Dióspiro
Dyospiros kaki
Porte
Árvore
luminosidade
REGA
Época de Plantação:
Inverno
Época de Poda:
Inverno
Família:
Ebenaceae
Dimensão:
Até 10m (normalmente 5m)
Propagação:
Vegetativa
Utilização:
Horta e pomar, para uso em culinária. Madeira usada no fabrico de móveis e instrumentos musicais.

 

Características

O diospireiro (Diospyros kaki) é uma árvore de médio porte, que alcança um tamanho e disposição semelhantes aos da macieira. É originário da China, onde é cultivado há milhares de anos. Da China foi levado para o Japão e outras regiões asiáticas, acabando por espalhar-se pelos vários continentes. Inclusive, os maiores produtores mundiais de dióspiro hoje em dia são a China, a Espanha, a Coreia do Sul, o Japão, o Azerbaijão e o Brasil. Espanha, sendo a maior produtora europeia, exporta para vários países europeus, incluindo Portugal.

É uma fruta de época, cuja comercialização em Portugal, durante muito tempo, foi limitada pela fragilidade das variedades disponíveis, que não eram adaptadas ao armazenamento e transporte. O desenvolvimento e introdução de novas cultivares, de polpa rija, permitiu a armazenagem e comercialização da fruta durante um período mais longo, embora haja consideráveis diferenças de sabor, cor e textura entre elas.

Assim, existem basicamente duas formas deste dióspiro. Uma mole, que é mais comum no nosso país, tem casca de uma laranja quase avermelhado quando maduro e é muito adstringente. Quando não está bem maduro, deixa uma sensação desagradável de amargo e áspero na língua. A outra forma é rija, tem uma casca mais clara quando madura e pode ser consumida como uma maçã, por exemplo, chama-se popularmente dióspiro de roer.

 

Utilização e valor nutricional

O dióspiro é um excelente fruto para os olhos, graças à sua riqueza em vitamina A e B. É indicado para melhorar o estado de saúde da pele e cabelos, e é um mais valia para a saúde geral do aparelho digestivo. Ajuda a combater a hipertensão e o colesterol e é um fortificante do organismo em geral.

O dióspiro é uma fruta bastante doce, pelo que devemos ter isso em atenção. É sobretudo consumido como fruta de mesa, depende dos gostos se preferimos os rijos ou os macios. Os macios são ótimos à sobremesa, abertos e polvilhados com canela. Além de ser consumido ao natural, o dióspiro pode ser assado no forno ou consumido em seco.

Devemos ter atenção ao escolher os dióspiros; quando não estão bem maduros, são muito adstringentes, sobretudo os dióspiros moles. Logo, devemos escolher frutos com o pedúnculo, sem manchas na pele e sem fissuras. Frutos com fissuras têm tendência a azedar.

 

 

Outras utilidades e espécies do género dyospiros

O género dyospiros, aparentado ao ébano, também é cultivado pelas suas madeiras escuras e resistentes. Estas são muito apreciadas para o fabrico de móveis, de instrumentos musicais, entre outras finalidades em que seja necessária uma madeira rija.

É um género espalhado por vários continentes. Além do dióspiro comum em Portugal podemos destacar o dióspiro americano (Dyospiros virginiana), muito consumido nos EUA embora bastante mais pequeno do que o nosso dióspiro, o mabolo (Dyospiros blancoi), nativo das Filipinas, que produz uma madeira muito rija e densa, chamada como outras espécies similares de pau-ferro e um fruto semelhante a um pêssego por fora, com uma polpa branca de doçura suave.

O Dyospiros lotus é originário da Ásia e da Europa, e quase desapareceu substituído pelo dyospiros kaki; a maçã dourada (Dyospiros decandra) e o dióspiro negro ou sapote preto (Dyospiros nigra), de casca verde e polpa cor de chocolate, com sabor a pudim de chocolate.

Todas estas espécies são muito raras em cultivo no nosso país.

 

Condições de cultivo

O cultivo deve ser feito em solos profundos e bem drenados, de preferência areno-argilosos e com um pH entre 6,5 e 7,5. Devemos escolher um local soalheiro, bem abrigado dos ventos e não sujeito a geadas tardias, que podem prejudicar a árvore e os frutos.

A propagação pode ser feita por sementes, mas é na maioria das vezes vegetativa, o que permite seleccionar as variedades e obter frutos de melhor qualidade e árvores mais produtivas.

É preciso alguma atenção na escolha das variedades a cultivar. As mais comuns em Portugal, como a ‘Coroa de Rei’, ‘Kaki tipo’ e a ‘Roxo brilhante’ necessitam de uma maturação completa antes de serem consumidas; são muito adstringentes. Outras, podem ser consumidas logo após a colheita, como a ‘Fuyo’, a ‘Giro’ ou a ‘Fau-fau’.

 

 

Manutenção

As regas devem ser moderadas, sem encharcamento. Os frutos e os ramos caídos têm de ser retirados para evitar a propagação de pragas e doenças. As podas de limpeza, para eliminar os ramos partidos e doentes, permitem um melhor arejamento da árvore.

Quanto às mondas, as plantas infestantes devem ser retiradas das zonas perto do tronco dos diospireiros; isto evita a competição pelos nutrientes e o refúgio das pragas.

Apesar da poda ser essencial, após a colheita dos frutos, até para limitar o tamanho da árvore, o diospireiro é uma árvore de médio porte. Chega a produzir cerca de 100 kg de fruta anualmente se for bem adubada e estimada. Para uma família média, uma ou duas árvores são suficientes para o consumo.

Para a adubação deve dar-se preferência a matéria orgânica como estrume de vaca ou composto vegetal e outros adubos com bom teor de azoto e de potássio. Deve ser realizada após a colheita dos frutos, no final do Outono, inícios do Inverno.

 

Pragas e doenças

Como todas as frutíferas, também os diospireiros estão sujeitos à ação de pragas e de doenças, que, nos melhores casos, podem afetar a produção e a qualidade dos frutos e, nos piores, atingir a saúde da árvore ou até matá-la. Os diospireiros não são das frutíferas mais vulneráveis às pragas e doenças; o seu grau de vulnerabilidade é médio. As principais pragas que afetam os dióspiros são a cochonilha, os tripes, a lagarta-da-fruta e a mosca-do-mediterrâneo. 

Quanto a doenças, destacam-se a mancha das folhas e a antracnose. A prevenção e o combate rápido a estes flagelos são sempre as melhores opções.

 

 

Curiosidades sobre o dióspiro

  • O nome do género botânico, Diospyros, vem do grego antigo e significa literalmente “alimento de Zeus” ou “trigo divino”.
  • A sensação de boca “amarrada” ou “áspera” ao comer um dióspiro verde deve-se ao elevado teor de taninos solúveis. À medida que a fruta amadurece, esses taninos transformam-se em formas insolúveis, eliminando essa adstringência e tornando a polpa extremamente doce.
  • Apenas 100g de dióspiro fornecem cerca de 20% a 22% da dose diária recomendada de vitamina A.
  • Se comprar dióspiros de polpa mole ainda rijos e quiser acelerar o seu amadurecimento, coloque-os num saco de papel ou numa fruteira ao lado de bananas ou maçãs.

 

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