aves ornamentais e exóticas, este é o momento ideal.
Nalgumas casas europeias ou americanas, uma tendência em crescimento é a de ter galinhas de raças anãs, como a serama ou a sedosa-do-japão. Seja dentro de casa, num jardim, numa quinta ou até numa varanda, existe uma enorme variedade de aves que se adequam a cada espaço. O colorido das penas, os sons característicos e o comportamento fascinante destes animais dão vida a qualquer ambiente, criando uma ligação única com a Natureza. Para que a experiência seja positiva, é, no entanto, essencial garantir logo de início condições adequadas de alojamento, higiene e bem-estar.
Pela minha experiência na Quinta da Palmeira, no Algarve, onde me dedico à criação e conservação de aves ornamentais e exóticas, aprendi que o sucesso começa sempre nos cuidados básicos. A boa notícia é que muitos deles são simples de aplicar, mesmo para quem nunca teve contacto com aves.
Espaço e alojamento
Um dos primeiros pontos a considerar é o espaço disponível. As aves precisam de locais onde possam movimentar-se livremente, apanhar sol e sentirem-se seguras. A espécie e o tamanho das aves determinam o tipo de espaço a escolher. O ideal é que exista sempre uma área abrigada da chuva e do vento, com poleiros ou zonas elevadas para descanso, e um espaço aberto para explorar.
A segurança é outro ponto fundamental: muitas vezes esquecemo-nos dos predadores, mas cães, gatos ou até raposas podem representar uma ameaça. Um bom fecho, rede resistente e algum cuidado extra evitam dissabores.
Higiene e saúde
A higiene é um dos pilares do bem-estar. Um espaço limpo, arejado, mas sem correntes de ar, ajuda a prevenir doenças e reduzir o stresse.
Comedouros e bebedouros devem ser lavados com frequência, e o chão mantido seco, evitando acumulação de fezes e restos de comida. Outro cuidado importante é evitar o contacto com aves selvagens, como pardais e rolas-turcas, que podem transmitir doenças e consumir a ração. Redes com malha fina ajudam a manter os espaços protegidos.
A observação diária das aves é fundamental para identificar precocemente sinais de doença, como alterações no comportamento, falta de apetite ou plumagem arrepiada.
Alimentação equilibrada
Tal como connosco, a alimentação é um dos pilares da saúde. As aves ornamentais e exóticas beneficiam de uma dieta variada, que vá além do alimento básico. Misturas de sementes de qualidade, frutas, verduras e até insetos (dependendo da espécie) fazem toda a diferença.
Na minha quinta, por exemplo, costumo fornecer às galinhas, pavões e perus restos de vegetais da cozinha. Também planto couves para garantir folhas verdes em épocas de menor vegetação. No caso dos psitacídeos, o ideal é fornecer fruta variada como complemento, sempre em pequenas quantidades e com equilíbrio.
Bem-estar e estímulos
As aves não precisam apenas de comer e dormir: precisam de estímulos. Um simples ramo natural colocado no viveiro pode servir como poleiro e brinquedo. Elementos que imitam o ambiente natural tornam os animais mais ativos e reduzem comportamentos de stresse.
A convivência também conta. Algumas espécies gostam de estar em grupo, outras são mais territoriais. Por isso, é importante informar-se antes de juntar diferentes aves no mesmo espaço.
Começar pelo essencial
Muitos iniciantes ambicionam, numa fase inicial, ter espécies raras ou muito exigentes. No entanto, a minha sugestão é começar pelo essencial: criar boas condições gerais, ganhar experiência com espécies mais rústicas e só depois avançar para aves mais delicadas. É um caminho gradual, que evita frustrações e garante maior sucesso.
As aves ornamentais e exóticas podem ser criadas associadas a um jardim com plantas, tornando o espaço mais natural e bonito. É, no entanto, fundamental ter atenção às espécies de plantas e às aves escolhidas, garantindo compatibilidade e segurança.
No próximo artigo, vamos aprofundar um dos pontos que mais dúvidas gera entre os criadores iniciantes: a alimentação. Vou partilhar dicas práticas sobre dietas equilibradas e exemplos simples que podem ser replicados por qualquer leitor.
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