O impacto da saúde das plantas no nosso quotidiano

Fomos conhecer Paula Cruz Garcia, subdiretora-geral da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). 

Ainda que passem despercebidas, as plantas estão interligadas à nossa vida quotidiana. Seja como matéria-prima, alimento, purificador de ar ou tantas outras funções, a presença delas é essencial à sobrevivência e estilo de vida humanos, influenciando a segurança alimentar, a economia e o ambiente. Assim, garantir a sanidade das plantas significa proteger a saúde humana. Esta ligação é a base da campanha da União Europeia Plant Health 4 Life, tal como nos explica Paula Garcia, subdiretora-geral da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). 

Como é que a saúde das plantas influencia a nossa vida quotidiana e a economia? 

A saúde das plantas tem um papel fundamental no dia a dia e na economia de qualquer país. Plantas saudáveis garantem a produção de alimentos de qualidade, o que afeta diretamente a nossa alimentação, a segurança alimentar e o bem-estar das populações. Além disso, influenciam a disponibilidade de matérias-primas para diversos sectores, como a indústria farmacêutica, têxtil e madeireira. 

Economicamente, culturas agrícolas saudáveis contribuem para a estabilidade dos preços dos alimentos, a geração de emprego e o desenvolvimento das zonas rurais. Por outro lado, plantas doentes ou afetadas por pragas podem causar quebras de produção, aumento dos custos de controlo e perdas financeiras significativas, com impacto em toda a cadeia de valor, desde o produtor ao consumidor final, além do impacto negativo na biodiversidade e no ambiente. 

Assim, investir na saúde das plantas é essencial para promover o desenvolvimento sustentável, garantir a segurança alimentar e proteger a economia nacional e global. 

No futuro, as plantas estarão mais suscetíveis a pragas e doenças? 

No futuro, prevê-se que as plantas estejam, de facto, mais sujeitas a pragas e doenças. Esta tendência está relacionada principalmente com as alterações climáticas, o aumento das trocas comerciais globais e a intensificação dos sistemas agrícolas. As mudanças nas temperaturas, nos padrões de precipitação e na humidade criam condições favoráveis à proliferação de novas pragas e doenças, bem como à expansão geográfica de espécies já existentes e da alteração dos seus padrões de comportamento, tornando-se mais difíceis de controlar. Além disso, a globalização facilita o transporte não intencional de pragas e doenças entre diferentes regiões do mundo. 

As projeções indicam que, caso não sejam implementadas medidas eficazes de prevenção, monitorização e controlo, o risco de surtos de pragas e doenças e a intensidade dos ataques poderão aumentar significativamente, pondo em causa a produção agrícola e florestal, a segurança alimentar e a biodiversidade. Por isso, é fundamental investir em investigação, inovação e práticas agrícolas sustentáveis para proteger a saúde das plantas no futuro. 

Considera que estamos numa situação de segurança alimentar? 

A situação de “segurança alimentar” e a segurança dos alimentos têm registado progressos significativos ao longo dos anos, com a implementação de normas rigorosas e o compromisso de garantir alimentos seguros e de qualidade à população. No entanto, ainda existem desafios importantes a superar. Fatores como as alterações climáticas, o aparecimento de novas pragas e doenças nas plantas bem como a dependência de importações para determinados produtos agrícolas podem comprometer a estabilidade do abastecimento alimentar. Além disso, a acessibilidade e a equidade no acesso aos alimentos diversos, em quantidade e saudáveis, continuam a ser questões relevantes.  

Embora se tenham alcançado importantes avanços no nosso país, ainda há caminho a percorrer para um aumento da autossuficiência, sobretudo para os produtos de maior consumo, aliada a uma prática agrícola sustentável nas suas diversas vertentes: económica, social e ambiental. Por conseguinte, manter e reforçar o compromisso com a inovação, a formação dos agricultores e a adoção de tecnologias que promovam a resiliência do sector agrícola revelam-se essenciais para consolidar a segurança alimentar e responder com eficácia aos desafios emergentes, assegurando que a população tem acesso contínuo a alimentos de qualidade e que o desenvolvimento rural se faz de forma coesa, sem comprometer os recursos naturais. 

Quais são os desafios mais urgentes a resolver? 

Os desafios mais urgentes a resolver envolvem a adaptação da agricultura às alterações climáticas, o controlo eficaz de pragas e doenças emergentes nas plantas, e a redução da dependência de importações de produtos agrícolas. A proteção fitossanitária das culturas revela-se com um dos grandes desafios, pela enorme pressão de pragas e doenças que atualmente preocupam os nossos agricultores, coincidente com uma política europeia cada vez mais exigente em matéria de uso de pesticidas, o que obriga a um maior investimento e conhecimento, para o controlo fitossanitário.  Assim, atuar na prevenção, evitando a entrada, o estabelecimento e a dispersão de novas pragas e doenças é fundamental para a salvaguarda da produção agrícola e do ambiente.  

Considera que os alimentos consumidos em Portugal são de qualidade e saudáveis? 

Os alimentos consumidos em Portugal cumprem elevados padrões de qualidade e segurança e são considerados saudáveis, graças à implementação de normas rigorosas, ao compromisso dos nossos agricultores na aplicação de boas práticas agrícolas e aos elevados cuidados da nossa agroindústria. 

O sistema de controlo oficial dos alimentos, quer para o Homem quer para os animais, é implementado a nível europeu e nacional incide na sua produção e ao longo da cadeia agroalimentar, mas também sobre os produtos importados de países terceiros.  

A DGAV, enquanto autoridade sanitária veterinária, fitossanitária e responsável pelo sistema de gestão de segurança dos alimentos, desenvolve vários planos de controlo, realizando anualmente vistorias, inspeções e colhendo largos milhares de amostras para um muito alargado conjunto de géneros alimentícios e alimentos para animais. Igualmente, em todos os aeroportos e portos marítimos nacionais, nos Postos de Controlo de Fronteira, os inspetores da DGAV realizam os controlos aos produtos importados, procurando assegurar que os mesmos cumpram os altos padrões de segurança e de qualidade estabelecidos na legislação da União Europeia 

Além disso, são executados diversos programas de vigilância fitossanitária e de saúde animal em todo o território.  

Quais os objetivos da campanha #PlantHealth4Life? 

A campanha #PlantHealth4Life destina-se principalmente aos viajantes, aos jardineiros ou as pessoas que têm pequenas hortas e jardins e aos mais jovens, que, enquanto geração futura, possam melhor entender a importância da saúde das plantas num conceito integrado de “Uma Só Saúde”.  

Entre as metas da campanha destaca-se a mobilização da comunidade para a relevância da saúde das plantas, elemento essencial para garantir a segurança alimentar, proteger o ambiente e promover o bem-estar humano. 

Esta sensibilização torna-se ainda mais relevante num contexto globalizado, onde o aumento do trânsito de bens e pessoas eleva o risco de introdução de agentes patogénicos prejudiciais às culturas e ecossistemas.  

Em termos práticos, qualquer pessoa pode contribuir adotando medidas simples no seu dia a dia, como evitar trazer plantas, sementes ou produtos vegetais de viagens internacionais sem controlo fitossanitário, participar em campanhas locais de vigilância e monitorização de pragas ou reportar às autoridades competentes a presença de sintomas suspeitos nas plantas. Adicionalmente, o envolvimento em atividades de educação ambiental e a partilha de conhecimento sobre boas práticas agrícolas são formas eficazes de fortalecer a rede de proteção fitossanitária, tornando mais robusta a resposta coletiva a novas ameaças. 

Assim, a campanha #PlantHealth4Life apela à responsabilidade individual e coletiva, mostrando que proteger as plantas é um compromisso de todos e uma condição indispensável para um futuro sustentável. 

Que conselhos daria a jardineiros e hortelões, amadores ou profissionais?  

Para jardineiros, sejam amadores ou profissionais, recomendamos cuidado na altura de adquirem ou trocarem sementes ou plantas. É por vezes tentador cultivar espécies ou variedades diferentes, recorrendo-se à compra online ou importação. É importante que se verifique se o produtor desses materiais é um operador económico devidamente licenciado para a atividade de produção de sementes ou plantas, garantindo-se assim que esse material é sujeito aos necessários controlos de qualidade e fitossanitários. A aquisição de sementes ou plantas sem esses necessários controlos constitui um risco potencial, podendo originar a introdução de vírus, bactérias, fungos, fitoplasmas ou insetos nefastos para as culturas. Os jardineiros têm também um papel importante na deteção precoce de problemas fitossanitários que devem ser reportados à DGAV.  

Gostou deste artigo?
Então leia a nossa Revista, subscreva o canal da Jardins no Youtube, e siga-nos no FacebookInstagram e Pinterest.
 Além disso, continue atento ao nosso site para saber mais sobre árvores pós-tempestade.