Ornamentais

As extraordinárias orquídeas Disa

As Disa são muito diferentes das orquídeas mais comuns que encontramos à venda e têm fama de serem difíceis de florir. No entanto, nada como falar com outros orquidófilos e experimentar. Muitas vezes temos surpresas agradáveis.

A sua forma, diferente e de rara beleza, e as suas cores vibrantes, já me tinham chamado à atenção. Há alguns anos comprei um exemplar na exposição de Londres. Um híbrido adulto e em flor que infelizmente não durou muito e morreu nos meses quentes de verão. Essa experiência seria a minha única tentativa frustrada de cultivar uma Disa. Isto se, no ano passado, não tivesse visto uma reportagem num programa inglês sobre um cultivador de Disa; ele que tinha exposto a sua coleção fazendo um efeito maravilhoso e cheio de cor.

Entrei em contacto com alguém que cultivava com algum sucesso alguns exemplares de Disa uniflora no norte de Portugal, no exterior, sem metade dos cuidados que eu tive com o meu exemplar que morreu. E, assim, comprei duas plantas jovens, filhas das desse orquidófilo do norte e coloquei-as cada uma num pequeno vaso.

Conhecer a planta

O género Disa é formado por mais de 150 espécies distribuídas desde o Sul de África, Madagáscar, Iémen, Ilhas Reunião e Oeste da Austrália. No entanto a mais conhecida será a Disa uniflora, chamada também de “O orgulho da Table Mountain”. “Table Mountain” traduz-se como “Montanha Mesa” é uma montanha com o cume plano e que domina a paisagem da Cidade do Cabo, na África do Sul).

O nome “Disa” foi dado pelo botânico sueco Carl Peter Thunberg baseado na heroína de uma lenda sueca. As Disa são plantas terrestres, tuberosas, que crescem em locais frescos e bem arejados e perto de cursos de água, riachos ou cascatas. Nas estações mais húmidas, podem até ficar com as suas raízes submersas durante algum tempo.

O cultivo

Depois de conhecer melhor a planta, de ler sobre ela e de conversar com alguns cultivadores plantei as minhas Disa. Usei uma mistura que também se usa para algumas plantas carnívoras: turfa loira, musgo de esfagno cortado em pedacinhos e perlite.

Molha-se tudo e misturam-se os três compostos em partes iguais. É uma mistura que manterá as raízes da planta sempre húmidas. A causa da morte da minha primeira planta foi mesmo essa. O substrato secou e as raízes morreram, assim como o resto da planta.

No inverno, as plantas praticamente desaparecem e os vasos são mantidos no exterior; entre vasos maiores, onde recebem alguma chuva mas não em demasia.

O substrato está sempre húmido. As temperaturas ideais para as Disa estão entre os 10 e os 26 graus centígrados. Mas as minhas, no inverno, vão um pouco abaixo desse valor e, no verão, apesar de estarem num local mais sombrio e arejado, apanham temperaturas superiores a 30 graus. Apanham algum sol de manhã, que lhes é essencial para florir; e o vaso está sempre num prato com água que nunca seca completamente.

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Importância da rega

A qualidade da água também é importante. Deve ser uma água mole (pH entre 5 e 6,8) e o mais pura possível. Água da chuva é a melhor mas podem utilizar água da torneira desde que a deixem repousar pelo menos umas horas num balde de modo a que o cloro possa evaporar. Ao regar, tentem não molhar muito as folhas ou botões e evitem as fertilizações muito frequentes. Uma vez por mês com metade da dose que utilizariam para outras plantas é suficiente. Ao contrário do que o nome Disa uniflora indica, as Disa podem dar duas ou mais flores na haste que cresce no centro da planta.

As cores das flores são geralmente vermelhas mas podem também ser rosa, laranja ou amarelas. Depois da floração as plantas podem ser reenvasadas e os filhotes que normalmente nascem podem ser removidos e plantados em pequenos vasos. Não se cortam as flores quando começam a ficar feias, deixam-se murchar até secar, assim como à haste floral. Este processo pode demorar algumas semanas mas vai assegurar que a energia das flores e caule vai ser reutilizada para fabricar o tubérculo. Este por sua vez vai originar a planta no ano seguinte assim como a produção de novas plantas (filhotes).

Fotos: José Santos

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