Septoriose da alface
Septoria lactucae Pass
Plantas mais afetadas:
Alface, chicória e endívia.
Sintomas (gerais):
Inicialmente, observam-se pequenas manchas cloroticas (5 mm), irregulares (formas circulares), nas folhas velhas (limbo foliar). Depois, ao fim de alguns dias as manchas aumentam de tamanho, secam, e alargam-se, chegando a atingir 7-8 mm.
septoriose da alface

 

Saiba quais são as principais características desta doença e como combatê-la.

 

A septoriose da alface é uma doença provocada por fungos que afeta principalmente a alface, mas também pode surgir na chicória e na endívia. Desenvolve-se sobretudo em períodos quentes e húmidos, podendo causar manchas extensas nas folhas, perda de qualidade e, nos casos mais graves, a morte da planta.

As folhas mais velhas são normalmente as primeiras a apresentar sinais da doença. Por isso, observar regularmente a base das plantas é essencial para detetar o problema numa fase inicial.

Conhecer as características, os sintomas e o ciclo da septoriose permite atuar mais cedo e reduzir a sua propagação na horta.

 

Características

A septoriose da alface está associada a fungos como Septoria lactucae, Septoria intybi e Septoria endiviae. Estes agentes patogénicos podem afetar diferentes plantas da família das asteráceas, nomeadamente alfaces, chicórias e endívias. Na alface, a doença tende a atacar com maior intensidade algumas variedades, especialmente as alfaces romanas e iceberg. O seu desenvolvimento é favorecido por ambientes quentes e húmidos, sobretudo quando as temperaturas se situam entre os 20 e os 25 °C e a folhagem permanece molhada durante períodos prolongados.

O fungo “hiberna” durante o inverno nos resíduos de plantas infetadas (sementes e restos da cultura). Esses corpos de frutificação são os picnidios, visíveis a olho nu e quando o ambiente é húmido e quente (alta humidade e temperaturas entre os 20-25˚C), verifica-se na parte superior dos picnidios uma massa de esporos (cirros) que só é libertada na presença de água. As folhas mais velhas são geralmente as mais recetivas à infeção.

 

Plantas mais sensíveis à septoriose

Alface, chicória e endívia.

 

Danos/sintomas

Os primeiros sintomas da septoriose aparecem habitualmente nas folhas mais velhas, localizadas na parte exterior da planta. Assim, inicialmente, observam-se pequenas manchas cloroticas (5 mm), irregulares (formas circulares), nas folhas velhas (limbo foliar). Estas manchas apresentam frequentemente uma forma circular ou irregular e medem cerca de cinco milímetros.

Ao fim de alguns dias, as lesões aumentam de tamanho, secam e podem atingir aproximadamente sete a oito milímetros. O tecido afetado torna-se castanho ou acinzentado e acaba por formar zonas necrosadas, frequentemente com um desenho concêntrico. Em áreas muito infetadas, as manchas unem-se, resultando grandes necroses ou áreas de tecido morto, comprometendo uma parte significativa da folha. Com auxílio de uma lupa, podemos observar picnidios (inflorescências miceliares) que são estruturas globosas de cor preta. A planta pode murchar secar e morrer.

Em ataques intensos, as folhas secam, perdem a capacidade de realizar adequadamente a fotossíntese e deixam de proteger o coração da alface. Logo, a planta pode acabar por murchar, secar e morrer. Mesmo quando a planta sobrevive, as folhas manchadas e necrosadas perdem qualidade e tornam-se pouco apelativas para consumo ou comercialização.

 

Como distinguir a septoriose de outras doenças da alface

A septoriose pode ser confundida com outras doenças que também provocam manchas nas folhas. No entanto, há alguns sinais que ajudam na identificação:

  • as manchas surgem primeiro nas folhas mais velhas;
  • começam como pequenas zonas cloróticas;
  • aumentam progressivamente até cerca de sete ou oito milímetros;
  • apresentam áreas secas e necrosadas;
  • podem ter um aspeto concêntrico;
  • contêm pequenos pontos negros, correspondentes aos picnídios. A presença destes pontos negros dentro das lesões é uma das características mais úteis para distinguir a septoriose de outras doenças foliares.

 

Prevenção

A prevenção é a forma mais eficaz de controlar esta doença. Como o fungo pode sobreviver nas sementes e nos restos da cultura, as medidas de higiene e as boas práticas agrícolas têm um papel fundamental. A seguir, consta uma lista de boas práticas agrícolas:

  • Utilização de sementes sadias;
  • Rotações de mais de 4 anos: Variedades mais resistentes;
  • Destruir as plantas infetadas, queimando-as;
  • Não regar por aspersão;
  • Corrigir carências nutricionais da planta;
  • Tratar a semente com temperaturas entre os 47-48˚C, durante 30 minutos;
  • Monitorar as plantas diariamente;
  • Evitar trabalhar nos campos, quando a alface se encontra molhada.

 

Combate biológico

Depois de instalada, a septoriose é difícil de eliminar completamente. O combate deve, por isso, combinar a remoção dos tecidos afetados com medidas que reduzam a humidade e a disseminação dos esporos como retirar as folhas com manchas e vigiar diariamente as alfaces próximas.

O combate à doença é feito, sobretudo, através de um pesticida biológico – o sulfato de cobre. Respeite as doses e frequências indicadas nos rótulos dos produtos.

 

Veja o vídeo:

Jardinar em Casa #15: Cultivar Tomateiros e Alface em Vaso