Ornamentais

Dicas para ter plantas tropicais no exterior

Na zona sul de Portugal, consegue-se ter uma série de plantas tropicais no exterior, criando-se ambientes exóticos, luxuriantes e fáceis de manter.

1. Orientação solar e temperatura

Uma das condicionantes para ter sucesso é a regulação na exposição dos exemplares à luminosidade e temperaturas extremas, quer sejam muito quentes ou muito frias. O ideal será encontrar uma posição no jardim com exposição solar orientada a sul ou sudeste, protegida com uma cobertura ou abrigada de situações meteorológicas adversas pelo efeito de uma parede ou muro, pois ajudará a conservar a temperatura, humidade, protegendo das fortes correntes de ar.

Estas condições serão importantes nos meses mais frios, em que se torna imprescindível promover situações que melhorem o ambiente em que as plantas estão expostas.

Retirar todas as vantagens na recuperação de calor através dos efeitos mecânicos é outra função essencial, sobretudo no inverno, a ter em consideração; a amplitude térmica revela-se uma ferramenta importante para saber se estamos perante a eventual possibilidade de cultivar espécies tropicais num determinado local ou região do País.

Queremos com isto dizer que, se a temperatura máxima diurna perdurar somente meia hora, terá menor capacidade de acumular calor num muro do que se se mantiver por três horas. A acumulação de energia e a sua posterior irradiação, que manterá um ambiente mais quente durante a noite, variam naturalmente conforme o aquecimento diário, por exposição solar, e a capacidade de retenção da parede ou muro. Esta equação não é somente válida para o mesmo local sujeito a registos de temperatura máxima que poderá variar diariamente − como exemplo, durante sete dias corridos, a temperatura máxima de inverno ocorre apenas 20 minutos em seis dos sete dias, enquanto num único dia se verifica por duas horas, com menos ineficácia do que se forem registados valores opostos −, mas também importa conhecer os registos de temperatura máxima diária nos meses mais frios do ano. Assim conseguiremos avaliar as possibilidades de cultivar espécies tropicais mais ou menos tolerantes a um ponto geográfico específico do País e criar o ambiente mais adequado para o cultivo.

Em Portugal, conseguimos criar jardins tropicais em Lisboa, ao longo de toda a costa do Estoril, em locais muito reduzidos de Sintra e litoral algarvio. Embora não revelem tolerância ao frio e geada prolongada, muitas espécies tropicais são viáveis, pelo que mesmo nestas zonas geográficas do País com características climáticas aproximadas deveremos ter mais cuidado na sua proteção no inverno.

2. Humidade

Este é sem dúvida um dos fatores que mais contrariam o cultivo de espécies tropicais, pois os nossos verões são demasiado secos e ventosos enquanto os invernos são frios e húmidos.

As correntes de ar são a característica meteorológica mais difícil de contornar pela desidratação que causam. A única forma de aumentar e manter a humidade é regar de forma abundante e frequente. A pulverização não é eficaz se não molhar intensamente as plantas. Este cuidado é imprescindível para os exemplares cultivados de forma epífita ou montados em estruturas como ramos de árvores ou muros, mesmo quando chove, para que se mantenha o nível de humidade que as plantas não entrem em stresse.

3. Rega

O ideal é fazer-se uma rega por alagamento, para permitir que toda a terra ou substrato encharque, para que a água seja absorvida lentamente e que se evapore também de forma lenta. Assim as plantas têm mais probabilidades de absorver toda a água de que necessitam. A rega mais eficaz é “a balde” para garantir um lençol de água bem distribuído e infiltrado sobre o terreno. Se optar por mangueira ou regador, tem de assegurar-se que o substrato fica completamente coberto de água. Se possuir rega automática ,terá de ser por pulverização durante pelo menos 30 minutos e dimensionada para as necessidades das plantas tropicais.

4. Recipientes

Se plantar no terreno, este problema não se coloca, mas, se plantar em floreiras ou vasos, terá sempre de garantir que os mesmos possuem excelente drenagem, pois de outra forma as plantas vão sofrer de problemas de asfixia radicular por água estagnada e apodrecida, naturalmente em excesso. A conjugação de água em excesso com baixas temperaturas provoca a morte das plantas em poucas horas.

5. Substrato

Quando cultivamos em floreiras ou vasos, as plantas só vão ter à sua disposição os nutrientes que compuserem o substrato e por um tempo limitado, geralmente bem reduzido. A escolha de um substrato bem drenado, com uma boa estrutura e textura, rico em matéria orgânica e com alguma capacidade de retenção de água é por si só garantia para o sucesso do bom desenvolvimento das plantas. O ideal é adquirir já um substrato apropriado para as plantas tropicais e, de preferência, enriquecido com adubo que garanta as necessidades da planta nos primeiros meses.

6. Adubação

O ciclo da natureza da floresta responde a todas as necessidades de nutrientes das plantas através da decomposição de seres animais e vegetais mortos, garantindo a matéria orgânica e os nutrientes necessários às plantas vivas. Quando plantamos em vasos ou floreiras, este efeito está comprometido. Se o substrato escolhido não for ricamente adubado, aquando da plantação deve fazer-se uma adubação de fundo, com um adubo, de preferência orgânico ou de libertação controlada. Depois, pelo menos duas vezes por ano, é importante adicionar-se adubo e/ou matéria orgânica.

7. Agrupar as plantas

As plantas tropicais estão habituadas a viver em comunidade, em zonas de grande densidade e competição natural em que as plantas maiores ensombram as menores, protegendo-as do sol direto e criando as condições ideais para o seu desenvolvimento. Ao agrupar, os exemplares ajudam-se entre si e, além de se criarem efeitos de sombra e redução de choques pela exposição solar, aumentam a humidade disponível, graças à sua evapotranspiração. Têm também um efeito de desaceleração do vento e de proteção do excesso de calor. Além de todas estas vantagens, há ainda o fator estético, uma vez que um conjunto de plantas tropicais, com a sua paleta de tons de verde, formas e texturas, produz maior e melhor efeito visual.

8. Limpeza das plantas

Todos os anos, no final do inverno, é conveniente fazer uma limpeza, removendo folhas e ramos secos para que as plantas se renovem. Não é conveniente fazer esta limpeza antes do inverno, pois muitas vezes estas folhas e ramos mortos ajudam a proteger as plantas do frio do inverno, que é sem dúvida o grande problema no cultivo de plantas tropicais em exterior no nosso País.

9. Mudança de vaso e reposição de substrato

A plantação em vaso ou floreira exige uma mudança de vaso ou, no limite, repor o substrato, pois só dessa forma garantimos que as plantas se desenvolvem em boas condições fitossanitárias. É fácil perceber que o substrato está esgotado quando os exemplares cessam o crescimento, mostram os primeiros sinais de stresse ao estiolar, as folhas diminuem de dimensão e amarelecem por deficiência de nutrientes. Para quem quiser começar a fazer o seu jardim tropical exterior, aqui ficam•algumas das plantas mais fáceis para começar.

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