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Batata-doce: conheça as técnicas de cultivo

Batata-doce

Cada vez mais consumida em Portugal, é um alimento muito saudável que protege contra o cancro, arteriosclerose, doenças da pele, coração e olhos.

Ficha técnica (cultura da batata-doce):

  • Nomes comuns: Batata-doce; boniato; moniato; camote; aje; patati; camoli; Kumara .
  • Nome científico: Ipomea batatas Lam, Colvolvulus Batatas L , Batata edulis Choisy, (o nome Ipomea significa “parecido com um verme” e o nome batata foi dado pela tribo taino das Bahamas).
  • Origem: América do Sul e Central ou África.
  • Família: Convolvulaceae ou Convulvuláceas .
  • Características: Planta herbácea de caule tenro, trepadora (alastra-se no solo até 2-3 m). As folhas são alternas, numerosas em forma de coração de cor verde-escura, podendo ter manchas roxas, púrpuras ou vermelhas. Possui raízes ramificadas e fibrosas, algumas engrossam, dando origem a grandes tubérculos carnosos de forma, peso e cores diferentes, segundo a variedade. As flores são campaniformes grandes de cor roxa. A polinização é entomófila.

Factos históricos:

Cultivada por índios da América do Sul há milhares de anos (incas, maias e astecas), foi trazida na época dos Descobrimentos, espalhando-se pela Europa apenas no século XVI. Foi o cientista Humboldt que afirmou que a batata-doce estava entre os produtos trazidos para Espanha das Américas por Cristóvão Colombo.

O seu uso na alimentação surgiu no século XVII e é considerada uma das 12 culturas fundamentais, servindo de alimento aos povos mais carentes do planeta.

Os principais produtores são a China, a Índia, a Indonésia e Japão. Em Portugal, há a batata-doce de Aljezur (IGP), apreciada pela polpa doce, delicada e fina.

Ciclo biológico:

Permanente ou contínuo, em Portugal. Ciclo de 4-6 meses.

Variedades mais cultivadas:

Existem mais de 400 variedades que se podem classificar consoante a cor. Temos cultivares brancos, amarelos, roxos e vermelhos (mais doces e saborosas). As mais conhecidas são: “Amarela de Málaga”, “Boniato” (vermelha) , “Copperskin” (laranja) “Rosada de Málaga”, “Mínima”, “Branca”, “Roxa da América”, “”Centennial”, “Catemaco”, “Dulce”, “Nemagold”, “Japanese”(pele branca), “White Maltese” (polpa branca seca), “Beauregard”, “Jewel”, “Gem”. Em Portugal, a variedade “Lira” (polpa amarela, de Aljezur) é a mais cultivada.

Parte utilizada:

Tubérculo que pode ter entre 200 g e 6 kg, mas costuma ter 100 a 400 g.

Condições ambientais

  1. Solo: Gosta de solos ligeiros, profundos, soltos (arenosos ou areno-argilosos), frescos, ricos em matéria orgânica, húmidos com boa drenagem e arejados. Prefere solos, com pH de 5,5-7.
  2. Zona climática: Temperado (com verão quente), tropical e subtropical.
  3. Temperaturas: ótimas: 24-27 ºC; minima: 10 ºC; máxima: 30 ºC.
  4. Paragem do desenvolvimento: 9 ºC.
  5. Exposição solar: A floração e tuberização gostam de dias curtos com pleno sol.
  6. Humidade relativa: Média-alta (80-85%).
  7. Precipitação: 200-550 mm/ano.
  8. Altitude: 0-1500 metros.

Plantação de batata-doce

Fertilização

  • Adubação: Estrume de ovelha, vaca e peru, bem decompostos.
  • Adubo verde: Colza, favas e mostarda.
  • Exigências nutritivas: 3:1:6 ou 1:2:2 (azoto: fósforo: potássio) mais boro.

Técnicas de cultivo

  • Preparação do solo: Fácil de preparar, deve ser feita uma lavoura entre os 20 e os 30 cm de profundidade e passagem cruzada com uma grade de discos, dependendo do estado do terreno. Preparar camalhões elevados arredondados, com altura média de 30 cm e 80-100 cm de largura.
  • Data de plantação/sementeira: abril-junho, assim que o tempo aqueça e beneficie das chuvas primaveris.
  • Tipo de plantação/sementeira: Colocamos uma batata num tabuleiro, parcialmente submersa, até surgirem os primeiros rebentos. Quando tiverem 15-30 cm, corta-se a batata de modo a que cada pedaço tenha um rebento (cada batata dá em média 15-20 ramas). Podemos retirar pedaços da rama da batata (20-30 cm ou 4-6 nós) e plantar (colocar o caule em água até surgirem as primeiras raízes). As ramas são plantadas inteiras em sulcos de 10-15 cm de profundidade, ficando 5-10 cm das pontas para fora da terra. O método da semente não é muito utilizado.
  • Tempo de germinação: De 10 a 17 dias.
  • Profundidade: 5-12 cm.
  • Compasso: 30-50 x 90-100 cm.
  • Transplantação: Quando os rebentos tiverem 20-30 cm de comprimento.
  • Rotação: A cada três anos. Com culturas como tomate, cebola, milho, trigo e arroz.
  • Consociações: Petúnias, calêndulas e nasturtium.
  • Amanhos: Sachas, corte da rama excessiva (quando tiver mais de 1,5 m), monda de ervas infestantes.
  • Regas: Só no verão, logo a seguir à plantação, gota a gota ou aspersão, cerca de 24-25 mm/semana.

Entomologia e patologia vegetal

  1. Pragas: Nemátodos, afídios, ácaros, mosca-branca, roscas, lesmas, brocas, alfinete, ratos e caracóis.
  2. Doenças: Esclerotina, botritis, ferrugem, antracnose, míldio, oídio e fusário, mosaico da batata etc.
  3. Acidentes: Sensíveis a geadas, encharcamento, salinidade, ventos fortes marítimos.

Colheita e utilização

  • Quando colher: Em outubro-novembro, assim que as folhas começam a ficar amarelas. Utilizando uma forquilha ou, de forma mecanizada, colhedores especiais para este tipo de cultura. Também pode
    escolher uma batata e fazer um corte: se ela cicatrizar e secar rapidamente, é sinal que está madura; se o “leite” continuar a correr, está verde. Deve estar pronta entre 100 e 180 dias consoante o clima e as cultivares. Depois de colhida, deixar 1-3 horas ao sol antes de armazenar.
  • Produção: 20-35t/ha /ano, em sequeiro, e 60-80t/ha/ano, em regadio. Numa horta caseira, chega a 1,5-2,5 kg por planta.
  • Condições de armazenamento: Antes, deve permanecer em local arejado com temperaturas de 30 ºC e humidade relativa (HR) alta, durante 6-8 dias (cura). Depois, colocar em locais fechados a 1314 ºC e HR de 80-85% durante 3-5 meses. Também se pode colocar em areia húmida e armazenar durante 1-2 meses.
  • Valor nutricional: Rica em proteínas (folhas), hidratos de carbono, fibras, sais minerais, vitamina C (as roxas e vermelhas tem maiores quantidades), A, B1 e caroteno.
  • Época de consumo: Outono-inverno
  • Usos: Assada, frita, cozida e em doces. As ramas podem ser refogadas ou cozinhadas. São utilizadas na alimentação animal quando se cultiva como forragem. Na indústria, pode ser aproveitada pelo amido, como corante e álcool.
  • Medicinal: Consumida regularmente, reduz os sinais de envelhecimento, protege contra o cancro, arteriosclerose, doenças da pele, coração e olhos.

Conselho de especialista:

Boa cultura para terrenos arenosos em zonas litorais da costa alentejana. Grande fonte de energia. Em Portugal, está na moda e é muito apreciada.

Fotos: Thinkstock

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