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Conheça Biovivos

Saboreie estes supervegetais vivos, biológicos e sustentáveis para saladas, sumos e sanduíches.

João Afonso Henriques, fundador da Biovivos

João Afonso Henriques, fundador da Biovivos

Nesta conversa com João Afonso Henriques, designer agricultor e fundador da Biovivos Lda., conhecemos melhor a natureza destes superalimentos vendidos vivos, biológicos e sustentáveis.

Que ideia foi a semente deste projeto e como cresceu a empresa ao longo de uma década de trabalho neste nicho da produção vegetal?

Em 2002, durante o curso de Design Industrial, comecei a pesquisar e testar o cultivo de germinados e microvegetais para um projeto chamado HealthCake. Ao longo dos anos o foco do trabalho foi a inovação agrícola, culminando na criação da Urbangrow em 2008, onde experimentei praticamente todos os processos de cultivo conhecidos até hoje. Numa viagem à Florida em 2012, vi um produtor a vender microvegetais de girassol cortados no momento, que me deu a ideia de os vender vivos em vaso para que o consumidor possa cortá-los em casa: Quer fresco? Compre Vivo! Após testar 60 variedades diferentes, decidi produzir apenas erva de trigo, biovivos de girassol e ervilha por serem os mais relevantes em nutrição e, assim que consegui um local para produzir em Lisboa, iniciei a Biovivos, em 2014, numa estufa urbana em telhado, com filtros antipoluição, painéis solares e entregas de bicicleta elétrica.

Ao fim de oito anos foram muitas as lições aprendidas, a logística venceu e o impacto na saúde de doentes clínicos tornou-se o foco de todo o meu trabalho. Tal como em todas as empresas de agricultura idealista, sobreviver já é uma vitória. Vários anos sem parar, a trabalhar 100 ho
ras por semana e um sem-número de desilusões. O segredo da sobrevivência foi adaptar e simplificar sempre que possível, aprender com os erros, corrigir e melhorar. Hoje, com o projeto Biovivos Nutrishot, o caminho será diferente, definitivamente mais viável, prático, seguro e com um impacto superior na saúde de quem precisa.

Biovivos

Biovivos

Explique-nos os cuidados na escolha das variedades, processo de cultivo, manutenção, colheita e transformação destas plantas.

Existem muitos microvegetais, mas os Biovivos são especiais, não são para gostar nem para decorar, são para fazer bem, como um suplemento nutricional, mas vivo! As três variedades que produzimos são as mais relevantes em termos de quantidade de nutrientes por vaso. O processo de cultivo e manutenção é simples – terra, sementes, água e trabalho –; a colheita só a fazemos para a produção do Nutrishot, pois os vasos vão vivos para casa do consumidor, onde serão colhidos. Em relação à transformação, só o fazemos com a erva de trigo, para elaboração do Nutrishot – feito em fábrica, prensado a frio e estabilizado a frio numa máquina de HPP que nos dá 35 dias de validade sem passar os 18o no tratamento, mantendo as propriedades e efeito do “shot vivo”, melhor do que as soluções congeladas ou em pó, que não atingem os resultados esperados.

O foco da Biovivos são as espécies vegetais colhidas num estado inicial de desenvolvimento quando contêm uma elevada densidade de nutrientes. Que oferta têm atualmente em catálogo?

Só temos erva de trigo, biovivos de girassol e ervilha. Já testámos todas as variedades que se possam imaginar e só estas três são relevantes na relação custo-benefício. As outras variedades só servem para decorar numa perspetiva gourmet, que é um mercado que não nos interessa explorar.

Além da produção e comercialização, que outras iniciativas e divulgação têm promovido junto dos clientes interessados em conhecer melhor os benefícios destes produtos?

Nos primeiros anos, estive em muitas feiras a comunicar o produto; nos últimos anos, deixei de fazer feiras e foco são as palestras, online ou presencialmente por todo o País, com dois modelos diferentes: 1) Agricultura e Alimentação Sustentável, onde descrevo todas as aventuras que passei durante 20 anos de pesquisa e experimentação; 2) Ciência da Erva de Trigo, onde resumo 64 estudos científicos sobre erva de trigo e explico as suas vantagens nutracêuticas e ecológicas. Esta palestra é adaptada todos os anos consoante os estudos que vão sendo feitos pelo mundo. O objetivo é comunicar os benefícios da erva de trigo numa estrutura 100% científica, adequada aos modelos e discurso da medicina convencional. O alternativismo não nos interessa, queremos ser convencionais. O objetivo é que o nosso Nutrishot se torne a posologia convencional dos tratamentos da anemia, colite ulcerosa e adjuvante oncológico, além do impacto positivo em várias outras patologias. Vai demorar anos, mas no mundo clínico, a única forma de realmente “mudarmos o mundo” é adaptarmo-nos ao modo como o mundo funciona, e a partir daí, melhorar e evoluir.

 

Texto: Ricardo Elisiário

 

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