
Não consegue resistir às lavandas (ou alfazemas)? Conhecemos o sentimento e queremos partilhar tudo o que sabemos para que consiga ter uma destas maravilhosas plantas bem pertinho de si.
Neste artigo, abordaremos tudo o que precisa de saber para plantar, cultivar e cuidar dos vários tipos de alfazemas, nesta que é a época perfeita para pôr as mãos na terra!
A Lavandula spp. é uma herbácea perene da família das Lamiaceae, família a que pertencem muitas outras plantas aromáticas como as sálvias, as mentas ou os tomilhos. A lavanda, conhecida vulgarmente por alfazema, rosmaninho ou nardo, é originária de solos predominantemente calcários da região mediterrânica e conta com 47 espécies e mais de 450 variedades dentro do seu género. Embora existam diferentes tipos de alfazema e a diversidade seja imensa, há quatro características que partilham, seja qual for a espécie ou a variedade em causa:
- Prosperam em sol pleno, precisando de seis ou mais horas de exposição solar.
- Preferem solos pobres e bem drenados (arenosos ou pedregosos).
- São mais tolerantes à seca do que ao excesso de água.
- A poda anual, no início da primavera, tornará a floração mais vigorosa e a planta mais viçosa.
Eis quatro tipos de alfazema muito usados em Portugal.
Lavandula angustifolia

Sinonímia: Lavandula officinalis, Lavandula spica, L. vera
Frequentemente conhecida como alfazema (ou lavanda inglesa), é uma das mais frequentes nos centros de jardinagem devido à sua rusticidade. De folhas estreitas e inflorescências terminais roxas em forma de espiga, é desta espécie que se revestem os imensos campos de cultivo da Provença entre junho e agosto. A incrível complexidade e envolvência do aroma torna-a muito apetecível para diferentes indústrias, pelo que é a partir desta espécie que se retira o óleo essencial. Em Portugal continental, esta espécie (exótica) está naturalizada e distribui-se por todo o País em substratos calcários, arenosos ou pedregosos. As L. angustifolia crescem de 30 a 80 cm de altura e são perfeitas para criar maciços ou cercas vivas ou plantadas em combinação com outras plantas aromáticas, seja em vaso ou floreira. Há variadas cultivares no mercado, incluindo a L. angustifolia ‘Hidcote’, uma versão anã, e a ‘Alba’, com folhagem cinzenta e delicadas flores brancas.
Lavandula latifolia
Sinonímia: Lavandula spica latifolia, L. Lavandula ovata, Lavandula hybrida
Apesar de ser conhecida por lavanda-portuguesa, alfazema-brava ou alfazema-portuguesa, em Portugal apenas surge em maciços calcários da Estremadura e da Beira Litoral que a tornam muito tolerante à exposição ao vento salino. Este tipo de alfazema cresce até 60 centímetros de altura e as folhas elípticas mais largas e alongadas fazem com que difiram da Lavandula angustifolia. As flores surgem de junho a novembro, e o seu aroma continua a seduzir, mas com notas de alfazema e alecrim.
Lavandula stoechas

Comummente chamada lavanda-francesa, lavanda-espanhola ou lavanda-borboleta, esta espécie caracteriza-se pelas suas folhas aromáticas prateadas e inflorescências muito distintas pelo seu formato de pinha de pétalas eretas, e surge no nordeste, no centro e sul de Portugal. A exuberante floração ocorre de março a agosto, e, embora as flores não sejam muito perfumadas, as suas folhas têm um pungente aroma, algo resinoso. São perfeitas para plantar em maciços ou em sebes vivas e são muito apreciadas tanto pelo seu carácter ornamental como pelas suas propriedades medicinais. Incluem-se na L. stoechas subsespecies como a lusitânica, a L. stoechas subsp.pedunculata, de Espanha, e a L. stoechas subsp. luisieri, nativa, de Portugal.
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Lavandula dentata

Sinonímia: Stoechas dentata (L.) Mill.
Conhecida por lavândula-francesa ou alfazema-brava é o tipo de alfazema mais arbustivo/lenhosa. Como é mais densa e cresce até 1-1,20 metros, é perfeita para formar sebes de compartimentação ou cercas vivas de baixas dimensões. É muito resistente ao frio mas também à secura, não fosse ela originária do Mediterrâneo ocidental e ilhas atlânticas. De folhas verde-glauco, distingue-se bem pelas suas bordas dentadas e textura lanosa e as flores violeta que não deixam ninguém indiferente quando as temperaturas começam a aumentar.
Para plantar:
Escolha um local soalheiro e escave uma cova duas ou três vezes mais larga e profunda do que o vaso que a transporta. Remova a lavanda do vaso de plástico e solte as raízes para permitir que se desenvolvam. Para plantar, utilize um substrato permeável, leve e arejado, sendo as misturas com perlite e vermiculite excelentes alternativas. Ela cresce melhor em solos com pH entre 6 e 8. As plantas estabelecidas são tolerantes à seca, mas, aquando da plantação, não se esqueça de fazer uma rega abundante. Em zonas com humidade elevada, o apodrecimento das raízes devido à infecção por fungos pode ser um problema. Mulching pode reter muita água ao redor da base das plantas, causando o apodrecimento das raízes.
Caso esteja a plantar em canteiro, lembre-se que a sua planta vai crescer em altura e largura pelo que deverá considerar um compasso de plantação entre 30 e 90 centímetros. Também se podem utilizar em vasos e floreiras (principalmente a Lavandula dentata e a Lavandula angustifolia). No entanto, o rosmaninho (Lavandula stoechas) tem muita dificuldade em adaptar-se em vaso.
A alfazema é colhida manualmente e os tempos de colheita variam dependendo dos usos pretendidos.
Poda
A poda é o segredo da longevidade e da floração exuberante das alfazemas. Estas precisam de ser podadas pelo menos duas vezes ao ano para se mantereim saudáveis, bonitas e florirem em pleno. Segundo os ingleses deve ser feita uma poda a seguir à floração, em agosto na segunda semana, de cerca de 20 cm. Para além desta poda deve ser feita outra no inicio da primavera para garantirmos que a planta não perde a forma e floresce em condições.
Se pretende um jardim ou terraço em que todos os seus sentidos são estimulados, não deixe de contemplar pelo menos uma lavanda: qualquer que seja a espécie, verá que a frescura, a calma e tranquilidade do seu perfume vão invadir o espaço. Além disto, as hastes florais são perfeitas para secar e usar em casa para múltiplos fins: arranjos florais, potpourris, “bruxinhas” para gavetas, etc.
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