Viagens

Por jardins de Sevilha

Vista do Pátio das Meninas envolvidos pelas fachadas do Real Alcazar, em Sevilha

Real Alcázar – Pátio das Meninas


Um destino bem perto, com um magnífico património histórico e paisagístico para descobrir.

Mesmo aqui ao lado, não se demora mais do que três horas e meia a chegar lá de automóvel. Com o meu gosto por viagens longínquas e exóticas, tenho descurado algumas preciosidades bem perto de nós e Sevilha é uma delas.

A altura do ano melhor para se ir lá é antes da Páscoa, quando ainda não há demasiados turistas e as temperaturas são amenas, sem os calores do verão, que impossibilitam uma visita tranquila e atenta. Sevilha, além da sua importância histórica, da imponência do Real Alcázar, da Torre da Giralda e da catedral, do encanto da Casa de Las Dueñas e do exemplo mudéjar da Casa de Pilatos, oferece ao
visitante muitas outras atrações ou, antes, prazeres.

Almoçar em Triana num terraço com vista para o Guadalquivir é programa imperdível e, como é um pouco longe do centro da cidade, o melhor é contratar uma carruagem de dois cavalos até ao outro lado do rio num passo lento que permite usufruir da paisagem. Os condutores, sevilhanos da gema, oferecem uma conversa com informações preciosas sobre tabernas locais, especialidades gastronómicas e tablaos menos turísticos.

Para quem goste de arte, há que visitar o Museu das Belas-Artes, o mais importante em arte espanhola a seguir ao Prado, para admirar a sua belíssima coleção de Murillo. Mas, como aqui se quer falar de jardins, a eles vamos.

 

Real Alcázar

Fotografia aérea sobre o Jardim das Donzelas em Real Alcázar, em Sevilha

Real Alcázar – Jardim das Donzelas

Antiga fortaleza do califado Almóada (1150-c.1238), a sua construção teve início no século XI, tendo, a partir do século XIII, sofrido variadas adaptações que alteraram a pureza islâmica inicial. O atual aspeto mudéjar deve-se a Pedro I, O Cruel, que, em 1364, reuniu os melhores artistas islâmicos de Granada, carpinteiros de Toledo e construtores de Sevilha para lhe construírem a residência real. O resultado é um dos melhores compêndios de arte islâmica da Península Ibérica.

Além da riqueza arquitetónica e decorativa do interior, que merece uma atenção detalhada, há que desfrutar dos jardins. O Jardim da Flores, o Jardim da Dança, o Jardim do Príncipe, o Jardim de Troia, o Jardim dos Poetas, todos eles já do século XVII, fazem um agradável exterior.

O principal espaço ajardinado é o Jardim das Donzelas, ao estilo maneirista, nada tendo que ver com a estrutura mudéjar do palácio. A  exceção a esta europeização dos jardins é o Pátio da Meninas, embora também aqui se tenha erguido um andar recriando uma galeria/loggia típica do Renascimento.

Comparado com os outros espaços verdes e pátios, o Jardim das Donzelas tem proporções monumentais e servia para que os residentes do palácio pudessem por ele passear sem serem vistos do exterior. Fontes, palmeiras e parterres de murta geométricos podem ser melhor admirados a partir da galeria que ladeia o jardim.

 

Palácio de Las Dueñas

Pátio principal envolvido pelas fachadas do Palacio de las Duenas, em Sevilha

Palácio de Las Dueñas – Pátio principal

Situado fora do bulício do centro de Sevilha, o Palácio de Las Dueñas pertence à casa de Alba desde 1612 e foi a morada principal de Cayetana de Alba já no século XX, onde se casou e veio a morrer. A vida da última duquesa de Alba (agora é o seu filho Carlos Juan que detém o titulo) está plasmada nos interiores intimistas da casa, que ostentam os seus interesses pessoais pela história de Sevilha, a sua afición bem patente na extraordinária coleção de cartazes de touradas, o seu gosto pelo tablao, os seus ensaios de pintura. Enfim, todo o seu amor pela cidade de Sevilha e por esta casa que foi a sua preferida, preterindo o muito mais sumptuoso Palácio de Liria em Madrid e faz as delícias das visitantes admiradoras de Cayetana e certamente leitoras da Hola!. Mais a meu gosto foram os espaços exteriores, com destaque para o Jardim do Limoeiro, o Pátio Principal e o Pátio do Azeite.

O Pátio Principal, datado do século XV, é um dos espaços mais emblemáticos da arte gótico-mudéjar sevilhana. Fontes e azulejos cruzam-se com vestígios arqueológicos procedentes das escavações do Palácio.

 

Casa de Pilatos

Vista sobre o Jardim Grande com fachada da Casa de Pilatos ao fundo, em Sevilha

Casa de Pilatos – Jardim Grande

Não longe das Dueñas, deparamo-nos com a Casa de Pilatos, que nada tem que ver com o dito, que nunca visitou Sevilha, mas apenas porque a distância da casa de Pôncio Pilatos ao Gólgota, em Jerusalém, era idêntica à distância entre a casa de Sevilha e a Cruz Del Campo.

Desde o século XVII na posse dos duques de Medinaceli, foi originalmente o Palácio do Governador da Andaluzia. Decorada no estilo mudéjar com elementos góticos e motivos do Renascimento, percorrer o seu interior é um regalo para quem goste da arte islâmica, sendo as dependências inteiramente revestidas de azulejos.

A casa é completada por dois jardins, sendo o Jardim Grande o mais interessante, com uma fonte central, bancos de pedra, estatuária clássica, palmeiras, buganvílias e parterres geométricos.

Para rematar uma excelente estadia duas sugestões: o restaurante Becerrita, na parte histórica da cidade (comi lá duas vezes!), e trazer
para casa as Tortas de Aceite, mas as legítimas da Inés Rosales.

 

Texto e fotos: Vera Nobre da Costa

 

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