Plantas Ornamentais

Conheça as orquídeas Bifrenaria

Bifrenaria harrisoniae

O género foi descrito pela primeira vez pelo botânico inglês John Lindley, em 1832, e o seu nome tem origem no latim Bi (dois) e Frenum (freio ou tira), referindo-se às duas pequenas tiras, os estipes, que ligam as polinias ao viscídio. Esta característica permite diferenciar as Bifrenaria das Maxillaria, um outro género muito semelhante. Além das Maxillaria, as Bifrenaria são parentes próximas das Lycaste, Stanhopea e Zygopetalum.

É um género composto por pouco mais de duas dezenas de espécies originárias da América do Sul, de países como a Colômbia, Bolívia, Venezuela, mas principalmente do Brasil. Crescem em íngremes escarpas rochosas, são maioritariamente litófitas, viradas para cursos de água onde as plantas acabam por beneficiar da humidade do ar. Nessas rochas expostas ao sol e ao vento, as raízes desenvolvem-se e penetram nas fissuras com pouco material orgânico e por vezes formam-se grandes aglomerados de plantas. Algumas espécies crescem nas árvores (plantas epífitas).

Bifrenaria harrisoniae – planta adulta em cesto de madeira

Espécies e variações

A espécie mais conhecida é a Bifrenaria harrisoniae, uma planta magnifica, de tamanho grande e com flores muito vistosas. No entanto existem outras espécies também, como a Bifrenaria tetragona, a B. atropurpurea, a B. inodora e a bonita Bifrenaria aureofulva, com pequenas flores laranja, entre outras, que podem ser encontradas à venda em orquidários ou exposições de orquídeas.

As Bifrenaria têm também uma característica muito apelativa para os colecionadores: têm muitas variações de cores e tamanhos, dentro de cada espécie. Por exemplo, a espécie Bifrenaria harrisoniae pode ser encontrada em várias cores diferentes desde o totalmente branco (alba), ao amarelo (citrina), amarelo e púrpura (flavopurpurea), toda púrpura (purpurescens), de flores grandes (grandiflora) ou mais pequenas (minor) entre muitas outras variações.

A planta

A planta é simpodial, composta por pseudobolbos ovais e quadrangulares, no topo dos quais nasce uma única folha oblonga com pelo menos três veios longitudinais. As flores crescem na base dos pseudobolbos e têm tamanhos variados consoante a espécie. As espécies de flores mais pequenas dão mais flores por haste e as maiores, como a B. harrisoniae, dão no máximo três flores grossas e cerosas em cada haste curta. As sépalas e as pétalas são muito parecidas e o labelo é trilobado e cheio de pilosidades. As flores têm uma duração longa e são muito perfumadas.

Bifrenaria harrisoniae citrina

O cultivo

Gostam de bastante luz, mesmo com algum sol direto, especialmente de manhã. São orquídeas de ambientes temperados, com temperaturas entre os 12 e os 30 graus; no entanto as plantas maduras adaptam-se facilmente a temperaturas mais baixas, se for em períodos não muito extensos, e mais altas, desde que sejam abundantemente regadas.

Gostam de humidade do ar alta e bom arejamento. O cultivo pode ser em vaso de barro ou plástico, onde aconselho uma taça mais baixa mas larga, porque a planta cresce bem e tem tendência a sair do vaso. Os vasos ou taças devem ter vários furos para uma boa drenagem e arejamento das raízes. Podemos também utilizar cestos de fibra de coco ou de madeira. Como substrato, casca de pinheiro de calibre médio misturada com um pouco de musgo de esfagno e perlite são uma boa mistura.

As regas são mais abundantes na altura do crescimento, mas devemos ter o cuidado de não molhar os novos rebentos que apodrecem facilmente. No inverno, interrompem-se ou reduzem-se as regas. Por vezes, bastam só uns borrifos para evitar que a planta desidrate. Uma ou duas fertilizações mensais, especialmente quando a planta se está a desenvolver, são essenciais.

As Bifrenaria podem no início ser difíceis de florir, mas, assim que começam, repetem as florações, que são cada vez maiores de ano para ano. Se tiver de reenvasar ou dividir a sua Bifrenaria, não incomode muito a planta, elas não gostam de ser mexidas. Para dividir, deixe pelo menos uns 4-5 pseudobolbos em cada divisão.

Fotos: José Santos

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