Saiba como cultivar em modo biológico esta árvore tão decorativa e que produz frutos deliciosos e saudáveis.
Características
A romã (Punica granatum) é dos frutos mais curiosos e cultivados há mais tempo pela Humanidade. Oriunda da zona meridional e Sudoeste da Ásia (Palestina, Irão, Paquistão e Afeganistão) e Grécia. Foi levada para o Novo Mundo pelos espanhóis, primeiro para a América Hispânica e mais tarde para o território da Califórnia. Os maiores produtores mundiais são a Índia, a China, o Irão, a Turquia e o Afeganistão. A maior produtora europeia é a Espanha. Em Portugal a romã é cada vez mais cultivada, sobretudo em áreas de regadio em torno do Alqueva, mas mesmo assim o País depende na maioria de importação de Espanha e da Turquia.
Pequena árvore ou arbusto, caducifólio, que pode atingir 2-7 m de altura, de folha caduca e grande longevidade. A raiz é superficial e pode alcançar grandes distâncias. A planta dá origem a rebentos vigorosos que devem ser eliminados, deixando apenas os mais fortes (ou apenas um). As folhas são opostas e lisas com pecíolos curtos. As flores são hermafroditas (têm os dois “sexos”), aparecem nos ramos do ano, não sendo necessário mais do que uma árvore para ter frutos. Florescem de abril a julho. Os frutos têm a forma globosa, de casca coriácea, vermelha ou vermelha-amarelada, com inúmeras sementes angulosas cobertas com uma pequena camada de polpa de cor avermelhada ou rosa e ligeiramente transparente. O fruto é a parte comestível da planta, sendo também utilizadas as folhas, casca da raiz e do fruto para efeitos medicinais.
Ciclo biológico:
A árvore começa a produzir ao 3.º ano e atinge a plena produção aos 11 e pode viver até aos 100 anos.
Variedades mais cultivadas:
As variedades podem ser escolhidas de acordo com: índice de maturação (acido ou doce), tamanho, dureza das sementes, cor da epiderme e época de colheita.
Assim temos: “Mollar de Elche” (fruto largo de cor vermelha-escura), “Albar”, San Felipe”, “Cajín”(fruto grande e agridoce), “Piñón tierno”, “Dulce colorada”, “De Granada”, “Chelfi”, “Gabsi”, “Ajelbi”, “Tounsi”, “Zeri”, “Maiki”, “Tanagra”(Gregas) , “Ar-Anar”, “Selimi”, “Wardy”, “Reed Kandagar”, “Wonderful”, “Paper Shell” (muito doce e fruto largo e vermelho), “Grano de Elche” (grão de cor vermelha-escura e “caroço” pequeno), e “Grenadier de Provence”(em França).
Propriedades e usos
A romã é uma fruta saudável e rica. Muitas pessoas não apreciam consumi-la ao natural, tal como é colhida da planta, mas o seu sumo é muito apreciado, sobretudo em certas zonas da Europa e do Médio Oriente, onde teve um extenso uso culinário, sobretudo antes da introdução do tomate. Existem vários pratos tradicionais do Irão, da Turquia, do Paquistão que envolvem ouso de sumo ou outros preparados de romã.
O conteúdo das romãs é sobretudo água, mas inclui também valores elevados de vitaminas B9 (com teores mais pequenos de outras vitaminas do complexo B), C e K. Também possui uma pequena percentagem de vitamina E. Em termos de minerais, contém potássio, manganês, zinco e magnésio. Rica em vitaminas e minerais, a romã combate o colesterol e tem um grande poder antioxidante. Ajuda ainda na prevenção de doenças como a diabetes, a obesidade e a hipertensão. Fortalece o sistema imunológico prevenindo infeções e doenças virais e é anticancerígena; há quem diga que é um fruto afrodisíaco.
As sementes secas das romãs são usadas como especiaria na culinária indiana e paquistanesa, e as romãs podem também ser usadas para a preparação de bebidas alcoólicas.

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Condições de cultivo
Os climas subtropicais são os melhores (verão quente e seco) para a plantação de romãzeira, mas esta também se pode adaptar a tropicais e temperados. A temperatura ótima ronda os 15-25 ºC, devendo variar entre um mínimo de 15 ºC e o máximo de 40 ºC. Inclusive, aos -18 ºC dá-se o congelamento e a -20 ºC a planta morre. A humidade atmosférica deverá ser média ou baixa. Por último, a quantidade de água (precipitação mínima) deverá ser de 200 mm/ano, mas a ideal para produzir bons frutos é de 500-700 mm/ano.
Cultive a Punica granatum num local com boa exposição solar e em solos profundos, frescos, arenoargilosos ou argilosos, bem drenados e alcalinos. A preparação do terreno é feita ao lavrar o solo entre 50-80 cm de profundidade no verão. Depois, junte estrume bem decomposto com uma fresa.
O compasso de plantação deverá ser de, no mínimo, 6 x 4 m ou 5 x 4 m.
Propagação
A multiplicação da romãzeira é feita por estaca, com ramos entre os 6 e 12 meses de idade e 20-30 cm de comprimento e 0,5-2 cm de diâmetro. Devem ser retirados entre fevereiro e março e colocados em vasos na estufa. A melhor época para plantação é no inverno (janeiro-fevereiro), com plantas com mais de 2 anos.
Conselho de especialista
Árvore decorativa e utilizada em jardins (variedades ornamentais), gosta do clima mediterrânico, resiste à seca. Escolha uma variedade doce e faça a condução de acordo com o local (em forma de arbusto ou árvore). Também pode ser plantada em vaso. Pouco exigente na escolha do solo, adapta-se bem a terrenos pouco férteis e de pouca qualidade.

Manutenção
No geral, as romãzeiras são plantas de baixa manutenção. Contudo, sabemos que o cuidado das plantas aumenta a sua longevidade e aumenta a qualidade dos frutos, o que é de grande importância, sobretudo nos pomares comerciais.
A rega deve ser localizada (gota a gota) com 3000-6000 m3/ha/ano (nos períodos mais secos). Ademais, evite o encharcamento, deixando a terra secar entre as regas.
Após a colheita é comum fazer-se uma poda de manutenção para eliminar os ramos mortos e doentes. Posteriormente, nas plantas jovens, faz-se uma poda de formação.
Fertilização biológica
- Adubação: Estrume de peru, ovelha e bovino. Aplicar terra vegetal, adubos ricos em algas, farinha de ossos e composto orgânico.
- Adubo verde: Azevém e fava.
- Exigências nutritivas: 3-1-2 ou 2-1-3 (N: P: K) e grandes quantidades de cálcio e magnésio.
Pragas e doenças
Pragas: Zeuzera, pulgões, cochonilha, nemátodes, mosca mediterrânica (Ceratitis capitata) e ácaro vermelho.
Doenças: Alternaria, podridão do fruto e crivado.
Acidentes/carências: Rachas, “golpe de sol” (dias com altas temperaturas e sol intenso) e escaldado (aguas salinas e drenagem deficitária). Não gosta de seca prolongada seguida de chuvas intensas.
Colheita e armazenamento
As romãs são colhidas de setembro a novembro, quando adquirem o seu peso (180-350 g) e cor característicos, mais ou menos 5-7 meses depois da floração. A produção é, geralmente, de 40-50 kg/árvore/ano em plena produção. Logo, uma árvore com 11 anos pode produzir 500600 frutos.
O armazenamento deve ser feito a 5 ºC, com 85-95% de humidade relativa e etileno e dióxido de carbono controlados, conserva-se 1-2 meses.
Factos históricos sobre a romãzeira
Cultivada antes de Cristo, pelos fenícios, gregos, egípcios, árabes e romanos. No museu sobre o Egito em Berlim, podemos ver três romãs da época da 18.ª dinastia egípcia que datam de 1470 a.C. Os romanos chamavam-lhe maçã cartaginesa e era considerado um símbolo de ordem, riqueza e fecundidade. É um “fruto bíblico”, pois aparece citado em varias ocasiões no livro sagrado. Também foi apreciado pelos egípcios, pois está pintado num dos túmulos de Ramsés IV.
Em Israel, é considerada uma planta sagrada. Há inclusive uma lenda que atribui ao cálice da romã a forma da coroa do rei Salomão, que passou a ser usada por todos os reis do mundo.
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