Pennisetum: bonitas no jardim, um problema na Natureza

penisetum

Ajude a travar a expansão das gramíneas invasoras!

Leves, elegantes e fáceis de cultivar, as gramíneas ornamentais conquistaram um lugar de destaque em muitos jardins. Mas nem todas são uma boa escolha. Entre elas estão duas espécies que estão a expandir-se rapidamente em Portugal, com claro comportamento invasor, e que merecem a nossa atenção: o penisetum (Pennisetum setaceum) e as plumas-de-seda (Pennisetum villosum). Há ainda uma terceira (Pennisetum clandestinum), mais discreta, parecida com relva, mas igualmente invasora.

Propagação em Portugal

À primeira vista parecem inofensivas. As suas espigas sedosas dão movimento ao jardim e exigem poucos cuidados. O problema começa quando as sementes são levadas pelo vento para fora dos jardins. Rapidamente estas plantas instalam-se em bermas de estradas, taludes, terrenos abandonados e habitats naturais, onde competem com a vegetação nativa e alteram os ecossistemas. Na zona Sul do país e na zona da Grande Lisboa (para dar alguns exemplos), na margem das estradas, a sua proliferação já é demasiado evidente – basta estar alerta!

Em várias regiões do mundo, estas espécies são reconhecidas como invasoras muito disseminadas e difíceis de controlar. Em Portugal, ainda estamos a tempo de evitar que a situação se agrave, pelo menos em algumas regiões — mas isso depende da colaboração, rápida e ativa, de todos!

Pennisetum setaceum
Pennisetum setaceum
Pennisetum villosum
Pennisetum villosum

O que fazer se tiver Pennisetum no jardim?

Se tem uma destas espécies de Pennisetum no seu jardim, considere substituí-las por outras gramíneas ornamentais ou por espécies autóctones que ofereçam o mesmo valor estético sem colocar a biodiversidade em risco. Logo, quando as remover, faça-o antes da produção de sementes, evitando que continuem a espalhar-se.

Também pode ajudar a impedir que estas espécies ganhem terreno fora dos jardins. Se encontrar populações em espaços públicos, taludes, bermas de estradas ou outros locais onde estejam a escapar ao cultivo, informe as entidades responsáveis pela gestão dessa área de território (Câmara Municipal? Junta de Freguesia? Escolas? Vizinhos? Podem ser muitos…) e incentive à sua remoção. E há outra forma, igualmente importante, de contribuir: ajudar a mapear a sua distribuição. Sempre que encontrar Pennisetum setaceum, Pennisetum villosum ou Pennisetum clandestinum, fotografe as plantas e registe a observação na aplicação iNaturalist, idealmente, associando-se ao projeto Invasoras.pt. Cada observação permite conhecer melhor a distribuição destas espécies, detetar novas invasões e apoiar decisões de gestão antes que seja demasiado tarde.

Muitas das plantas invasoras começaram por ser espécies ornamentais apreciadas nos jardins. Contudo, temos agora a oportunidade de evitar que a história se repita. Uma fotografia, um registo ou a substituição de uma planta podem parecer pequenos gestos, mas fazem uma grande diferença para proteger a nossa biodiversidade.

Mais informações

Para mais informações sobre estas plantas invasoras, consulte:

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Plantas invasoras em Portugal

Fotografias cedidas por Invasoras.pt