Jardim

Árvores dos jardins históricos de Lisboa

Cruciais na conservação de espécies e na biodiversidade.

Este mês, destacamos as árvores dos jardins de Lisboa, com a publicação “Levantamento arbóreo dos jardins e parques históricos de Lisboa”, em formato e-book (link do e-book disponível no próximo mês). Este trabalho permite conhecer a composição arbórea de 64 jardins históricos de Lisboa, disponibilizar informação sobre cada jardim, incluindo: planta cartográfica com a localização das árvores, respetiva legenda e designação científica de cada espécie.

No fim da secção dedicada a cada jardim, é apresentada uma lista com o resumo da diversidade arbórea. O inventário realizado em 2014, resultado de três séculos de plantação de árvores, testemunha o legado da memória de lugar, coopera para a conservação ex situ de espécies botânicas e na biodiversidade. Acresce a sua importância para a quantificação dos benefícios ecológicos e estéticos das árvores urbanas e a sua relevância para a história da arte dos jardins.

Pretende também ser um contributo para um modelo de decisão no planeamento urbano através de uma gestão do arvoredo alicerçada na intervenção em arquitetura paisagista e ecologia urbana. Feliz coincidência para este trabalho foi a sua conclusão ocorrer no ano em que a cidade de Lisboa foi distinguida com o galardão de Capital Verde Europeia 2020.

Nos jardins inventariados, cuja área corresponde a três por cento do total da cidade de Lisboa (100 km2), foi possível identificar 27.610 exemplares que correspondem a uma diversidade de 799 espécies. É sabido que Lisboa beneficia de condições climáticas privilegiadas, quer pela localização geográfica quer pela sua topografia, em que se distinguem as sete colinas que brindam a cidade com diferentes exposições solares, bem como o pioneirismo na introdução de espécies exóticas vindas de várias partes do mundo.

São estas características que conferem à cidade a possibilidade de coexistência de diferentes espécies arbóreas originárias de regiões biogeográficas díspares, permitindo oferecer uma biodiversidade acima da média da verificada noutras cidades europeias.

A elevada diversidade botânica existente, além do seu inestimável valor estético, desempenha um papel crucial ao serviço do ecossistema urbano.

Do total de 27.610 exemplares identificados, de acordo com a sua naturalidade, a distribuição foi a seguinte: 9.591 correspondem a espécies nativas de Portugal continental (35%) e 18.019 são de espécies introduzidas (65%), entre as quais 821 invasoras (3%). Destacando-se as 12 espécies com maior presença nos jardins e a sua naturalidade.

Outra das conclusões que este levantamento evidenciou foi que, nos jardins estudados, existem 39 espécies cujo estado de conservação na Natureza é classificado como ameaçado, de acordo com a UICN – União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN Red List of Threatened SpeciesTM) – duas espécies criticamente em perigo (CR), 15 espécies em perigo (EN) e as restantes 22 espécies vulneráveis (VU).

No que diz respeito ao arvoredo classificado como de interesse público pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), foram apurados 111 espécimes (incluindo exemplares isolados e/ou conjuntos arbóreos) distribuídos por 11 dos jardins de Lisboa estudados. As exceções são a Tapada das Necessidades, a Tapada da Ajuda (exceto o jardim do Observatório) e os três jardins botânicos, por estarem listados na Direção-Geral do Património Cultural.

Ilustrando também este artigo com dois casos de árvores classificadas o cedro-do-bussaco no jardim do Príncipe Real e dois dragoeiros no jardim do Observatório da Tapada da Ajuda.

Agradecimento:

Fundação para a Ciência e a Tecnologia pelo financiamento do projeto de investigação LX GARDENS – Jardins e Parques Históricos de Lisboa: estudo e inventário do património paisagístico (Ref.a PTDC/EAT-EAT/110826/2009) bem como pelo apoio concedido à coautora Ana Raquel Cunha, através do financiamento da bolsa de doutoramento FCT (Ref.a DFA/BD/4824/2020).

Com a colaboração de Teresa Vasconcelos

Créditos Fotográficos:
ALS – Ana Luísa Soares, ARC – Ana Raquel Cunha, AS – António Sachetti, PF – Paulo Forte

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