
A oliveira é uma árvore resistente e de grande longevidade, que pode alcançar milhares de anos. A mais antiga de Portugal diz-se que tem 3350 anos.
Características
A oliveira (Olea europaea) é uma árvore de fruto originária do Mediterrâneo Oriental, (atuais Palestina e Síria) e também do Norte do Irão, tendo-se daí espalhado por toda a bacia do Mediterrâneo e um pouco mais além. Detém um grande simbolismo e é de cultivo muito antigo. A oliveira é uma árvore emblemática da paisagem portuguesa e mediterrânica em geral, sendo cultivada em todo o país, com maior expressão no Alentejo e no vale do Douro. De grande longevidade e resistência, pode viver centenas ou milhares de anos.
De pequeno a médio porte, apresenta um tronco grosso, geralmente retorcido, e uma copa ampla, arredondada e ligeiramente lobulada. A folhagem é persistente e de cor verde-acinzentada. As flores surgem em pequenos cachos brancos entre maio e junho. Dar nota que nem todas as variedades são autopolinizáveis, algumas necessitam de outra variedade para a polinização ocorrer. O fruto é uma drupa comestível – a azeitona. A época de colheita da azeitona varia consoante a região do País, mas costuma iniciar-se em novembro e prolongar-se até janeiro.
O tronco sinuoso e a tonalidade acinzentada da folhagem, aliada à resistência, tornam-na numa espécie muito apreciada para usar como ornamental em jardins mediterrânicos e jardins de baixa manutenção.
Não confundir com a oliveira (Olea europaea var. europaea), variante domesticada, com o zambujeiro (Olea europaea var. sylvestris), variante brava e autóctone.
Propriedades e utilizações
Além de as folhas de oliveira serem utilizadas em mezinhas e tratamentos naturais, um dos principais produtos da oliveira é o azeite, esse óleo precioso que se extrai da azeitona e que desde os tempos milenares é utilizado para alimentação, com fins medicinais e para iluminação.
Assim, existem variedades mais voltadas para a produção de azeite e outras voltadas para o consumo em conserva, já que nem todas as variedades se conservam bem. Algumas das mais comuns para a produção de azeitona de mesa são a “Galega”, a “Carrasquenha”, a “Cordovil de Castelo Branco”, a “Maçanilha Algarvia” e a “Verdeal”.
As azeitonas não são comestíveis no seu estado natural; pelo que necessitam de ser processadas para perderem o sabor muito amargo, intragável mesmo. Devemos evitar o consumo das azeitonas processadas industrialmente ou enlatadas, devido aos químicos que são utilizados no processo de curtição. Para quem não tem as suas próprias azeitonas, encontram-se à venda nos mercados azeitonas para curtir em casa, o que pode ser feito segundo processos artesanais e tradicionais, muito mais saudáveis.
As azeitonas são ricas em minerais, mas também em vitaminas A, C e do complexo B, embora sejam calóricas. Por seu lado, o azeite é dos óleos mais saudáveis para a alimentação humana e ajuda a prevenir diversos tipos de doenças.
Condições de cultivo
A oliveira é extremamente rústica em Portugal, aguentando graças às suas longas raízes vastos períodos de seca. Aqui, os maiores olivais concentram-se a sul do Tejo, onde a monocultura do trigo tem dado cada vez mais lugar à vinha e ao olival, até ao olival de cariz intensivo. Resistente ao frio do inverno, a oliveira dá-se bem em solos relativamente pobres graças às suas raízes profundas.
Assim, o cultivo da Olea europaea deve ser feito no outono ou na primavera. Requer exposição plena ao sol para um bom desenvolvimento e produção. Adapta-se a solos pobres e pedregosos, mas prefere solos com textura fina, profundos e bem drenados. O pH ideal situa-se entre 6 e 8 (ligeiramente ácido a ligeiramente alcalino).
Adaptada ao clima mediterrânico, a oliveira é resistente ao calor, à seca e a geadas leves, embora as flores e as azeitonas sejam sensíveis ao frio extremo.
Pode ser cultivada em vaso. A propagação é vegetativa.
Manutenção
A oliveira é uma árvore rústica de baixa manutenção. Resistente à seca, especialmente quando bem estabelecida, é sensível ao excesso de água e ao encharcamento. Assim, a rega deve ser moderada e apenas no verão. Quando em cultura (olival), deve regar no período de desenvolvimento da azeitona.
A poda da oliveira deve acontecer entre o final do Inverno e o início da Primavera, após a colheita e antes da rebentação. A poda de renovação e de formação, com a remoção dos ramos mortos, secos ou cruzados, promove o arejamento da copa, a entrada de luz e a renovação dos ramos produtivos (a azeitona nasce nos ramos do ano anterior). Tente obter um tronco até cerca de um metro e ramos em forma de taça para haver uma boa penetração da luz. Além disso, a Olea europaea consegue suportar podas mais agressivas (topiária) e transplantes.
Durante o período de maior crescimento da planta, entre o final de janeiro e março, adicione matéria orgânica ou adube com um fertilizante.
Requer vigilância contra pragas e doenças. Apesar de a oliveira ser uma árvore bastante rústica e resistente, existem diversas pragas que a atacam. Podemos destacar por exemplo a mosca-da-azeitona, que estraga os frutos, a traça-da-oliveira e a cochonilha-negra-da-oliveira. Em termos de doenças existem, por exemplo, a gafa e o olho-de-pavão, que afetam a oliveira e que causam grandes prejuízos nos olivais e na produção de azeitona.
Por fim, o olival deve ser mantido limpo por meio de sachas e mondas.
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