Hortícolas e Frutícolas

Aipo, o legume ideal para dietas

O aipo (Apium graveolens L.) é uma umbelífera da família das Apiáceas, também conhecida pelo nome de salsa-do-monte, aipo-dos-charcos, aipo-inculto, aipo-rábano e aipo-silvestre.

Planta herbácea, bienal ou vivaz, pode atingir um metro de altura. Tem caule erecto, cilíndrico, profundamente sulcado, oco e ramoso. As suas folhas são brilhantes, verde escuras ou claras, dependendo da variedade. As folhas são muito semelhantes à salsa ou ao levístico, podendo por vezes confundirem-se. Apresenta flores esbranquiçadas entre julho e setembro com cheiro intenso e muito aromático. As sementes possuem um aroma e sabor muito mais pronunciados do que a planta mãe.

O aipo é penetrante, com notas de noz moscada, citrinos e salsa deixando na boca um travo amargo e picante que perdura. Desta planta, utilizam-se folhas, caules, raízes e frutos (sementes).

Cresce um pouco por toda a Europa Ocidental e como os seus nomes indicam gosta de solos alagados, húmidos e salgados do litoral mediterrânico e atlântico e no interior junto a fontes salinas, sendo portanto um bom indicador da salinidade dos terrenos.

História

O aipo-silvestre, cultivado a partir do século XVI, deu origem a diversos produtos hortícolas conhecidos pelo nome de aipo e aipo-nabo. O nome latim apium, deriva da palavra celta apon, que significa água.

O aipo é conhecido desde a Antiguidade pelos egípcios e gregos, Homero cita a planta na Odisseia e os romanos reconheciam as suas virtudes medicinais e na China é ainda hoje muito utilizado para curar males de estômago e fígado.

Composição

Apiol, cumarinas (responsáveis pelo aroma), flavonóides, ferro, fósforo, potássio e sódio. As raízes contêm açúcar e têm muito poucas calorias, sendo um vegetal recomendado em dietas várias.

Utilizações

Os frutos e as raízes são utilizados como diuréticos, em inflações geniturinárias, cistite, problemas de gota e reumático. Externamente em queimaduras e inflamações cutâneas e como cicatrizante.

Produz uma reação alcalina no sangue, é bastante diurético, anti-espasmódico e carminativo. É tónico digestivo, ajuda a eliminar o ácido úrico, é hipotensor, afrodisíaco e ajuda a combater o mau-hálito. A sua raíz faz parte de um xarope diurético, xarope das cinco raízes, em associação com funcho, gilbarbeira, salsa e espargo.

Na horta

O aipo dá-se bem com o alho-francês, o tomate, a couve-flor, as couves, o feijoeiro e a alface, não é bom companheiro da batata nem do milho. O aipo beneficia se for cultivado em círculos de forma que as raízes se entrelacem e criem um bom ninho para as minhocas e micróbios do solo. Assim como o alho-francês desenvolve-se melhor quando plantado em sulcos.

Culinária

O aipo verde é utilizado na Holanda e Bélgica como nós usámos a salsa, como guarnição ou misturado nos pratos antes de servir. Em França vende-se como erva aromática para sopas, na Grécia utiliza-se em pratos de peixe e estufados. O aipo-chinês é utilizado como condimento e como legume, os caules são cortados e usados em alimentos fritos. Em todo o Sudoeste Asiático é utilizado para condimentar pratos de massa, arroz, sopas, etc. Na Tailândia cozinham um excelente peixe a vapor com aipo, os japoneses utilizam-no para confeccionarem o sukiaki, os russos e escandinavos usam as sementes esmagadas em sopas e saladas, sobretudo no inverno, e na Índia faz parte de alguns pratos de caril. Combina bem com couves, frango, pepino, peixe, salada de batata e em sumos com maçã e cenoura.

Contra-indicações

Não consumir as sementes em casos de problemas renais, não usar na gravidez porque pode causar contracções uterinas, associado a cardiotónicos ou hipotensores pode aumentar a toxicidade dos primeiros ou potenciar a ação dos segundos.

Fotos: Thinkstock

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