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Distúrbios nutritivos das plantas

Saiba quais as necessidades de nutrientes das plantas e como identificar a falta destes.

Os elementos nutritivos são indispensáveis aos processos físicos e fisiológicos das plantas. Deles dependem processos como a fotossíntese, a síntese de proteínas, o crescimento vegetal, a respiração celular, a abertura e fecho dos estomas, a expansão celular, a lenhificação dos tecidos, ou a frutificação. Influenciam também a suscetibilidade a geadas e doenças.

Desta forma a correta gestão por parte das plantas do complexo nutritivo é da máxima relevância, caso contrário, diversos processos fisiológicos vitais podem ser comprometidos.

Macronutrientes

As plantas necessitam de grandes quantidades de três nutrientes, o azoto (N), o fósforo (P) e o potássio (K), designados assim por macronutrientes principais. Necessitam ainda de outros nutrientes, nomeadamente cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S), embora em quantidades inferiores aos primeiros, chamados macronutrientes secundários.

O azoto

O azoto é o quarto elemento mais abundante nas plantas e aquele que mais frequentemente limita o crescimento vegetal. A deficiência de azoto traduz-se por folhas inferiores pálidas e amarelecidas, toda a planta fica com um tom verde mais claro, as ramificações são reduzidas.

Com o excesso de azoto, as folhas ganham um tom verde-escuro, a floração é retardada e aumenta a suscetibilidade a geadas e doenças.

O fósforo

O fósforo é o segundo elemento que mais frequentemente limita o crescimento vegetal. A deficiência de fósforo está associada a menor crescimento, e as folhas mais velhas ficam verde-escuras ou avermelhadas. O superavit é raro, a sua presença acelera a maturação e aumenta a estabilidade dos caules.

O potássio

O potássio é o terceiro elemento que mais frequentemente limita o crescimento vegetal. Regula a abertura e fecho dos estomas e a expansão celular, sendo necessário para a síntese de proteínas. Aumenta a tolerância ao frio, às geadas e às doenças. As plantas carentes em potássio apresentam manchas cloróticas nas margens das folhas mais velhas, que mais tarde necrosam. Os excessos do nutriente são raros, mas podem interferir com a absorção de magnésio.

O enxofre

O enxofre faz parte da estrutura das proteínas. A deficiência de enxofre provoca o amarelecimento das folhas mais jovens progredindo para as mais velhas e a floração é reduzida. Um superavit de enxofre leva ao nanismo folear e consequente desfolha.

O cálcio

O cálcio está associado às paredes e membranas celulares. Os sintomas da deficiência de cálcio surgem nas folhas mais jovens da planta, com a morte do ápice vegetativo e necroses dos frutos (tomateiro). O excesso de cálcio pode interferir com a absorção de magnésio e de potássio, pode reagir com o enxofre e fósforo e criar compostos insolúveis.

O magnésio

O magnésio faz parte da estrutura da clorofila, estimulando a fotossíntese. A deficiência de magnésio caracteriza-se por menor crescimento, clorose entre as nervuras das folhas, progredindo das mais velhas para as novas e a floração é reduzida. Raramente se verifica a ocorrência de superavit.

Micronutrientes

Outros elementos que as plantas requerem, contudo ainda em menores porções, designados, por isso, designados por micronutrientes são o boro (B), o manganês (Mn), o ferro (Fe), o zinco (Zn), o cobre (Cu) e o molibdénio (Mb). Cada um destes elementos minerais ou nutrientes possui uma função no desenvolvimento vegetal e como tal todos eles são relevantes.

O ferro, o manganês e o zinco

As deficiências de ferro, manganês e zinco são vulgares em solos calcários, enquanto a toxicidade de man-ganês é frequente em solos ácidos ou alagados. Estes micronutrientes são importantes para vários processos metabólicos, como a fotossíntese, a respiração celular, a lenhificação dos tecidos e a frutificação. As deficiências de ferro conduzem a margens das folhas enroladas para cima, e as folhas mais jovens murcham. Trata-se de elemento tóxico quando em excesso, no qual o crescimento é parado, as raízes ganham uma cor escura e acabam por morrer.

As carências de manganês conduzem ao amarelecimento intervenal e à deformação das folhas mais jovens. O superavit deste elemento reduz o crescimento das plantas e surgem pontos necróticos nas folhas.

As deficiências em zinco levam a um amarelecimento das folhas mais jovens entre as nervuras e à redução do crescimento vegetal. O excesso de zinco bloqueia a absorção de ferro e poderá causar a morte da planta.

O boro

A deficiência de boro surge em solos sujeitos a intensa lixiviação e nos solos calcários. A toxicidade de boro está associada a solos de origem marinha, a água de rega rica no elemento ou à aplicação ao solo de resíduos sólidos urbanos.

A escassez manifesta-se pela morte das novas ramificações, as folhas ficam torcidas com algumas manchas de tom mais claro, ao passo que o excesso produz um amarelecimento da ponta das folhas seguido de necrose com desfolha.

O molibdénio

A deficiência do molibdénio pode surgir em solos ácidos e produz deformação das folhas com tendência para se torcerem para cima. A toxicidade deste elemento induz descoloração das folhas e, em grandes concentrações, as folhas poderão adquirir um tom laranja.

O cobre

A escassez de cobre nas plantas leva ao amarelecimento das flores, podendo estas posteriormente passar a uma tonalidade esbranquiçada. Com o excesso de cobre, as folhas ganham um tom bronze com pontos necróticos.

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