Árvores pós-tempestade: Avaliar e intervir para reduzir o risco

Após uma tempestade, cada árvore conta uma história no seu tronco, ramos e raízes.

As tempestades cada vez mais frequentes deixam as árvores fragilizadas e potencialmente perigosas. Saber identificar os sinais nas árvores pós-tempestade é essencial para evitar acidentes. A avaliação rigorosa da sua estabilidade é essencial para prevenir ruturas, quedas e danos em pessoas e bens. Entender como o vento, a chuva e a condição estrutural da árvore interagem é fundamental para uma gestão segura e responsável. Afinal, analisar árvores pós-tempestade é imprescindível para quem cuida do espaço exterior. 

Como o vento e a chuva afetam a estabilidade das árvores 

O inverno é, por natureza, uma estação marcada por ventos fortes e precipitação abundante. Contudo, nos últimos anos, a ocorrência de fenómenos climáticos extremos tornou-se mais recorrente. Basta recordar alguns dos mais recentes: depressão Cláudia (novembro 2025), tempestade Gabrielle (outubro 2025), tempestade Martinho (março 2025), tempestade Hermínia (janeiro 2025), depressão Oscar (junho 2023), furacão Lorenzo (outubro 2019) ou furacão Leslie (outubro 2018). Entre os maiores desafios está a gestão de árvores pós-tempestade. 

Durante estes episódios, as árvores ficam particularmente sensíveis. A chuva provoca o encharcamento do solo e aumenta significativamente o peso das folhas, resultando num acréscimo de carga sobre raminhos, ramos, tronco e, finalmente, sobre as raízes. Se algum destes elementos apresentar comprometimentos — como fraturas antigas ou podridões internas —, a probabilidade de queda parcial ou total da árvore aumenta de forma considerável. 

No caso do vento, os princípios são semelhantes. Os ventos fortes exercem forças transversais sobre a copa, transmitidas depois ao tronco e ao sistema radicular. A presença de folhagem persistente agrava o impacto, uma vez que as folhas funcionam como barreiras à passagem do vento, aumentando a carga estrutural. Quando este fator se junta a solos saturados de água, o risco de queda eleva-se drasticamente. Nesses casos, é fundamental considerar a avaliação das árvores pós-tempestade. 

Sinais de alerta a observar após tempestades intensas 

A avaliação pormenorizada do estado de uma árvore após episódios meteorológicos severos assume grande importância. Existem indicadores que não devem ser ignorados, entre os quais: 

  • Ramas ou ramos quebrados, torcidos ou parcialmente pendentes;
  • Fendas no tronco, cavidades internas ou lesões externas provocadas pelo impacto do vento;
  • Zonas de podridão visível ou suspeita;
  • Inclinação recente do exemplar;
  • Solo levantado ou fissuras circulares à volta da base;
  • Rutura parcial de raízes superficiais.

Estes elementos fornecem pistas essenciais para determinar se a árvore mantém estabilidade ou se representa risco iminente. 

Intervenções possíveis: podas, cablagem ou abate 

Com base nesta avaliação, podem ser recomendadas diferentes ações. Em muitos casos, intervenções de poda seletiva bastam para aliviar cargas ou eliminar ramos perigosos. Em situações que exijam reforço estrutural, pode ser instalada cablagem para estabilizar copas ou ramos frágeis. Nos cenários mais críticos — quando a integridade do tronco ou do sistema radicular está gravemente comprometida —, o abate pode ser a única solução para garantir segurança. Portanto, todas estas decisões devem ser tomadas com especial atenção às árvores pós-tempestade.

Importa destacar que esta é uma área altamente especializada. Sempre que existam dúvidas sobre a estabilidade de uma árvore, a avaliação de risco deve ser realizada por técnicos qualificados, com conhecimento profundo de biomecânica vegetal e diagnóstico arborícola. 

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