Ornamentais

Anguloa, as fascinantes orquídeas-tulipa

No final do séc XVIII, quando os espanhóis Hipólito Ruiz López e José Pavón y Jiménez regressaram da expedição botânica de 11 anos pelo Peru e Chile publicaram, em 1794, a obra “Flora Peruviana e Chilensis”. Nesse registo, os dois botânicos descrevem pela primeira vez o género Anguloa, nome dado em honra de D. Francisco de Angulo, diretor geral das minas do Peru na altura da expedição e um grande admirador das orquídeas peruanas.

As Anguloa encontram-se principalmente em países do norte da América do Sul (Colômbia, Equador, Venezuela, Peru e Bolívia). Crescem no solo florestal a altitudes que podem chegar aos 3.000 m. São principalmente plantas terrestres ou litófitas mas podem crescer ocasionalmente de forma epífita.

Uma das principais diferenças entre as Lycaste e as Anguloa reside no tamanho da planta. As Anguloa são muito maiores com pseudobolbos ovais e carnudos podendo atingir os 24 cm de comprimento.

Da base dos pseudobolbos crescem entre duas a quatro folhas lanceoladas e plicadas que, numa planta adulta, podem atingir um metro de comprimento

As folhas são decíduas e caem normalmente quando começam a crescer os novos pseudobolbos. As hastes florais são, ao contrário das Lycaste e Ida, sempre verticais e dão uma ou, muito raramente, duas flores.

Cultivo

A forma da flor proporcionou a origem dos nomes comuns pelo qual são conhecidas, “orquídea tulipa” ou “orquídea berço”. São flores globulosas ou sub-globulosas, dando o aspeto de estarem sempre meio fechadas com o labelo escondido no seu interior. São também flores grossas de aspeto ceroso que podem ser brancas, esverdeadas, em vários tons de amarelo, rosa até ao vermelho. Algumas são ponteadas.

Geralmente, as Anguloa de flores brancas dão até seis hastes florais por pseudobolbo. As mais coloridas podem chegar às 12 hastes por cada pseudobolbo. As flores têm um cheiro intenso durante o dia, lembrando o cheiro da canela. A coluna da flor tem quatro polínias e a polinização no habitat natural é feito por abelhas do género Eulaema.

O seu cultivo é muito semelhante ao cultivo das Lycaste, com temperaturas temperadas e muita humidade. Por serem normalmente plantas de maior porte, perdem mais água por transpiração e devemos ter em atenção as regas e a humidade ambiente. Usam-se normalmente vasos de barro ou plástico com uma boa base para evitar que a planta caia e se parta. Os vasos de plástico mantêm o substrato húmido durante mais tempo.

As misturas de substrato devem absorver bem a humidade e nunca deixar as raízes secar totalmente. Uma mistura de três partes de casca de pinheiro fina e uma parte de perlite é o suficiente mas há quem também aconselhe o uso de musgo de esfagno. No entanto, cada leitor terá que ver as condições onde cultiva as suas plantas. O que não se deve esquecer é que a planta deverá ser regada assim que o substrato comece logo a secar.

Condições ambientais

As Anguloa gostam de boa luz, mesmo no inverno. Se cultivadas em casa, deve escolher o local mais luminoso. Caso estejam numa estufa devem ser colocadas nas prateleiras mais altas ou mais perto da luz. No entanto, deve evitar o sol forte direto sobre as folhas.

Se comprar plantas pequenas, que são mais baratas, reserve alguma paciência para esperar pelas florações que normalmente aparecem quando a planta já tem alguns anos e alguns pseudobolbos maduros.

Um bom cultivo e uma fertilização regular são os passos indicados para termos plantas mais saudáveis e podermos assim ter florações antecipadas.

Para quem se queira aventurar no cultivo de Lycaste, Ida e Anguloa, aconselho que comecem pelos variados híbridos que existem entre estes géneros, os mais comuns são as Angulocaste e são menos exigentes e de maior facilidade de cultivo.

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