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Cuidados a ter com plantas tóxicas

Rícino

É claro que muitas plantas apresentam diferentes níveis de toxicidade. Até mesmo os nossos alimentos. No entanto o uso errado dessas plantas pode desencadear diferentes reações em cada pessoa ou animal.

Por exemplo, a arruda (Ruta graveolens) planta aromática muito comum e associada à proteção das casas e hortas contra o mau-olhado, mas também de interesse ornamental e como repelente de pragas quando consociada com roseiras ou framboesas, afasta as pulgas nos animais e é desinfetante. No entanto, devemos ter bastante cuidado ao manuseá-la pois poderá causar dermatite de contato que se manifesta em manchas acastanhadas na pele e muita comichão.

O hipericão (Hypericum perforatum) é fotossensível. Não deve tomar ou manusear hipericão ou seus derivados e expor-se ao sol durante 12 horas. Podem ocorrer manchas vermelhas na pele.

Os jardineiros e floristas que manuseiam muitos bolbos de narcisos, túlipas, lírios ou jacintos, poderão com o tempo, desenvolver algum tipo de alergias nas pontas dos dedos.

Dedaleira

A dedaleira (Digitalis púrpurea) muito usada pela indústria farmacêutica para extração da digitalina, utilizada no fabrico de medicamentos para tratar problemas cardíacos, é uma planta bastante tóxica, podendo causar náuseas vómitos e paragem cardíaca.

O teixo (Taxus bacata) árvore de grande longevidade, sagrada para os Celtas, bastante usada em sebes em topiária. O seu componente taxol tem salvado muitas vidas no que diz respeito ao cancro da mama. No entanto, tem sido ao longo do tempo causadora de algumas mortes em pessoas e animais por ingestão das folhas, ramos, tronco e principalmente da semente que se encontra dentro do arilo, pequeno frutinho vermelho e carnudo de sabor agradável. Já comi várias vezes tendo sempre extremo cuidado para cuspir a semente que se encontra no seu interior.

Outra bastante tóxica é a bugmansia, também conhecida por trompete-de-anjo (não será por acaso). Pequena árvore ou arbusto muito utilizado como ornamental, pode ser mortalmente tóxica se ingeridas as suas folhas ou flores, de aroma intenso e doce. Nas noites quentes de verão, esta sedutora é polinizada por morcegos. É da família das Solanáceas à qual pertence o muito apreciado arbusto de jardim solanus mas também as batatas, tomateiros, beringelas, fisális, pimentos, entre outras. Todas as flores desta extensa família são tóxicas.

Rícino

O rícino, muito comum da nossa flora e bastante invasora, cujas sementes apresentam um elevado índice tóxico e de onde se extrai o óleo de rícino. Também conhecida por mamona ou carrapateiro.

As sementes da lantana e madressilva também são tóxicas apesar de as flores serem muito atrativas para abelhas e até usadas em homeopatia e fitoterapia.

O estramónio (Datura estramónio), outra Solanácea invasora nos terrenos, também conhecida por erva-do-diabo ou figueira-do-inferno, de flor branca. Usa-se em preparações homeopáticas e fitotrápicas e em rituais de iniciação por induzir a estados alterados de visão. Estes estados facilmente se podem torna em delírio e morte em alguns casos.

Pepino-de-São-Gregório

O pepino-de-São-Gregório (Echa-llium elaterium), planta cujo líquido contido no interior dos frutos explosivos, se recomenda, uma ou duas gotas nas narinas para acabar de vez com a sinusite. No entanto as há que ter cuidado com as suas gotas. Experimentei-as e ao escorrerem pela a garganta causam-me uma forte reação alérgica que quase me deixou sem respirar.

As mirabilis (Mirabilis jalapa) da família do tabaco, bonita e perfumada planta de jardim, muito invasora pode causar irritações cutâneas. Se ingerida poderá causar fortes dores de estômago, diarreia e náuseas.

Ipomeia

Todas as convolvuláceas onde se incluem a glória-da-manhã, trepadeira voraz de flor azul–arroxeada. Também conhecida por ipomeia, a corriola, pequenina flor branca, rosa ou azul, rasteira e muito invasora das hortas e jardins.

A ipomea utiliza-se em rituais xamânicos nas Américas mas em doses não controladas pode ter efeitos nefastos. Utiliza-se também na confeção de medicamentos homeopáticos e de florais de Bach.

O acónito, conhecida por rainhados-venenos mas utilizado em homeopatia e em jardins, é muito tóxica.

Lírio-do-vale

O lírio-do-vale (Convallaria majalis), a cicuta (Conium maculatum) que facilmente se confunde com outras Umbelíferas, e que como sabemos é das mais perigosas da nossa flora, a lobélia (Lobelia inflata) talvez também uma das mais tóxicas aqui mencionadas.

Os jarros e quase toda a família dos Arums, são venenosos nas folhas e flores no entanto a raíz de alguns utiliza-se moída e confecionada como farinha. Os delfínios e os lupinios plantas muito usadas em bordaduras pela sua floração multicolor também são tóxicos.

Loendro

E não poderia terminar sem fazer referência ao loendro (Nerium oleander) também conhecido por cevadilha. Este arbusto é muito comum nas divisórias de autoestradas devido à alta resistência à poluição. É ainda plantado nas escolas apesar da sua elevada toxicidade nas flores e folhas.

Tem como princípios ativos a oleandrina e a neriantina, substâncias extremamente tóxicas. A ingestão de uma folha é suficiente para matar um homem com 80 kg. Os sintomas da intoxicação, que podem aparecer várias horas depois da ingestão, são dores abdominais, pulsação acelerada, diarreia, vertigem, sonolência, dispneia, irritação da boca, náusea, vómitos, coma e morte.

Fotos: Thinkstock e Pixabay

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