Aromáticas e Medicinais

Ulmária: A aspirina dos boticários

A Ulmária (Filipendula ulmaria L.) é uma planta altiva e delicada, herbácea, vivaz, da família das Rosáceas. Encontra-se na Europa (excepto litoral mediterrânico), e na América do Norte e em Portugal cresce especialmente no Minho e em Trás-os Montes, em lameiros e locais húmidos.

Pode atingir 1,5 de altura, apresentando um caule robusto, duro e sulcado. Possui folhas grandes, aromáticas, compostas, verde-escuras na página superior e branca na inferior, tem estípulas em forma de meia coroa e serradas; em junho, julho e agosto dá uma flor branco-amarelada de aroma doce e perfumado algo semelhante à amêndoa. As raízes são fibrosas.

É conhecida também por erva-das-abelhas, rainha-dos-prados ou erva-ulmeira, em inglês tem o nome de meadowsweet e em francês ulmaire.

História

Na cultura Celta, a ulmária é uma das três ervas mais sagradas dos Druídas (as outras são a menta aquática e a verbena).

Na idade Média era já bastante conhecida dos botânicos. Estes consideravam-na uma planta cujo aroma alegrava o coração e deliciava os sentidos, daí ser também usada em poções mágicas. Nalgumas culturas as flores são espalhadas no chão para a noiva pisar.

A ulmária tornou-se célebre em 1838 quando foi feito o isolamento do ácido salicílico nela contido que mais tarde foi sintetizado como ácido acetil-salícilico, que constitui a base do que hoje conhecemos como aspirina. O nome de aspirina tem origem no antigo nome desta planta (spirea ulmaria). Para além da ulmária, fez-se também o isolamento deste componente existente no salgueiro (salix alba).

Constituintes

Flavonóides, glicósidos, taninos, sais minerais, vitamina C, salicilato de metilo e mucilagem.

Propriedades

A presença de salicilato de metilo confere à planta propriedades antipiréticas, anti-inflamatórias, anti-reumática e anti-agregante plaquetária, os flavonóides e hetrósidos aumentam a actividade anti-inflamatória e diaforética, os taninos têm acção adtringente e podem recomendar-se em casos de diarreia, incluindo diarreia infantil pois a sua ação é bastante suave.

Em fitoterapia a planta funciona melhor como um todo do que os seus componentes isolados. A presença de taninos e mucilagem ajuda a combater os efeitos adversos dos salicilatos isolados que podem causar irritações gástricas. Daí ser muito aconselhada para problemas de hiper-acidez do estômago e outros problemas do aparelho digestivo como flatulência, problemas de fígado e úlceras gástricas, mau hálito, refluxo gástrico e ainda cistite, pedra na bexiga, celulite, reumatismo crónico, arterite, dores menstruais, dores de cabeça, edema, diurese e ureia. Muito eficaz para combater febres e gripes.

Culinária

Tanto as folhas como as flores são comestíveis. As flores que têm um leve aroma a amêndoa podem adicionar-se a sobremesas várias como fruta cozida, arroz-doce, compotas e até vinho.

Na primavera, as folhas frescas podem juntar-se a sopas e saladas.

No jardim

Propaga-se por semente a partir de março, podendo demorar cerca de três meses a germinar.

Replantar, deixando cerca de 30 centímetros de intervalo entre as plantas. Prefere solo húmido com muito Sol ou sombra parcial, Ideal para plantar perto de água.

Utilizam-se as folhas, as flores e também as raízes das plantas com mais de três anos, cujo suco negro se utiliza em tinturia.

Fotos: GettyImages

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