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6 plantas com cor no inverno

 
Mesmo quando o frio abranda o ritmo da paisagem e a luz parece esmorecer demasiado cedo, há um pulsar secreto que nunca abandona o jardim. Entre ramos nus e silêncios luminosos, erguem-se pequenas joias coloridas — bagas que desafiam a estação. Elas lembram-nos que a Natureza, mesmo em repouso, continua a escrever promessas de primavera. Neste artigo, descubra 6 plantas com cor no inverno para trazer vida ao seu espaço exterior durante os meses frios.  

As árvores despem-se, os arbustos retraem-se, e a paleta das cores torna-se tímida — dominada por tons frios e suaves contrastes. É precisamente nessa quietude que algumas plantas se revelam: as espécies que produzem bagas trazem vida e calor à paisagem. Além disso, recordam-nos que a Natureza nunca cessa o seu ciclo, apenas muda o ritmo. Nesta edição trago algumas plantas que nesta época nos brindam com bagas coloridas. Elas transportam consigo a promessa luminosa de uma primavera florida. 

Azuis que iluminam o frio 

Plantas com bagas azuladas 

Murta — Myrtus communis 

 
Inequivocamente, começo pela minha favorita: a murta. Trata-se dum arbusto perene, de crescimento espontâneo na nossa flora. Embora se desenvolva lentamente, pode atingir até quatro metros de altura. Muito aromática, esta espécie, originária da região mediterrânica e do norte de África, destaca-se no inverno pelas suas folhas verde-escuras. Além disso, destaca-se pelo brilho das suas bagas azul-arroxeadas. 
É uma planta rústica e de baixa manutenção, adaptada ao nosso clima e de grande valor ornamental. Além da sua beleza, a murta tem um papel importante no nosso património cultural: as suas folhas e bagas são utilizadas na produção de licores (licor de murtinho), doces e até em bouquets de noiva. 
Tolera bem as podas de formação, e o seu fruto, uma pequena baga aromática e comestível, continua a ser apreciado tanto pela sua utilização culinária como pelo simbolismo que carrega — o da pureza e da fertilidade. 

Viburnumspp. 

As bagas azul-metálicas do folhado não deixam ninguém indiferente. Basta um olhar mais atento para perceber a frequência com que o Viburnum tinus surge na nossa paisagem. Este é visto em jardins, parques ou mesmo na mata. As suas pequenas drupas, com cerca de 7-8 milímetros, são simultaneamente cativantes e discretamente perigosas. O seu brilho nacarado contrasta com a sua toxicidade. 
Esta espécie autóctone do sul da Europa e do norte de África é um arbusto extremamente resistente, que pode atingir cerca de 3 m de altura. De folha persistente e porte compacto, adapta-se bem a diversas condições, sendo uma excelente escolha para sebes ou maciços arbustivos. 
As flores, pequenas e delicadas, variam entre o branco e o rosa-claro e surgem em abundância no final do inverno e início da primavera. Assim, oferecem um toque de leveza antes da chegada plena da nova estação. A sua rusticidade e beleza discreta fazem do Viburnum tinus uma presença constante e valiosa nos jardins mediterrânicos. 

Encarnados  que aquecem o jardim 

Plantas com bagas laranja/encarnadas 

Pyracantha coccínea 

 
A piracanta — ou piricanta, como tantas vezes se ouve em contexto de jardinagem — é um dos arbustos de folha persistente que mais se destaca na paisagem à medida que as temperaturas descem no outono. Os seus ramos cobrem-se de densos cachos de bagas laranja e vermelhas, que se mantêm durante meses. Estes frutos conferem ao jardim tonalidades quentes e vibrantes nos dias mais frios. 
Este arbusto, que pode atingir 3-5 m de altura, apresenta folhas alternas e flores brancas e perfumadas na primavera. É uma espécie muito resistente, que prefere locais soalheiros ou de meia-sombra e que se adapta bem a diferentes tipos de solo, desde que bem drenados. 
A piracanta é especialmente apreciada para a formação de sebes, graças ao seu crescimento denso e aos ramos espinhosos. Por isso, presta-se à criação de maciços arbustivos com baixa manutenção, sendo uma escolha versátil ao longo de todo o ano. 

Cotoneaster coriaceus 

 
Embora seja originário do sudoeste da China, o Cotoneaster coriaceus pode ser encontrado em estado silvestre nalgumas regiões de Portugal continental. É um arbusto de folha persistente que pode atingir até 4 m de altura, formando uma copa densa e arredondada — ideal para sebes informais ou para cultivo isolado. 
As folhas, verde-escuras na página superior e de tom glauco na inferior, mantêm-se discretas durante grande parte do ano. Porém, no outono e inverno dão lugar a pequenos frutos em forma de pera, que se destacam pela cor encarnada vibrante e pela sua grande persistência. 
Trata-se de uma espécie rústica, que prefere solos bem drenados e prospera tanto a pleno sol como em sombra parcial. Portanto, é uma escolha fiável e decorativa para jardins de baixa manutenção. 

Ruscus aculeatus 


Nativa da Europa e do norte de África, a gilbardeira foi tradicionalmente utilizada em Portugal como decoração de Natal, sendo por isso considerada uma espécie protegida. Trata-se dum pequeno arbusto perene, de folhas verde-escuras e rígidas, que pode atingir entre 30 centímetros e um metro de altura. 
Os seus frutos são bagas de um vermelho vivo e brilhante — tóxicas para o ser humano, mas de grande valor ornamental — que surgem no verão e persistem até ao inverno. A floração, por sua vez, ocorre discretamente durante os meses frios. Este fenómeno contrasta com o vigor das bagas que iluminam a vegetação circundante. 
É mais uma espécie ligada ao nosso património cultural, principalmente porque os seus ramos rígidos eram tradicionalmente aproveitados em artesanato. Entre as utilizações, destaca-se a confeção de vassouras. 

Ilex aquifolium 


Vulgarmente conhecido como azevinho, o Ilex aquifolium é um arbusto de folha persistente de crescimento muito lento. As folhas, verde-escuras ou bicolores, contrastam com as suas bagas vermelhas brilhantes, que surgem no final do verão e se mantêm até ao inverno. 
Estes frutos, tóxicos, aparecem apenas nos exemplares femininos, uma vez que a espécie é dioica. As pequenas flores brancas surgem discretamente na primavera, dando início ao ciclo reprodutivo da planta. 
Espontâneo em Portugal continental, o azevinho é uma espécie protegida, pelo que qualquer colheita é proibida. 

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