Descoberta nova espécie de planta endémica nas arribas do Tejo, em Almada


Linaria almadensis. Fotografia: João Farminhão / Flora-On

A identificação de uma nova espécie de planta endémica nas arribas do Tejo, em Almada, representa um contributo significativo para o conhecimento da flora portuguesa. A descoberta, feita pelo botânico João Farminhão, diz respeito a uma planta herbácea agora designada Linaria almadensis, que ocorre exclusivamente num troço muito restrito de escarpas calcárias voltadas para o estuário do Tejo. Embora tenha sido recolhida pela primeira vez em 1843, só recentemente foi reconhecida como uma espécie distinta, no âmbito de uma revisão taxonómica.

A nova espécie foi formalmente descrita num artigo científico publicado na revista internacional Botany Letters, no qual são sublinhados a sua distribuição extremamente limitada e o elevado risco de extinção. De acordo com o artigo, a planta ocorre exclusivamente em encostas íngremes e paredes arenosas associadas a substratos carbonatados das arribas do Tejo, um habitat altamente especializado e sujeito a forte pressão ambiental.

Linaria almadensis é uma planta herbácea anual da família Plantaginaceae. O seu isolamento ecológico contribuiu para que permanecesse ignorada como espécie distinta durante mais de um século. Ao longo do tempo, exemplares recolhidos desde o século XIX foram sucessivamente atribuídos a outras espécies do género Linaria.

Segundo o autor da descoberta, apenas uma revisão detalhada de material de herbário, complementada por observações de campo recentes, permitiu reconhecer que se tratava de um táxon autónomo, com características morfológicas próprias. Entre os traços distintivos identificados destacam-se a forma das folhas, a coloração das flores e a estrutura do esporão.

O artigo alerta que a espécie apresenta uma área de ocupação extremamente reduzida e que a população conhecida é composta por um número muito limitado de indivíduos maduros. Estas circunstâncias levaram à sua classificação como criticamente ameaçada, sendo a sobrevivência da espécie condicionada pela instabilidade natural das arribas, pela presença de espécies invasoras e pela pressão urbana envolvente.

A descoberta de Linaria almadensis reforça a importância botânica das arribas do Tejo, um território frequentemente valorizado pela paisagem, mas ainda insuficientemente conhecido do ponto de vista científico. Segundo o artigo, esta descoberta demonstra que mesmo em regiões densamente povoadas persistem lacunas significativas no conhecimento da biodiversidade local.

O texto defende a necessidade de medidas urgentes de conservação, sublinhando que a preservação desta nova espécie depende diretamente da proteção do seu habitat natural. A descoberta agora divulgada constitui assim um contributo importante para o conhecimento da flora portuguesa e um alerta para a fragilidade dos ecossistemas ribeirinhos do estuário do Tejo.

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