Kalanchoe
Kalanchoe blossfeldiana
Porte
Herbácea
luminosidade
REGA
Época de Plantação:
Primavera
Família:
Crassulaceae
Dimensão:
15 a 40 cm de altura e 15 a 30 cm de largura
Propagação:
Por semente e por estacas de caule ou de folha e rebentos
Utilização:
Planta de interior, vasos, floreiras, varandas e terraços protegidos
kalanchoe em vaso

Características

Originário do nordeste de Madagáscar, o Kalanchoe blossfeldiana cresce naturalmente num ambiente tropical sazonalmente seco. Esta origem ajuda a compreender boa parte do seu comportamento: trata-se de uma planta preparada para guardar água e sobreviver a períodos de menor disponibilidade hídrica. Ademais, a espécie é considerada como um subarbusto suculento.

As folhas são espessas, carnudas, verdes e brilhantes, geralmente ovais ou oblongas, com a margem ligeiramente recortada. Funcionam como pequenas reservas de água — característica que explica por que razão o excesso de rega é muito mais perigoso para um kalanchoe do que alguns dias de sede.

Acima da folhagem surgem densos conjuntos de pequenas flores. Vermelho, rosa, salmão, laranja, amarelo e branco estão entre as tonalidades mais comuns. Inclusive, existem ainda cultivares de flor dobrada, com pequenas corolas que fazem lembrar rosas em miniatura. A floração é prolongada e pode manter o interesse ornamental durante várias semanas.

Utilização

O kalanchoe é particularmente interessante como planta de interior devido ao porte compacto e à longa duração das flores. Resulta muito bem num parapeito luminoso, sobre uma consola ou numa composição de várias plantas suculentas.

Também pode ser utilizado em varandas, pátios e terraços durante os meses amenos, desde que fique protegido das temperaturas baixas. Não tolera geadas e, por isso, na maior parte de Portugal continental deve regressar a um espaço protegido durante o período frio. Assim, em regiões e microclimas particularmente amenos poderá permanecer no exterior, desde que a drenagem seja excelente. A RHS recomenda-o sobretudo para recipientes e locais protegidos.

flores vermelhas de kalanchoe

Condições de cultivo

Há uma regra que vale ouro na plantação de um kalanchoe: a água deve conseguir sair do vaso quase tão facilmente como entra. Ou seja, escolha um recipiente com orifícios de drenagem e utilize um substrato leve, poroso e muito bem drenado, adequado a catos e suculentas. Pode igualmente utilizar um substrato de qualidade misturado com material mineral que aumente o arejamento, como pedra-pomes, perlite ou areia grossa apropriada para horticultura.

Não plante o kalanchoe num vaso desproporcionadamente grande. Um grande volume de substrato mantém-se húmido durante mais tempo e aumenta o risco de podridão radicular.

Coloque-o num espaço com muita luminosidade. Dentro de casa, uma janela luminosa orientada a nascente ou poente é geralmente uma boa solução. O sol intenso através do vidro, sobretudo nas horas mais quentes do verão, pode provocar queimaduras nas folhas; luz insuficiente, por outro lado, conduz frequentemente a crescimento alongado e menor floração.

Como fazer o kalanchoe voltar a florir

Aqui reside um dos segredos mais interessantes desta planta. O Kalanchoe blossfeldiana responde ao fotoperíodo e necessita de noites longas para iniciar a formação dos botões florais.

Logo, para estimular uma nova floração em casa, a planta pode receber cerca de 14 horas consecutivas de escuridão por dia durante aproximadamente seis semanas, mantendo boa luminosidade durante o restante período. Luz artificial durante a noite pode interromper este ciclo. Depois da formação dos botões, pode regressar ao local habitual.

kalanchoe com flor rosa

Manutenção

Rega

Sendo uma suculenta, o kalanchoe prefere passar algum tempo com o substrato seco a viver permanentemente encharcado. Assim, antes de voltar a regar, verifique a humidade da terra. Quando a camada superficial estiver seca, regue bem e deixe toda a água em excesso escorrer. No inverno ou durante períodos de crescimento mais lento, reduza a frequência. Pratos e cachepots com água acumulada devem ser evitados.

Adubação

Durante a fase de crescimento pode aplicar um fertilizante líquido equilibrado, sem exageros. Recomenda-se apenas algumas fertilizações ao longo da época de crescimento. Ou seja, numa planta habituada a solos relativamente pobres, adubar em excesso não é sinónimo de cuidar melhor.

Poda

O kalanchoe não necessita de verdadeira poda de formação. Retire as inflorescências quando estiverem secas e elimine folhas deterioradas. Se a planta ficar demasiado alongada, uma ligeira desponta depois da floração ajuda a recuperar um porte mais compacto.

Pragas e doenças

É uma planta relativamente resistente, mas poderá ser atacada por cochonilha-algodão, afídeos e ácaros. A RHS refere também a possibilidade de ataques de gorgulho-da-videira em determinadas condições de cultivo. Inspecione regularmente a página inferior das folhas e as zonas onde estas se unem aos caules, pois é aí que várias destas pragas começam discretamente a instalar-se.

O excesso de água favorece podridões das raízes e dos caules. Folhas amareladas, tecidos moles e escurecimento na base da planta devem levar a verificar imediatamente as condições de drenagem. Além disso, uma boa circulação de ar também ajuda a diminuir o risco de problemas fúngicos, nomeadamente oídio.

Curiosidades sobre o kalanchoe

Apesar da aparência quase despreocupada, o kalanchoe possui uma espécie de “relógio” sensível à duração do dia e da noite. É precisamente esta resposta à luz que permite aos produtores controlar a época de floração e disponibilizar plantas floridas em diferentes momentos do ano.

A espécie é nativa exclusivamente do nordeste de Madagáscar, uma ilha extraordinariamente rica em flora endémica. As folhas carnudas são uma adaptação à disponibilidade irregular de água no seu habitat natural.

Há ainda uma precaução importante: plantas do género Kalanchoe são tóxicas para cães e gatos quando ingeridas. A ASPCA  (American Society for the Prevention of Cruelty to Animals®) identifica compostos do grupo dos bufadienolídeos como responsáveis pela toxicidade e refere vómitos, diarreia e, mais raramente, alterações do ritmo cardíaco. Em casas com animais curiosos, o melhor lugar para o kalanchoe é, portanto, bonito, luminoso — e fora do alcance de dentes aventureiros.

Fácil de cuidar, poupado na água e capaz de oferecer semanas de cor, o kalanchoe prova que exuberância e simplicidade podem viver muito bem no mesmo vaso.

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