
Há um momento que todos os que cultivam tomate esperam
Quem cultiva tomate sabe que a recompensa não chega de um dia para o outro. São semanas de regas, tutoragem, fertilização, poda dos ladrões e atenção constante a doenças como o oídio. Mas chega finalmente o momento em que a planta retribui todos esses cuidados. Logo, os primeiros tomates maduros começam a surgir. Depois vêm mais. E, de repente, há tantos que já não chegam as saladas para os consumir. É nessa altura que nasce um dos pratos mais emblemáticos da cozinha portuguesa: o arroz de tomate. Simples, reconfortante e profundamente ligado ao sabor do tomate acabado de colher.
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O segredo do arroz de tomate começa muito antes da panela
A qualidade deste prato depende quase totalmente da qualidade do tomate. Logo, quanto mais maduro estiver, mais doce, aromático e rico será o molho que envolve o arroz. Ao contrário do que acontece numa salada, aqui até os tomates ligeiramente moles ou muito maduros são bem-vindos. Desde que estejam saudáveis, são precisamente esses frutos que oferecem o sabor mais intenso. É também uma excelente forma de evitar desperdício alimentar durante a época de maior produção.
Que tomates utilizar?
Nem todas as variedades produzem o mesmo resultado. Os tomates de polpa carnuda, como o Coração-de-Boi ou algumas variedades tradicionais portuguesas, libertam menos água e oferecem um sabor mais concentrado. Por outro lado, os tomates redondos maduros também funcionam muito bem. Já os tomates-cereja podem ser utilizados para uma versão mais doce e aromática. Por isso, o importante é privilegiar sempre tomates amadurecidos naturalmente na planta.
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Vale a pena retirar a pele?
Depende da textura que pretende. Se utilizar tomates muito maduros e fizer previamente um pequeno escaldão, consegue retirar facilmente a pele e obter um molho mais homogéneo. No entanto, se triturar o tomate depois de cozinhado, pode utilizá-lo praticamente inteiro. A pele concentra fibras e alguns compostos antioxidantes, pelo que também pode fazer parte da receita.

Ingredientes
- 300 g de arroz carolino
- 700 g de tomates maduros
- 1 cebola grande
- 2 dentes de alho
- 3 colheres de sopa de azeite
- 1 folha de louro
- 1 raminho de tomilho fresco
- 1 colher de sopa de polpa de tomate (opcional, apenas se os tomates tiverem pouco pigmento)
- Cerca de 900 ml de caldo de legumes quente ou água
- Sal q.b.
- Pimenta-preta q.b.
- Salsa fresca para servir
Preparação
Retire o pedúnculo aos tomates e faça um golpe em cruz na base.
Escalde-os durante cerca de um minuto em água a ferver e passe-os imediatamente para água fria. Retire a pele, elimine a parte mais dura junto ao pedúnculo e corte-os em pedaços.
Pique finamente a cebola e os dentes de alho.
Aqueça o azeite num tacho e refogue a cebola lentamente até ficar translúcida.Junte o alho, o louro e o tomilho fresco.
Acrescente o tomate e deixe cozinhar durante cerca de 15 minutos, mexendo ocasionalmente, até obter um molho espesso e muito aromático.
Se necessário, adicione a polpa de tomate.
Junte o arroz e envolva-o bem no molho durante um minuto.
Acrescente o caldo de legumes quente aos poucos, mexendo ocasionalmente.
Cozinhe durante cerca de 15 minutos, ajustando a quantidade de líquido conforme prefira um arroz mais malandrinho ou mais seco.
Retifique os temperos.
Sirva imediatamente, polvilhado com salsa fresca acabada de picar.
O tomilho faz toda a diferença no arroz de tomate
Embora a receita tradicional utilize sobretudo salsa, algumas folhas de tomilho fresco acompanham particularmente bem a acidez natural do tomate. Assim, se cultivar ervas aromáticas em casa, experimente acrescentá-las apenas nos últimos minutos de confeção. O aroma será mais delicado e preservará toda a sua frescura.
O que fazer quando há tomates em excesso?
A abundância faz parte da alegria de cultivar tomate, mas também pode representar um desafio. Nesse sentido, quando a produção ultrapassa aquilo que consegue consumir fresco, existem várias formas de aproveitar a colheita e prolongar o sabor do verão durante muitos meses:
- Tomate seco.
- Compota de tomate.
- Molhos caseiros.
- Polpa congelada.
- Arroz de tomate.
Perguntas frequentes
O arroz carolino é a escolha mais tradicional, porque absorve muito bem o molho e mantém uma textura cremosa.
Pode, mas sempre que possível utilize tomates frescos e maduros. O sabor será bastante mais intenso.
Pode, embora a textura do arroz se altere ligeiramente após a descongelação.
Sim. Se o tomate estiver bem maduro e for triturado durante a confeção, a pele praticamente desaparece.
É um excelente acompanhamento para peixe grelhado, pataniscas, filetes, ovos escalfados ou simplesmente servido como prato principal vegetariano.
Se chegou aqui pela receita, vale a pena conhecer tudo o que pode fazer com este fruto tão generoso. Porque as melhores receitas começam sempre muito antes da cozinha: começam na horta.