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O jardim do Museu Louisiana, em Copenhaga

Um local único a visitar pelas coleções de arte, mas também pela arquitetura e enquadramento paisagístico. Um magnífico programa a fazer se for a Copenhaga é visitar o extraordinário Museu Louisiana, a 35 quilómetros da cidade, em Humlebaek.

Passei lá um dia inteiro no mês passado, o que não é demais porque muito há para ver. Fundado, em 1958, por Knud W. Jensen (1916-2000), o Louisiana não perdeu a atualidade e é, quanto a mim, talvez um dos museus mais bonitos do mundo para se visitar.

Jensen comprou a propriedade com o objetivo de aí fazer um lugar que harmonizasse arte e paisagem e que assim levasse os dinamarqueses a gostar de ir a um museu.

O original nome do museu nada tem que ver com o estado americano, mas antes com o facto de o antigo dono ter sido casado três vezes com mulheres chamadas Louise.

Com um acervo constituído por obras de arte a partir do pós-guerra e arte contemporânea, o museu atrai público de todas as idades e é um local privilegiado para as crianças, que dispõem de espaço para correr e brincar e de ateliês de pintura onde podem exercer a arte de bem colorir.

A Arquitetura

O belíssimo casamento entre arquitetura e paisagem que encontramos no Louisiana é o resultado da colaboração de dois arquitetos dinamarqueses, Vilhelm Wohltert e Jorge Bo, com o próprio Knud Jensen. E resulta numa sensação de leveza e conforto para o visitante que poucos museus conseguem ter porque desce ao mais ínfimo detalhe, desde as madeiras claras do mobiliário ao design da sinalética.

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As coleções

Por tudo isso, ao Louisiana não se vai apenas ver as obras de arte da coleção permanente ou das coleções temporárias; vai-se para se “estar”.

É um espaço vivo, onde se pode passear por um belíssimo jardim, almoçar, assistir a conferências ou concertos, participar em workshops. A beleza do entorno e sua localização junto ao mar Báltico fazem com que atraia, nos dias de verão, não só centenas de dinamarqueses, mas também suecos, que atravessam a ponte que liga Malmo a Copenhaga, e turistas como eu.

Não cabe aqui falar da excelente coleção, nem das exposições temporárias que exibe (tive a oportunidade de ver uma com divertidas instalações da Pipilotti Rist), mas do entorno do museu, que lembra uma composição do jardim de paisagem inglês, com árvores frondosas e enormes relvados onde pontuam aqui e ali esculturas de Henri Moore, Max Ernst, Arp e Nobuo Sekine.

O jardim

A implantação do museu na paisagem impõe-se de tal forma que, num dia de sol, a nossa visita começa obrigatoriamente pelo Jardim das Esculturas, frente à loja, onde impera, junto ao mar, uma obra maior de Moore, Two Piece Reclining Figure.

Um grande e bem mantido relvado com o mar em fundo são o enquadramento perfeito para admirar a obra de arte.

As galerias do museu, cheias de luz, são um permanente convite a uma deambulação em que se hesita entre olhar para as obras expostas e lá para fora para o jardim.

Inteligentemente, os edificados mais recentes, que foram sendo acrescentados à casa original, são estruturas baixas, ligadas por passagens, todas com muito vidro, o que facilita a fruição do jardim mesmo nos dias de chuva e proporcionam espaços por onde os visitantes se movem como que percorrendo uma paisagem.

Um dos pontos mais populares de toda a propriedade é o Terraço de Calder, frente ao restaurante e com vista assim para o mar, onde se pode almoçar saudáveis saladas acompanhadas do inevitável salmão fumado admirando a paisagem e as esculturas do artista.

Imperdível é também a galeria Giacometti, debruçada sobre um lindíssimo lago romântico enquadrado por chorões, mais um efeito surpresa da composição do jardim, onde o nosso olhar hesita entre admirar o famoso Walking Man do artista e a visão para lá da parede de vidro que remata a sala.

Andar pelas galerias labirínticas do Louisiana, algumas subterrâneas, é um passeio encantado para quem gosta de arte e jardins como eu. A não perder!

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