Hortícolas

Cirurgia arbórea

Cirurgião de árvores

Cirurgião de árvores

A legislação relativa à gestão do arvoredo urbano público veio criar uma série de panoramas legais, de entre os quais a profissão de arborista. Com efeito, este conceito profissional encontra-se intimamente ligado à noção de arboricultura urbana.

A arboricultura urbana é, pois, o conjunto de atividades ligadas à produção, seleção, plantação e manutenção do arvoredo urbano. Por analogia com as escolas de arboricultura inglesa e francesa, no início do século XXI, surgiu entre nós a designação de cirurgiões de árvores. Na verdade, este termo foi utilizado durante demasiado tempo para designar os profissionais que se dedicavam maioritariamente à poda de árvores com recurso a técnicas de escalada. A cirurgia de árvores deverá ser entendida como um ramo da arboricultura que atua sobre a manutenção do arvoredo.

As principais tarefas englobadas na cirurgia de árvores podem subdividir-se em cirurgia preventiva e em cirurgia curativa. A poda, a avaliação da estabilidade biomecânica, a consolidação biomecânica, a fertilização e o controlo de pragas e de doenças podem ser englobados na cirurgia preventiva. Já na cirurgia curativa podem ser considerados o tratamento de lesões, o tratamento de cavidades, a poda, a fertilização e o controlo de pragas e de doenças. Tendo em conta que os temas da poda, da fertilização e do controlo de pragas e de doenças têm vindo a ser abordados noutras edições, na presente edição dar-se-á atenção ao tratamento de lesões e, nos próximos artigos, abordar-se-ão as cavidades e a consolidação biomecânica.

Lesões

As feridas na casca das árvores podem ser atribuídas a diversos fatores, nomeadamente, o esgaçamento de pequenos ramos, colisões de veículos, atos de vandalismo, realização de obras, sendo esta última bastante recorrente.

A casca constitui um tecido protetor do lenho, sendo que na ausência da casca o lenho fica exposto aos elementos climáticos e bióticos. Entre o lenho e a casca existe um tecido vegetal da maior importância, o câmbio vascular. O câmbio é responsável pelo engrossamento do tronco e ramos, ou seja, anualmente produz para o interior do tronco ou ramos mais uma camada de lenho e para o exterior do tronco, ou seja, no sentido da casca produz uma nova camada de floema, sendo este um dos componentes a casca.

Quando ocorre uma lesão ou ferida no tronco com remoção de casca, verifica-se a ausência de câmbio na secção da ferida, ou seja, não há qualquer tipo de recobrimento no interior da ferida. Este recobrimento verifica-se apenas na periferia da ferida, isto é, onde o câmbio vascular está presente. Sendo as feridas locais de entrada de agentes externos, é conveniente que o recobrimento total da ferida se verifique o mais rapidamente possível, assumindo marcada relevância a extensão do perímetro da ferida, sendo que a um perímetro maior corresponderá um maior tempo de recobrimento da ferida e maior exposição aos agentes externos.

Recobrimento de ferida

Recobrimento de ferida

Tratamento

Uma forma de reduzir o perímetro da ferida consiste em remover, através de corte, as irregularidades da casca provocadas pela lesão com recuso a formão ou a goiva afiados. O corte deve ocorrer cerca de 5 cm atrás dos bordos irregulares de forma a remover toda a casca desligada do lenho e promover a ação do câmbio vascular ativo. A regularização das feridas deve consistir numa relação de compromisso entre a menor área da ferida com lenho exposto e regularidade da margem da ferida.

Como medida complementar poder-se-á aplicar pasta bordalesa nas feridas, uma vez que o cobre tem propriedades fúngicas e limitará no imediato a ação de agentes bióticos. Em alternativa, poder-se-á aplicar outro produto fúngico disponível no mercado.

 

Texto: Rui Tujeira

 

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