Do sono verde

capa do livro do sone verde
interior do livro do sono verde

Um livro para crianças que deve ser lido por adultos

Se a memória não me atraiçoa, foi em 2011 que li pela primeira vez os 32 belos poemas escritos pela Luiza Helena, que dão corpo ao livro Do Sono Verde.

Lembro-me das conversas ao longo de duas tardes no Museu de Arte Sacra, em que a Luiza questionava se aqueles poemas poderiam contribuir para ajudar a ver e a tratar com mais carinho os jardins, as quintas, os parques e a paisagem da nossa ilha abençoada. Falamos da sua preocupação em conciliar a poesia com as leis da Natureza; da necessidade dos poemas serem acompanhados dum glossário que desfizesse eventuais dúvidas e incompreensões.

Assim, comprometi-me a ajudá-la no glossário dos termos referentes à botânica e à fitogeografia. Uma tarefa que realizei com muito gosto, por amizade à autora e por que estava certo de que a publicação seria um estimulante contributo para a educação ambiental, um poético manifesto em prol da paisagem natural e cultural da Madeira.

Por razões que desconheço, só agora ocorreu o despertar de Do Sono Verde. Quinze anos volvidos, reli com enorme prazer os 32 poemas. Após uma leitura pausada, continuei a vivenciar o murmúrio da água nos riachos, as gotas de orvalho nos ramos das árvores e nas folhinhas dos trevos, as melodias dos melros pretos, o bater de asas das borboletas e o voo nervoso das abelhas em busca de néctar e pólen, a sombra do vetusto til, os carvalhos despidos de folhas, as flores douradas das mimosas, a deslumbrante chama da floresta, os caules roliços das plumérias e dos dragoeiros, as rosas, os lírios, a algazarra da miudagem a brincar às escondidas, os raios solares coados pelo arvoredo, as luzes do despertar e do fim do dia.

Luiza Helena pinta de forma muito impressiva o corpo e a alma do jardim. Sobretudo, dos jardins madeirenses, que temos o sagrado dever de conservar e restaurar. O valor dos livros não se mede pelo volume, pelo número de páginas. Este é um pequeno livro com uma enorme mensagem. Os poemas são alertas contra a indiferença. São lentes que nos ajudam a clarear a vista e estimulam a vontade de agir em prol dos jardins e da Madeira, nosso jardim primeiro.

Em suma, que estas 32 sementes encontrem espíritos férteis e contribuam para a germinação de uma melhor consciência ecológica.

Sobre a autora

Luiza Helena Clode, que assina a sua obra literária para a infância como Luiza Helena, nasceu no Funchal a 8 de janeiro de 1936. Foi diretora do Museu de Arte Sacra do Funchal até 2014, onde criou os serviços educativos em 1994.

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