Comi as vagens deste feijão numa viagem que fiz ao Sri Lanka com a revista Jardins e gostei muito. Comprei as sementes e plantei-as em Portugal, na zona de Lisboa. Tive uma colheita aceitável para primeiro ano. Planta que é muito vigorosa, cresce em vários tipos de solos, com pouca fertilidade. Seis plantas servem para uma família de quatro pessoas.

Apresentação
Nomes comuns: Feijão-de-asas, feijão-alado, ervilha-de-asa, cigarrilha, feijão-goa, feijão-de-quatro-pontas, feijão-manila, feijão-princesa, feijão-estrelado, feijão-kamrangi, ervilha ou feijão-dragão. Neste artigo, vamos explorar Feijão-alado benefícios, usos e cultivo.
Nome científico: Psophocarpus tetragonolobus (L.) Sin Dolichos tetragonolobus L, Botor tetragonoloba (L.) Kuntze
Origem: Possivelmente na Papua-Nova Guiné (Oceânia), mas também cresce em ambientes húmidos em África e na Ásia Tropical.
Taxonomia: Ordem: Fabales. Família: Fabaceas. Subfamília: Papilionoideaeis. Género: Psophocarpus. Espécie: Tetragonolobus.
Descrição: Planta herbácea perene, com ramos trepadores que podem atingir 3-5 m de comprimento. As raízes são tuberosas e as folhas são compostas, trifoliadas, de cor verde-clara, com 6-14 cm de comprimento. As sementes são brancas e de forma esférica, semelhante a uma ervilha.
Factos históricos: Foi introduzida por árabes no Egito e costa este de África.
Fecundação/polinização: As flores são azul-claras e a planta autopoliniza-se (bissexual). Aparecem 50-140 dias depois da sementeira. São favorecidas com a intervenção das abelhas.
Ciclo biológico: Perene ou cultivada como anual (seis meses, variedades indiferentes ao comprimento do dia). Em Portugal, é uma planta anual até começar a enfraquecer e as folhas morrerem. Se as raízes não gelarem, podem voltar a rebentar.
Variedades mais cultivadas: Variedades de dias curtos e variedades indiferentes ao comprimento do dia (podem ser utilizadas em climas temperados quentes). Nem todas as variedades produzem raízes comestíveis.
Parte comestível: Vagens (só se comem as jovens ou tenras com 2,5-3 cm) ou as sementes quando as vagens, curvas, têm 10-18 cm de comprimento, 4-angulados com uma expansão alada em cada quina (quatro asas). Tem 6-20 sementes por fruto. As folhas, flores e raízes tuberosas também são comestíveis.
Condições ambientais
Zona climáctica: Tropical, subtropical e zonas temperadas mais quentes (algumas cultivares).
Solo: Textura areno-argilosa, boa drenagem, frescos e ligeiramente húmidos; pH com 6,8-7,5.
Temperaturas: Ótimas: 19-28 oC Mín.: 12 oC. Máx.: 31-35 oC. Temperaturas críticas (sofre danos): 6 oC e 40 oC. Germinação:15-25 oC com temperaturas noturnas de 20 oC favoráveis.
Exposição solarFoto periodicidade: Pleno sol ou semissombra. A maioria das flores aparece quando o dia tem menos de 12 horas (dias curtos), mas muitas variedades são indiferentes.
Humidade relativa ótima: 60-75%.
Altitude: Nas zonas tropicais, pode ir até aos 1000-2000 m de altitude.
Precipitação: 1500-2400 mm/ano, sensível a secas.
Fertilização
Adubação: Estrume de aves (peru e pato) bem decomposto e composto.
Adubo verde: Com gramíneas (azevém) que devem ser enterradas muito antes da sementeira.
Exigências nutritivas: 1:3:2 (azoto: fósforo: potássio) + cálcio, sendo uma leguminosa que faz a associação com uma bateria (Rhizobium, fornecendo 4-8 g/m2 /ano de N) para fixar o azoto atmosférico, não precisa deste elemento.

Técnicas de cultivo
Preparação do solo: Lavrar na primavera a 20-25 cm de profundidade e depois passar uma grade (molas) para esmiuçar o terreno.
Data de plantação/sementeira: Maio-junho.
Tipo de plantação/sementeira: Direta no terreno ou em tabuleiros de sementeira. Raspar ligeiramente a capa da semente antes de semear.
Faculdade germinativa (anos): 3-4 anos.
Profundidade: 3-4 cm.
Duração de germinação: 7-15 dias.
Compasso: 40 x 90 cm.
Consociações: Com o milho.
Rotações: Não voltar ao mesmo terreno durante três anos. Não semear esta cultura depois de uma leguminosa.
Amanhos: Sachas, amontoa, tutoramento, com estruturas de cerca de 1,5 m de altura.
Regas: 6000-8000 m2 de água, 15-20 regas por aspersão ou gota a gota.
Entomologia e patologia vegetal
Pragas: Não são conhecidas pragas, apenas alguns nemátodos e tripes (Megalurothrips sjostedti).
Doenças: Oídio, míldio, viroses (mosaico do feijoeiro), danos no colo da raiz.
Acidentes: Pouco resistente à salinidade e falta de molibdénio.

Colheita e utilização
Quando colher: Três a seis semanas depois de aparecer a floração, quando tiverem 10 cm de comprimento, no caso das vagens ou cerca de 60-90 dias depois da sementeira. Se tiverem mais de 10 cm, deixe as secar e aproveite os feijões secos que estão dentro da vagem. As folhas podem apanhar-se assim que a planta atinja 1,5 m e começam a aparecer as flores. As flores colhem-se assim que estiverem completamente abertas. As raízes tuberosas apanham-se quando a planta começa a enfraquecer.
Produção: 200-300 kg/ha, mas, na Índia, algumas cultivares chegaram aos 1200-2300 kg/ha (vagens); 300 to 600 kg/ha nas raízes tuberosas.
Condições de armazenamento: As sementes são secas ao sol e conservam-se bem.
Valor nutricional (vagem/planta): Tem 2,5% proteínas (raízes com 20-25% e feijão com 29-39%). Todas as partes têm vitaminas C, A, cálcio e ferro.
Usos: As vagens imaturas são as mais consumidas em refogados, as sementes imaturas (semelhante as ervilhas) podem ser utilizadas em purés e sopas. As sementes secas podem ser tostadas como os amendoins ou usadas na elaboração de bebidas. As flores são comestíveis, muito boas para saladas (sabem a cogumelos doces). As folhas podem ser usadas como verdura para cozer (como os espinafres) ou cruas em saladas. As raízes tuberosas pequenas são consumidas cruas ou cozidas (batatas da Nova Guiné).
A planta também serve para elaborar ração de ruminantes ou peixes (aquacultura).
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