Árvore-do-fogo: três espécies, um só nome

Não me canso de afirmar, que na Madeira a festa da flor acontece todo o ano e que uma das marcas mais notáveis da identidade do Funchal é a presença de árvores floridas de janeiro a dezembro. Neste artigo, vou referir-me a três espécies, a que a maioria dos residentes e visitantes chama árvores-do-fogo devido às vistosas flores vermelhas ou vermelho-alaranjadas, mas que não pertencem à mesma família e têm origens muito diferentes. 

A árvore-do-fogo (Brachychiton acerifolius)

Árvore-do-fogo: três espécies, um só nome é um tema fascinante para quem aprecia botânica. A árvore-do-fogo (Brachychiton acerifolius) pertence à família Malvaceae, é indígena da Austrália e há muitos anos marca positivamente a paisagem dos jardins e ruas do Funchal com as suas flores em forma de sino. Habitualmente, entre junho e setembro, perde a folhagem e fica completamente vestida de flores escarlates. Uma maravilha! 

A árvore-da-roda-de-fogo (Stenocarpus sinuatus)

A árvore-da-roda-de-fogo (Stenocarpus sinuatus) é uma espécie perenifólia da família das Proteáceas, nativa da Austrália e das ilhas do Pacífico, incluindo Timor. Agosto e setembro são os meses fortes da floração, que começa em julho e se prolonga até novembro. Em setembro de 1999, foi plantada uma árvore-da-roda-de-fogo na Praça de Colombo em homenagem ao povo de Timor, que a 30 de agosto tinha votado favoravelmente no referendo que determinou a independência do território, após 24 anos de violenta ocupação pela Indonésia. 

A chama-da-floresta (Spathodea campanulata)

A chama-da-floresta (Spathodea campanulata) pertence à família das Bignoniáceas e é nativa da zona tropical da África ocidental. Adaptou-se muito bem às condições edafoclimáticas e integra-se maravilhosamente na paisagem da cidade. Comporta-se como caducifólia, mas cada árvore tem um ritmo próprio. Lado a lado podemos encontrar árvores da mesma espécie despidas ou com folhas, sem flores ou floridas. De janeiro a dezembro, podemos apreciar chamas-da-floresta em floração. Além de muito vistosas, as flores em forma de túlipa são excelentes produtoras de néctar e atraem pássaros para beber água açucarada. 

As árvores-do-fogo, as árvores-da-roda-de-fogo e as chamas-da-floresta são encantadoras. É neste fogo, nestas chamas, que é necessário investir nas cidades e vilas da Madeira. 

Na montanha, o objetivo prioritário, nos próximos anos, nas próximas décadas, terá de ser a restauração dos ecossistemas, o que só será possível com a erradicação das espécies exóticas e pirófilas e a plantação e manutenção persistente de espécies nativas e endémicas. 

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