As flores do Bairro dos Pescadores

Bairro dos Pescadores, Madeira

Entre o mar e as bananeiras, floresce a memória da Madalena do Mar

A freguesia da Madalena do Mar, na ilha da Madeira, assim se chama porque, em meados do século XV, o lendário príncipe polaco Henrique Alemão teria criado uma grande fazenda e instituído uma capela em honra de Santa Maria Madalena nas terras que lhe tinham sido doadas por João Gonçalves Zarco.

A posição abrigada dos ventos de norte e o calor irradiado pelas rochas da falésia, que reduz as amplitudes térmicas diurnas, criam condições climáticas favoráveis às culturas tropicais. As bananeiras cobrem quase completamente as terras entre a marginal e a escarpa rochosa. No século XV, na fazenda de Henrique Alemão, a cultura dominante era outra. Nesse tempo longínquo, as terras férteis produziam cana-de-açúcar e do engenho saíam muitos moios de ouro branco para os portos da Flandres.

Flores no Bairro dos Pescadores, Madeira

Das aluviões nasceu o Bairro dos Pescadores

A ribeira, que desagua na extremidade poente da freguesia, a 30 de dezembro de 1939 arrastou terrenos agrícolas para o mar, destruiu cerca de 40 casas e matou quatro pessoas. Na noite de 14 para 15 de outubro de 1945, as águas turbulentas da ribeira destruíram, no sítio da Banda d’Além, 25 modestas habitações que albergavam cerca de 130 pessoas.

Com o objetivo de evitar a destruição de habitações e a perda de vidas em futuras cheias repentinas, o governador civil mandou construir, na extremidade oriental da freguesia, um bairro onde foram realojadas as famílias vítimas das aluviões, que ficou conhecido como o Bairro dos Pescadores. À beira-mar, junto ao pequeno Cais da Esperança, este conjunto habitacional manteve a estrutura primitiva após a sua requalificação no fim do século: três fiadas de casas térreas de paredes brancas, creme ou rosa-claro e telhados ocres. Um pequeno largo funciona como ponto de encontro de homens que noutros tempos ganharam a vida no mar. Agora, são poucos os que se dedicam à pesca a tempo inteiro.

Um jardim cuidado pelas mãos das moradoras

As mulheres, especialmente as menos jovens, cultivam em vasos e pequenas floreiras uma grande variedade de plantas ornamentais rente à fachada das casas e junto ao muro que, nas traseiras, estabelece a fronteira com os poios de bananeiras.

Graças ao muito saber e carinho dum pequeno grupo de senhoras, jardineiras por vocação, no Bairro dos Pescadores prosperam cimbídios, orquídeas-de-cana, sapatinhos, antúrios, antúrios-rabinho-de-porco, aglaonemas, peperómias, lírios-de-um-dia, espadas-de-são-jorge, crótones, mil-cores, lobélias-azuis, trombetas-vermelhas, vincas-de-madagáscar, medinilas, petúnias, cóleos, corações, manhãs-de-páscoa, papaieiras, alecrins, arrudas, fetos-de-metro, fetos-reais, diversas bromélias e muitas suculentas. A doçura deste recanto só perdurará se houver sensibilidade e empenho das novas gerações.

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