Jardim

Festivais de jardins em Ponte de Lima e Allariz

Conheça o 17.º Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima, subordinado ao tema Os jardins e as alterações climáticas, e o 12º Festival Internacional de Jardins de Allariz.

Seja amigo do clima

Seja amigo do clima

No Parque dos Labirintos, berço do festival, pelas 17h30m de dia 27 de maio, abriram-se as portas ao público, este ano com a presença das deputadas da Galiza María Corina Porro Martínez e Teresa Egerique Mosquera.

O presidente da câmara de Ponte de Lima, Vasco Ferraz, anfitrião do festival, rodeou-se também dos autores dos jardins, do júri, patrocinadores e outras entidades, que compareceram a esta 17.ª edição, alusiva às alterações climáticas.

A atualidade determina o tema do festival – assim, as alterações climáticas são o fio condutor destes 11 jardins, cujas propostas foram escolhidas pelo júri e executados no “Parque dos Labirintos”, junto ao rio Lima. Os jardins são o meio para esta reflexão sobre a crise climática e as consequências da ação humana sobre o planeta. A par deste evento, complementando-o desde 2015, temos a VII Edição do Festival Jardins Escolinhas, que conta com a participação dos alunos das escolas do ensino básico do concelho de Ponte de Lima.

Em 2005, arrancou a 1.ª edição do Festival de Jardins; nas suas 16 edições anteriores, o FIJ recebeu mais de um milhão e 500 mil pessoas, e um total de 676 propostas, provenientes de 31 países, nomeadamente Portugal, Espanha, Inglaterra, Áustria, França, Países Baixos, Polónia, Itália, República Checa, Sérvia, Brasil, Japão, China, Argentina, Roménia, Suíça, Irlanda, Escócia, Dinamarca, Austrália, Rússia, Líbano, Bélgica, Venezuela, Chile, Colômbia, Irão, Canadá, Grécia, Noruega e Estados Unidos da América. Estima-se que mais de 100 mil pessoas acorrerão ao festival, que termina no próximo 31 de outubro deste ano.

Convém destacar a sustentabilidade deste evento. Anualmente, cada criação é feita quase exclusivamente com materiais reciclados. Além da economia de recursos, é um sinal de um comprometimento com o ambiente, anulando todo e qualquer desperdício.

A sustentabilidade económica e ambiental é uma regra neste Festival de Jardins e no Parque Urbano que o acolhe, assim como em toda a estrutura verde de Ponte de Lima.

21 foram as candidaturas a este festival de 2022, oriundas de 13 países: Áustria, Polónia, Itália, Alemanha, Brasil, Escócia, Espanha, Luxemburgo, Noruega, Portugal, República Checa e Roménia.

11 foram os jardins selecionados, que descreveremos, porém nunca substituindo uma visita a Ponte de Lima. O 12.º jardim foi o vencedor do ano anterior – Jardim do Diálogo.

Jardins saudáveis foi o tema escolhido para o ano de 2023, na 18ª Edição do Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima.

Seja amigo do clima e da abelha selvagem

Alemanha/Áustria

A proposta da University of Natural Resources and Life Sciences, de Viena de Áustria, assinala o efeito das alterações climáticas na biodiversidade – duas crises que se cruzam na atualidade, pondo em risco a Humanidade. Neste jardim apontam-se causas para a diminuição da abelha selvagem e da sua importância na polinização, logo na agricultura; estima-se que três quartos da produção global de alimentos estejam em risco caso não se protejam os habitats desta espécie. 

As abelhas sofrem com a diminuição dos campos floridos, com o uso excessivo de pesticidas e devido às alterações climáticas, que condicionam os ecossistemas naturais. Proteja esta espécie recorrendo à criação de zonas-piloto com prados floridos, mas também com Cistus salviifolius (esteva), Genista tridentata (carqueja), Lupinus sp, entre muitas outras espécies vegetais.

A água da vida

A água da vida

Água da vida

Polónia

Esta proposta da Vistula University foca-se na água como a base do equilíbrio biológico da Terra e dos seres humanos. Na composição, um tanque circular ocupa o centro da espiral, uma metáfora para a procura de água em muitas zonas do globo, pois a sua distribuição é muito assimétrica.

É urgente uma mudança nos hábitos tanto a nível doméstico como na indústria, na agricultura ou no turismo, grandes consumidores de água.

Revitalização do património hidráulico minhoto

Exemplo(s) de uma arquitetura sustentável – Portugal

O património hidráulico minhoto está em destaque neste jardim.

Anos de abandono levaram esta equipa portuguesa a dar-lhe atenção e propor novos usos para os poços, tanques e levadas, integrando-os na paisagem. “Através da preservação deste património identificamos a salvaguarda de valores materiais e imateriais, fontes de conhecimento construtivo e de um saber ligado à tradição”, dizem as autoras.

O jardim desmoronado

O jardim desmoronado

O jardim desmoronado

Polónia – Vístula University

“Aqui jaz o Jardim Desmoronado.“ Eis a forte mensagem de Arek Malinowski, estudante de Arquitetura da Polónia.

Uma construção cinzenta ocupa o centro da composição, “empurrando” o jardim para a periferia. A desflorestação continua imparável, a destruição de ecossistemas naturais é uma constante, com a consequente diminuição da biodiversidade. Há que fazer ressuscitar o jardim!´

Jardim mutante

Portugal

“Jardim Mutante representa as alterações climáticas como um caminho, convidando o visitante a experienciar as sensações provocadas pelas alterações de cor”, dizem os autores portugueses deste projeto-escultura. Uma estrutura em ferro é envolvida por fio e cordas de diferentes cores.

Entramos no túnel, cujas paredes coloridas indicam as temperaturas do planeta; no início, as cordas azuis indicam as temperaturas mais amenas dos últimos 100 anos; o amarelo e o vermelho anunciam o aumento da temperatura média, devido à emissão dos gases para a atmosfera, especialmente o CO2 (dióxido de carbono).

Jardim polinizador

Jardim polinizador

Jardim polinizador

Portugal – Luxemburgo

Uma proposta “estética, ecológica e educativa” que assinala a importância das abelhas selvagens, polinizadoras, na reprodução das plantas.

Os prados floridos são da maior importância para a sobrevivência desta espécie, assim, esta parcela é uma explosão de cores através da plantação de plantas vivazes e anuais.

Um conjunto de esculturas, simbolizando abelhas, borboletas, gorgulhos, em silhuetas frágeis, que anunciam a diminuição progressiva destas espécies. As silhuetas humanas revelam a nossa responsabilidade no processo, mas também a nossa vulnerabilidade perante as alterações climáticas. A estrutura central representa o planeta Terra, bastante maltratado pelo Homem.

À beira do amanhã

República Checa

O planeta Terra, estilizado, ocupa o centro do jardim, sofrendo o impacto lento, mas contínuo, das atividades humanas sobre a Natureza. A pressão urbana, retratada pelas colunas amarelas, exerce um grande impacto nos sistemas naturais, com a diminuição da biodiversidade, pondo em risco a nossa sobrevivência. As alterações climáticas são também referidas como a consequência dos efeitos da ação humana sobre o planeta.

Jardim do diálogo

Jardim do diálogo

Jardim do diálogo

República Checa – Espanha

Este foi o jardim mais votado pelo público em 2021, sob o tema As Religiões nos Jardins. Sete religiões estão refletidas em sete jardins – islâmico, cristão, judeu, o jardim do taoismo, hindu, budista e, por fim, o jardim étnico.

A proximidade dos jardins reflete a tolerância e o diálogo entre as várias crenças religiosas. Ocupando o centro, a oliveira simboliza a paz nas tradições judaicas e cristãs.

O jardim da evolução

Escócia – Espanha

As autoras desta proposta pretendem retratar simbolicamente a evolução das plantas consoante as mudanças climáticas.

Assim temos:

– Era Siluriana, com o Jardim dos Fungos, gigantes, que podiam atingir oito metros de altura, representados pelas esculturas em madeira; as plantas terrestres eram pequenas e a plantação de cavalinha simboliza a flora da altura.

– Era Carbonífera e Gimnospérmicas, representada por plantas perenes e lenhosas, que não produzem flores, apenas sementes, como as cicadáceas; era o tempo dos dinossauros. Com o arrefecimento da atmosfera, deu-se o aparecimento das Angiospermas ou plantas com flor, durante a Era Cretácea, ocupando a 3.ª área do jardim, com a magnólia a simbolizar as plantas de flor.

– Era Holocénica, na 4.ª e última área do jardim, onde as gramíneas proliferam, com o trigo a assumir esse papel.

Este jardim pretende demonstrar a adaptação das plantas ao longo da “história” da Terra durante milhões de anos; presentemente, as alterações introduzidas pelo Homem são tão rápidas e nefastas para o planeta que o caminho inverso até ao reino dos fungos gigantes pode ser uma triste realidade.

Jardim da reflexão

Jardim da reflexão

Jardim da reflexão

Brasil – Espanha

O aparecimento do Homem (os fósseis mais antigos do Homo sapiens datam de há 300 mil a 350 mil anos, em Jebel Irhoud – Marrocos) e a sua vontade de domínio da Natureza, especialmente após a Revolução Industrial, conduziu-nos até aqui.

Este jardim, palco de reflexão apresenta-se ao visitante deste modo:

– a entrada é feita por uma estrutura alta, em cujas paredes estão gravadas as espécies extintas ou em vias de extinção; à desolação e à escuridão segue-se o espaço ao ar livre, envolto pelas plantas, num sinal de esperança. Terminamos num espelho de água, num apelo à preservação deste recurso natural.

Eis uma reflexão sobre as consequências nefastas do domínio do Homem sobre a Natureza, mas também sobre o surgimento de uma tomada de consciência ecológica.

Convívio

Itália

A composição do jardim apresenta elementos que associamos ao convívio, ao estreitamento de laços de amizade e também à troca de ideias.

O jardim divide-se em três áreas, ou “pétalas”, cada uma com o seu significado. Na 1.ª, surge o alerta para a poluição terrestre. Na 2.ª pétala, somos interpelados para a produção de alimentos de uma forma sustentável. Por último, deparamo-nos com um jardim idílico, fruto de uma ação responsável sobre o meio ambiente. Neste jardim, o tabuleiro de xadrez, a esfera florida, o caminho de água ou em troncos de madeira ilustram o paraíso terrestre, mas também uma atitude responsável perante a Natureza.

Cada passo Dado

Cada passo Dado

Cada passo dado

Áustria – University of Natural Resources and Life Sciences – Viena

A crise climática sente-se no nosso quotidiano – cheias, incêndios devastadores, aumento das temperaturas e do nível do mar, com o recuo dos glaciares.

Esta proposta enfatiza o nosso comportamento, pois todas as decisões têm consequências. Há opções que nos conduzem a um “Melhor Cenário”, enquanto outras vão desembocar no “Pior Cenário”.

Letreiros com letras vermelhas sinalizam as nossas escolhas: EU CULTIVO A MINHA COMIDA; EU RECICLO O LIXO; EU USO UMA BICICLETA; EU USO FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS; ou o seu inverso…

A escolha é também do indivíduo e O NOSSO FUTURO COMEÇA AGORA.

XII Festival Internacional de Jardins de Allariz

O festival nasce da vontade da autarquia, do seu presidente e de vários técnicos do ambiente em dotar a vila de um evento ligado aos jardins, à arte, ao paisagismo, à Natureza, pois Allariz foi declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO, em 2005, pelos seus valores culturais e pelo uso sustentável da terra, na conservação da flora e da fauna. Este evento ligado aos jardins iniciou-se em 2010, situando-se na margem direita do rio Arnoia, num parque com cerca de quatro hectares, que integra 12 jardins efémeros, sob o tema Jardins Terapêuticos – Desenhos que Curam.

Os seus autores, jovens paisagistas, arquitetos e pintores, são provenientes da Galiza, de Madrid, mas também da Áustria, Noruega, Itália, Colômbia, Itália, Montenegro e USA. A exposição estará aberta até 31 de outubro, tal como em Ponte de Lima.

O tema para 2023 é um interessante desafio: A Volta ao Mundo em 11 Jardins.

 

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