
Entre estufas e corredores cheios, cruzaramse tendências de biodiversidade, uma vaga mediterrânica irresistível e novas soluções para garden centers. Iberflora 2025 confirma a força do sector verde ibérico.
Realizada nos passados dias 14 a 16 de outubro, na Feria Valencia, a 54.ª edição atraiu mais de 13.000 visitas profissionais, com cerca de 350 expositores e presença de mais de 400 marcas. O evento ocorreu num contexto de crescimento da internacionalização (18% de presença internacional). Estes indicadores ajudam a explicar a pulsação comercial sentida ao longo de toda a feira.
Biodiversidade em foco: design que alimenta a vida
Se há palavra que atravessou a feira foi biodiversidade. A neerlandesa Elho apresentou um ecossistema completo para jardins mais vivos: hotéis de insetos, comedouros e abrigos para aves, além de vasos e floreiras em plástico 100% reciclado.
As novas coleções Facet e Gradient — de linhas facetadas e paletas cromáticas graduais — mostram como o design contemporâneo pode dialogar com a Natureza. Acrescentam textura e cor sem perder a função.
Em sintonia, múltiplos expositores trouxeram soluções amigas do ambiente, desde misturas de sementes para polinizadores a substratos amigos da água. A saúde vegetal também brilhou com tecnologias discretas e eficazes para pragas que afetam paisagens urbanas e turísticas, como o escaravelho-das-palmeiras e a processionária-das-coníferas. A mensagem foi clara: sustentabilidade e sanidade caminham juntas — e o consumidor já reconhece o valor desta dupla.

O império mediterrânico: oliveiras, citrinos e suculentas
A identidade mediterrânica da Iberflora esteve por todo o lado. Oliveiras — incluindo exemplares centenários —, citrinos de grande qualidade e variedade e figueiras atraíram atenções. Produções espanholas de referência como Vivercid, Coplant (cooperativa de produtores da Galiza), Viveros Elche, Viveros March (especialistas em oliveiras notáveis), Viveros Joaquín Giner, Proval (fruteiras), Planta Nova (palmeiras e exóticas) e Beniplant (citrinos) evidenciaram escala, consistência e diversidade.
Do lado italiano, a Piante Faro reafirmou a autoridade no fornecimento de espécies mediterrânicas e exóticas. Além disso, a Lemon Garden sublinhou a excelência dos citrinos italianos disponíveis em Portugal via Flora Toscana.
Entre os produtores portugueses, os corredores encheramse de orgulho: Viplant, Planta Livre, Monterosa, Citrina e Godinho levaram a melhor produção nacional, trepadeiras floridas, arbustos e herbáceas diversas, citrinos ornamentais, uma grande oferta que responde com inteligência às alterações climáticas. Além disso, os vasos e floreiras para todo o tipo de projetos e ambientes são cada vez mais a aposta nacional.
Variedade que inspira: flores de corte, fruteiras e hortícolas
A feira não viveu só de perenes e arbóreas. As flores de corte e os arranjos florais trouxeram a sua teatralidade habitual em palcos e demonstrações que lembraram que a floricultura é irmã da jardinagem. Para a horta e o pomar, os visitantes encontraram fruteiras e hortícolas vigorosas. Incluíram curiosidades botânicas como o wasabi (Eutrema japonicum), num aceno à gastronomia contemporânea e à agricultura de nicho.

Vasos e materiais: estética, circularidade e performance
No segmento da decoração, a edição 2025 confirmou a vitalidade de fabricantes ibéricos e internacionais. A Godinho mostrou como a indústria portuguesa interpreta o contemporâneo com cerâmica e compósitos resistentes. Entretanto, marcas como a Veca e a Upot apresentaram soluções de diferentes escalas e texturas. A tendência aponta para paletas terrosas, formatos geométricos suaves e superfícies com tato mineral — elegantes, discretas e versáteis para ambientes domésticos e comerciais.
Fora do vaso, uma novidade com assinatura sustentável despertou muito interesse: fertilizantes orgânicos à base de lã de ovelha — os pellets que nutrem e retêm água no solo, reforçando a eficiência hídrica e a saúde do substrato. Nomes como Lano Pellet despertaram curiosidade, sobretudo junto de quem procura reduzir insumos de origem fóssil.
Para garden centers: merchandising com alma e serviço com ciência
Os garden centers saem da Iberflora com um caderno repleto de ideias acionáveis, a começar pelo merchandising: cestos e vasos de cerâmica para composições naturais, áreas dedicadas a polinizadores (abelhas, borboletas e outros insetos úteis) e gamas readytoplant que facilitam a decisão do cliente.
Entre os fornecedores e redes de apoio ao retalho, a Aliat Garden mostrou ferramentas de gestão, comunicação e compras para profissionalizar operações. Já a Veraleza destacou serviços e seleção pensados para este canal de vendas.
Negócio em alta e comunidade reforçada
A Iberflora é, acima de tudo, uma feira de negócios e uma comunidade. Nas conversas de corredor percebeuse qualificação do comprador, reuniões eficazes e uma energia otimista.
Os prémios Trompa Verde trouxeram para o palco os criadores de conteúdo que inspiram uma nova geração de jardineiros e horticultores — um encontro feliz entre produção, distribuição e cultura digital. Além disso, entre demonstrações técnicas, conferências e networking, a feira consolidouse como lugar onde se definem catálogos, tendências e parcerias para o próximo ano.
Um barómetro confiável para profissionais e amadores
Para quem vive do verde, a edição de 2025 foi imprescindível: confirmou prioridades — sustentabilidade, água, solo e biodiversidade — e serviu de vitrina às melhores práticas da Península Ibérica. O Mediterrâneo destacou-se como matriz estética e ecológica.
Para o público amador, deixou uma certeza serena: é possível ter jardins belos, resilientes e vivos que acolhem pássaros e abelhas, gastam menos recursos e oferecem prazer diário. Em Valência, o sector provou que sabe combinar ecologia, técnica e emoção — e isso, sim, é uma excelente notícia para todos os nossos jardins.
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