Aromáticas e Medicinais

Cultura do hortelã-pimenta

Hortelã-pimenta

  • Nomes Comuns: hortelã-pimenta; hortelã; menta picante; hortelã-forte; menta-inglesa e hortelã-piperita.
  • Nome científico: Mentha piperita L. (Mentha x piperita).
  • Origem: Europa (provavelmente de Inglaterra) e Norte de África.
  • Família: Labiadas – trata-se de um híbrido estéril do cruzamento entre M.spicata x M.aquatica.
  • Características: planta herbácea, vivaz, rasteira (0,30-0,40 cm), que em alguns casos pode atingir 60-70 cm de altura com folhas macias, de forma lanceolada e verde-escuras. Os rizomas são grossos, tenros e arroxeados. As flores são agrupadas e de cor purpúrea e aparecem no Verão.
  • Factos históricos: O nome genérico desta planta deriva da ninfa grega “Mintha”, que apaixonada por Zeus, foi transformada pela sua rival numa planta. O nome piperita, quer dizer pimenta (piper), devido ao sabor picante da sua essência. O professor romano ” Plínio”, colocou esta erva na sua lista de ervas afrodisíacas, pois segundo ele o cheiro reanimava o espírito. Os antigos Gregos utilizaram esta erva em vários tratamentos e rituais para curar problemas da voz, cólicas, vertigens, problemas urinários e no combate a venenos de cobras e escorpiões.
  • Ciclo Biológico: Perene.
  • Variedades mais cultivadas: Existem variedades crispadas, variegadas, verdes escuras, verdes claras. As mais conhecidas são a hortelã-pimenta preta (var.vulgaris)”; hortelã branca (var.officinalis Sole); hortelã crispada (“crispa”). A cultivar “Mitcham” de hortelã-pimenta preta é a mais importante a nível económico. Outras variedades tiveram origens naturais e por cruzamentos forçados, como a hortelã perfumada, hortelã com aroma e uva e chocolate, entre outras.
  • Parte utilizada: Folhas e flores.

Leia também: os benefícios da hortelã para a saúde

Condições ambientais

  • Solo: Gosta de solos areno-argilosos, francos com boa quantidade de matéria orgânica e calcário. Devem ser profundos, ligeiramente húmidos, permeáveis e com pH entre 6-7,5.
  • Zona Climática: Temperada e Subtropical.
  • Temperaturas: Óptimas: 18-24ºC
  • Temperatura critica mínima: 5ºC.
  • Temperatura critica Máxima: 35ºC.
  • Zero da vegetação: -2ºC.
  • Exposição solar: Sol pleno ou parcial.
  • Altitude: 1000-1500 m
  • Humidade relativa: média a alta.
  • Precipitação: deve ser regular.

Leia também: O meu jardim de hortelãs

Fertilização

  • Adubação: Com composto rico em estrume de vaca e ovelha. Pode ser regado com chorume de vaca bem diluído. Adubo verde: azevém, luzerna e favarola. Exigências nutritivas: 1:1:3 (de azoto de fósforo: de potássio) + cálcio.

Técnicas de cultivo

  1. Preparação do solo: Lavrar o solo superficialmente (10-15 cm) e escarificar, para ficar bem esmiuçado e nivelado.
  2. Data de plantação/sementeira: Outono/fim do Inverno.
  3. Tipo de plantação/sementeira: vegetativa por divisão de caules, que enraízam com muita facilidade.
  4. Profundidade: 5-7 cm.
  5. Compasso: 30-40 na fila e 60 cm entre as filas.
  6. Transplantação: Outono.
  7. Consociações: Junto de couves e favas, pois esta planta repele alguns afídeos e pragas das couves.
  8. Amanhos: mondas de ervas daninhas, controlar a planta para não se tornar evasiva e sachas.
  9. Regas: Por aspersão sempre que o solo esteja seco.

Entomologia e patologia vegetal

  • Pragas: afideos e nemátodos.
  • Doenças: verticillium, ferrugem e antracnose.
  • Acidentes: não tolera a falta de humidade.

Colheita e utilização

Quando colher: Um pouco antes da floração entre Junho-Setembro (para a obtenção de óleo essencial). Para as folhas podem ser feitos dois cortes anuais.

Produção: Cada planta produz 10-16 tm/ ha /ano. Condições de armazenamento: 3-5ºC durante uma semana no frigorifico.

Valor Nutricional: O óleo essencial pode chegar a 45-78% de mentol.

Usos: na culinária é utilizada para aromatizar (sabor canforado, picante e refrescante), doces, pastilhas, gelados, chocolates, bebidas, chás, e gelados. Utilizada para problemas de indigestão (estomacais), constipações e febres (antivirais), doenças fúngicas (antifungicas), insónias, dores de cabeça, dores de dentes, mau hálito e catarro.

O óleo essencial é utilizado para aliviar a comichão e como insecticida. A água de menta, também é utilizada em loções e para lavagem do rosto.

A essência desta planta ainda é utilizada para pastas de dentes, cremes e sabonetes.

Conselho técnico: Trata-se de uma cultura que gosta de zonas húmidas e nestas condições pode tornar-se invasora. Não necessita de grandes cuidados, por isso recomendo o cultivo desta aromática para os agricultores de fim-de-semana.

Gostou deste artigo? Subscreva o canal da Jardins no Youtube e siga-nos no Facebook e no Instagram.

Poderá Também Gostar