Cultivar Bio

Cultive alface-de-cordeiro

Uma cultura de inverno, rica em vitaminas A, B6, B9 e C, bem como em potássio, magnésio, ferro e zinco.

Factos históricos/curiosidades:

  • Antigamente era considerada uma infestante que aparecia nos campos de trigo. Muita apreciada desde a época da Antiga Roma. O jardineiro real do rei Luís XIV plantou-a nos jardins reais, ficando mais conhecida nessa altura. Só no início do século XIX, começou a ser produzida em larga escala, mas apenas na década de 80 se encontrava na maioria das lojas de agricultura especializadas.

Ciclo biológico:

  • Bienal (pronta a colher após 60-120 dias).

Variedades mais cultivadas:

  • São conhecidos os canónigos de semente grande (tenros e saborosos) e de semente pequena (agradáveis e açucarados). As cultivares mais conhecidas são “valentin”, “Coquille de Louviers” “Vert Cambrai”, “D´Olanda”, “Vit”, “Ronde Maraichère”, “Redonda da horta” e “Holandesa de folha grande”. As variedades “Grosse Graine” e “Jade” são para colheita no outono.

Parte utilizada:

  • As folhas, com sabor doce e frutado.

Condições ambientais:

  • Solo: Argiloso e franco-argiloso, ligeiramente compacto na superfície, adaptando-se a quase todos os tipos de solo. Húmido, fértil, ricos em húmus, profundo e bem drenado. pH de 6-7;
  • Zona climática: Temperada e húmida.

Temperaturas:

  • Ótimas: 10-25 ºC | Mín.: -15 ºC; Máx.: 30 ºC;
  • Paragem do desenvolvimento: -20ºC;
  • Exposição solar: Pleno sol no inverno e semissombra no verão;
  • Humidade relativa: Alta;
  • Altitude: Pode encontrar-se a mais de 2000 metros.

Fertilização:

  • Adubação: Estrume de bovinos ou ovelhas, chorume de vaca leiteira (bem diluído). Composto de algas frescas, bagaço de uva, casca de coco e feno de luzerna;
  • Adubo verde: Azevém anual, colza, rábano, favarola e luzerna;
  • Exigências nutritivas: 3:1:5 (N:P:K) e CaO, as plantas de folhas têm tendência a acumular nitratos e metais pesados, que são nocivos para o consumidor;
  • Grau de exigência (em azoto): Pouco exigente.

Técnicas de cultivo:

  • Preparação do solo: Fresar o solo, utilizando facas tipo “Rotacadet”, em forma de concha, banana ou do tipo universal curta, na zona superficial (10-15 cm) e a baixas velocidades. Pode também efetuar apenas uma ligeira escarificação na camada superficial, já que a planta gosta do solo ligeiramente compacto na superfície;
  • Data de plantação/sementeira: Setembro-outubro, o nosso verão é muito quente, não sendo por isso aconselhável a sementeira nesta data;
  • Tipo de plantação/sementeira: Em tabuleiros de sementeira ou direta em regos ou a lanço, que, depois de semeados, devem ser calcados. Pode colocar as sementes 24 horas num frigorífico antes de semeá-las;
  • Tempo de germinação: 7-15 dias;
  • Faculdade germinativa (anos): 3-5 se conservada à temperatura de 5-9 ºC;
  • Profundidade: 0,5-1,5 cm;
  • Compasso: 9-10 cm x 15-30 cm;
  • Transplantação: Quando a planta tiver 3-4 folhas;
  • Rotação: Boa cultura intermédia; devem seguir-se culturas como as couves, cenouras, beterraba e feijão;
  • Consociações: Couve, tomate, alface, cebola, alho-francês, beterraba, aipo, alcachofra, milho, nabo ou rabanete;
  • Amanhos: Monda de ervas; sachas quando a planta tiver dez a 12 folhas;
  • Regas: Aspersão, na altura da sementeira e quando não chover durante mais de 15 dias.

Entomologia e patologia vegetal:

  • Pragas: Afídios, lagarta-das-folhas, larva-mineira, nematodes, caracóis e lesmas;
  • Doenças: Oídio, míldio, murchidão das plantas;
  • Acidentes:Espigamento precoce (temperaturas maiores que 33 ºC), pouco tolerante à acidez.

Colheita e utilização:

  • Quando colher: Assim que as “rosetas” fiquem boas, pode cortar-se pelo colo (quando a planta tiver 5 cm de altura). A colheira deve ser gradual (folha a folha), podendo efetuar quatro cortes de rosetas, pois elas voltam a crescer. Colher entre dezembro e março;
  • Produção: Cada planta produz 25-30 cabeças em 3 m de fila. A produção e de 1-2 kg/m2;
  • Condições de armazenamento: Não é aconselhável conservar e deve-se consumir assim que corta. A temperatura deve ser 0-1ºC com HR de 98-100%, durante 2-3 semanas;
  • Valor nutricional: Fonte de vitamina A, B6, B9 (ácido fólico) e C. Rica também em potássio, magnésio, ferro e zinco. Rica em clorofila e fibras;
  • Época de consumo: Inverno;
  • Usos: Fresca, nas saladas, ou cozinhada, em sopas e omeletas e arroz. Devem consumir-se as folhas mais verdes e escuras, pois estas contêm mais nutrientes. Serve também de alimento para todo o gado, que a come com avidez;
  • Medicinal: Diurética, hidratante, laxativa;
  • Conselho de especialista: Boa planta para entrar em consociação ou num esquema de rotação, para ocupar um espaço durante pouco tempo. Substitui a alface nas saladas de inverno e é muito rica em ferro (quase igual ao espinafre). Um pacote de sementes de 6 g é suficiente para uma família durante o ano.

Ficha técnica:

  • Nomes comuns: Canônigos, canónigos, valerianela, alface-da-terra, alface-de-coelho, alfacede-cordeiro, erva-dos-gatos, alface-do-campo, erva dos conegos, alface-do-milho;
  • Nome científico: Valerianella locusta ou Valerianella olitoria;
  • Origem: Região do Mediterrâneo;
  • Família: Valerianáceas;
  • Características: Planta anual herbácea, com folhas alongadas, opostas de cor verde-clara ou escura, podendo chegar aos 20 cm de altura. As flores são pequenas, brancas ou esverdeadas. Os frutos são mais largos do que compridos. Trata se de uma espécie indígena que se encontra muito nos campos de cereais.

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