Vinda de Tóquio a caminho de Lisboa tinha uma paragem de seis horas no Dubai entre dois aviões, o que me levou a fugir do aeroporto e a visitar o Dubai Magical Garden, um dos poucos pontos turísticos do emirato que ainda não conhecia.
O Jardim Mágico é um daqueles exageros tão estimados do emirato a par com o edifício mais alto do mundo, Burj Khalifa, o Hatta Sign, o Dubai Frame, as ilhas artificiais Palm 1 e 2, etc.
Os 50 milhões de flores e 250 milhões de plantas utilizadas deram-lhe mais uma entrada imediata para o Guinness. O jardim foi inaugurado em 2013 com a pompa e circunstância habituais naquela parte do mundo e custou 11.000.000 USD (à época), cobrindo mais de 72.000 m2 de área.
Tive a sorte de conseguir visitá-lo em novembro, um mês relativamente aprazível, dado que a temperatura máxima nesse dia não excedeu os 34 graus. Nos meses de maio a setembro, o jardim encontra-se fechado porque as pobres plantas, mesmo bem regadas, não aguentam temperaturas superiores a 40 graus, e os visitantes também não.
São os 757.082 litros de rega em gota a gota diários que mantêm o impecável aspeto do jardim, aliados a uma imediata substituição de qualquer fenecimento. Ali, não se olha ao dinheiro.
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As formas gigantes
Logo à entrada fiquei meio estonteada com as duas cabeças de cavalo gigantes em topiária que parecem guardar o parque e com um túnel em forma de coração que convida às fotos de namorados. À medida que avançamos pelo jardim, damo-nos conta de que o gigantismo está presente em toda a parte. Elefantes gigantes, ursos gigantes, pinguins gigantes, um palácio tipo Cinderela e até uma réplica de um avião Airbus A380 da companhia de aviação Emirates, tudo está coberto de flores, fazendo esquecer que estamos no deserto. O efeito é surreal.
A variedade de flores utilizadas
Numa análise mais detalhada, verificamos que a explosão floral só é possível porque a variedade de plantas utilizadas não é muita, limitando-se a petúnias (brancas, cor-de-rosa, cor de laranja e vermelhas), malmequeres e uma estranha variante de girassóis pequenos designada Helianthus paradoxus. São tudo flores que toleram bem o sol e calor intensos.
A falta de variedade das plantas é compensada pelas inúmeras formas utilizadas. Na realidade, parece um parque temático povoado de figuras cobertas de flores. Em 2018, um contrato com a Disney levou a que o Mickey, a Minnie, o Pluto e companheiros marcassem presença, mas, desta vez, apenas vi dezenas dos belgas Smurfs, de Pierre Culliford, omnipresentes em réplicas de plástico.
E há água em lagos, em pequenas cascatas ou saindo em repuxo da tromba de elefantes em plástico a emprestar um pouco de frescura ao calor abrasador do deserto.
O meu avião tinha aterrado às 8h, por isso cheguei ao Jardim Mágico à hora da abertura. Ainda estava uma temperatura tolerável e muito pouca gente. Com o avançar da manhã, o parque foi-se enchendo de turistas, de pares de namorados, de famílias com crianças, sendo visível o encantamento de todos, atarefados a fotografarem-se com aquele cenário em fundo.
O merchandising abunda com um Smurf Shop em destaque, mas também barraquinhas de gelados, bebidas e snacks, permitindo uma estadia de várias horas, já que há inúmeros bancos e mesas com cadeiras onde se pode estacionar.
Depois de uma hora e meia a deambular pelo jardim, exausta do calor, declarei-me vencida e fui comer um gelado numa esplanada em frente. Acho que foi o primeiro e único jardim que me derrotou.
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